4 de junho de 2026

Debate tributário global precisa da ONU, dizem economistas

Negociações sobre tratado fiscal global na OCDE pouco avançaram em quase 10 anos; questão é saber apoio de EUA e União Europeia
residente Lula discursa na abertura do Debate Geral da 78º Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Uma votação programada para ocorrer na ONU (Organização das Nações Unidas) nesta quarta-feira (22/11) pode decidir se a tomada de decisão global em matéria de tributação será feita por meio de uma convenção mais inclusiva, ou se os países ricos vão manter os atuais acordos.

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Citando as propostas vigentes como “ineficazes e excludentes”, os economistas que integram a ICRICT (Independent Commission for the Reform of International Corporate Taxation) elaborou uma carta publicada em veículos como o site Project Syndicate, onde apontam a necessidade de se abordar “a injustiça e a ineficiência do atual sistema de tributação das sociedades do patrimônio”.

O documento também apela “para que o mundo utilize princípios multilaterais para alcançar soluções multilaterais”, o que poderia ajudar na formatação de um mundo efetivamente inclusivo e capaz de realizar as reformas consideradas necessárias.

Segundo os economistas que assinam o documento, como Joseph Stiglitz, Jayati Ghosh e Thomas Piketty, as negociações multilaterais sobre um tratado fiscal global na OCDE não avançaram de forma suficiente em quase uma década de conversas.

“O processo gerou ideias inovadoras e uma base técnica para a construção de um sistema fiscal global, mas o tipo de soluções de que o mundo necessita permanece distante”, diz o texto, ressaltando que uma análise independente mostrou que os dois “pilares” do tratado proposto gerariam muito menos do que a OCDE havia projetado.

Transferência do debate para ONU

Por conta dos poucos avanços, países africanos apresentaram a proposta de levar o tema para a ONU, o que ganhou o apoio do grupo G77 de países em desenvolvimento, mas que ainda não foi decidido nem por Estados Unidos ou pela União Europeia.

“Se (Estados Unidos e União Europeia) se opuserem a uma convenção-quadro vinculativa da ONU (como sinalizaram que o farão), irão enviar a mensagem de que preferem os atuais acordos, ineficazes e injustos, à possibilidade de reformas que beneficiariam seu próprio povo, estancando as perdas de receitas sofridas anualmente”.

Para os membros da Comissão Independente para a Reforma da Tributação Corporativa Internacional (ICRICT), a oposição ao avanço das negociações para uma convenção específica na ONU “teria consequências terríveis para todo o sistema internacional”, e tanto Estados Unidos como a União Europeia deveriam reconsiderar sua posição.

O comunicado divulgado pelo ICRICT pode ser lido na íntegra clicando aqui.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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