Desembargador manda soltar Milton Ribeiro e pastores do MEC ligados a Bolsonaro

Em sua decisão, o desembargador argumentou que a prisão preventiva "carece de razão de ser"

O ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro. Foto: Agência Brasil

O desembargador New Bello, do Distrito Federal, determinou nesta quinta-feira, 23, a soltura de todas as pessoas presas na Operação Acesso Pago. Entre elas, o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, suspeito de envolvimento em esquema de corrupção e tráfico de influência envolvendo pastores bolsonaristas no MEC.

Em sua decisão, o desembargador argumentou que a prisão preventiva dos suspeitos “carece de razão de ser”. Para ele, a prisão não se justifica porque não há mais vínculo entre Milton Ribeiro e o MEC. Desta forma, o ex-ministro estaria impedido de “continuar praticando” os supostos crimes sob investigação, com os recursos do FNDE. Ribeiro foi exonerado da do MEC em março de 2022, quando o escândalo veio à tona.

O desembargador Ney Bello ainda sustentou que tráfico de influência, corrupção, prevaricação são crimes investigados a partir do “follow the money”, ou seja, a “vigilância do caminho do dinheiro, uma vez que racionalmente não se justifica a prisão cautelar por este motivo.”

Leia também: Oposição articula CPI dos pastores no MEC, mas presidente do Senado resiste

Os pastores Arilton Moura e Gilmar dos Santos foram soltos de ofício, ou seja, por iniciativa do desembargador, que analisava um recurso da defesa de Ribeiro. Todos foram presos na manhã de quarta, 22, na operação da Polícia Federal que apura a abertura do MEC para a influência de pastores bolsonaristas.

O QUE DIZ A DENÚNCIA

Segundo a denúncia, prefeituras tiveram de contar com o patrocínio de pastores ligados a Bolsonaro para receber recursos do FNDE. Em contrapartida, os pastores cobravam propina em barras de ouro para facilitar a liberação de recursos.

Gravação obtida pela Folha mostrou que Ribeiro atendeu a um pedido pessoal de Jair Bolsonaro ao abrir as portas do MEC para os pastores suspeitos de corrupção.

LAVAGEM DE DINHEIRO

A partir de um relatório da Controladoria-Geral da União, um dos eixos da investigação apura uma “movimentação financeira suspeita”. Trata-se da suposta transação de compra e venda de um automóvel no valor de 60 mil reais.

O carro teria sido saído do nome de Miriam Pinheiro, esposa do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, para Vitória Amorim, filha de um dos pastores. A transação ocorreu após o escândalo estourar, em março de 2022. Ainda segundo as investigações, Ribeiro falava publicamente, nos corredores do MEC, sobre a venda.

Outro trecho da investigação da PF aponta que Helder Diogo, genro de um dos pastores, também teria recebido propina em suas contas.

O QUE DIZ JAIR BOLSONARO

Após o escândalo, Jair Bolsonaro, que no passado disse que colocaria a “cara no fogo” por Ribeiro, agora mudou de discurso e afirmou que o ex-ministro tem que responder pelos próprios atos.

Ribeiro é defendido pelo advogado de Michelle Bolsonaro, esposa de Jair Bolsonaro.

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