O debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo promovido pela TV Gazeta nesta segunda-feira (24) foi marcado por ataques aos três mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto: Celso Russomanno (PRB), José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT). As investidas, muitas vezes, foram feitas em dobradinhas entre adversários.
No primeiro bloco, por exemplo, Haddad perguntou ao candidato Gabriel Chalita (PMDB) sobre o transporte público dizendo que o setor tem uma “avaliação ruim”, “ao contrário do que disse Serra” –antes o tucano havia respondido uma pergunta feita por Paulinho da Força (PDT) sobre transporte público.
Na resposta, Chalita atacou a administração “Serra/Kassab” e disse que os recursos no setor são insuficientes. Haddad, em sua tréplica, afirmou que as obras feitas no metrô são insuficientes e estão atrasadas.
Em outra dobradinha, Serra usou uma pergunta feita por Paulinho para atacar Haddad. Ao ser questionado sobre o que achava da eleição para subprefeito, Serra respondeu que a medida poderia causar “confusão administrativa” e disse que, quando assumiu a prefeitura –após a gestão da petista Marta Suplicy (2001-2004)– percebeu que o PT havia “loteado as subprefeituras”.
Em sua tréplica, o tucano aproveitou para responder a crítica de Haddad dizendo que as obras do monotrilho estão avançando, assim como de duas linhas do metrô.
Estratégia
O debate também veio comprovar que a estratégia do PT de Haddad agora é atacar o líder Russomanno. Em duas vezes que teve oportunidade, Haddad direcionou suas perguntas ao candidato do PRB na tentativa de descontruir suas propostas de tarifa de ônibus proporcional e para a Guarda Civil Metropolitana.
No início do debate, Haddad já havia dito que as críticas que vem fazendo a Russomanno no horário eleitoral e nas inserções de TV não são “pessoais”.
“Não estamos fazendo e nem faremos ataques pessoais ao Russomanno ou a quem quer que seja. Entendo que algumas questões ligadas à candidatura do Russomanno merecem atenção, por exemplo, a não apresentação de um plano de governo. É o mínimo que se exige de um candidato”, afirmou o petista.
Na sequência, Russomanno exibiu um impresso que seria seu “programa de governo”, ao que depois foi repreendido pela apresentadora, que disse que era contra as regras do debate exibir qualquer objeto ou documento.
Soninha pergunta sobre mensalão
Soninha Francine (PPS) também serviu de linha alternativa para Serra atacar Haddad, ao citar o mensalão.
Segundo o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, a oposição foi “irresponsável” ao ligar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao mensalão –suposto esquema de compra de apoio de parlamentares no Congresso Nacional, no primeiro governo do petista (2003-2006). O processo é julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Há duas semanas, a revista “Veja” trouxe reportagem em que afirmava o publicitário Marcos Valério teria dito a interlocutores que Lula seria o chefe do esquema.
A candidata do PPS perguntou a Haddad se ele considerava que uma nota emitida pelo PT –com ataques à oposição que pediu uma investigação sobre a denúncia da revista– era correta.
“O procedimento da oposição é irresponsável. Basear uma denúncia em uma reportagem de uma revista semanal, que foi desautorizada pela fonte”, afirmou.
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