A Associação Movimento Brasil Laico protocolou nesta segunda-feira (4) uma representação junto à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro contra o pastor Silas Malafaia, a Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) e cinco políticos. A entidade acusa o grupo de transformar um culto religioso, realizado no último domingo (3) na Penha, em um ato de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder religioso.
Entre os alvos da ação estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e o deputado estadual Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo fluminense. Também foram citados o ex-governador Cláudio Castro (PL), o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos).
A representação pede a inelegibilidade de todos por oito anos e multa de R$ 25 mil.
Altar transformado em palanque
Durante a cerimônia, que reuniu cerca de 6.000 fiéis, Malafaia convocou os políticos ao altar e declarou abertamente que é “o tempo de apoiar o Flávio para presidente“. O líder religioso conduziu orações nominais e proferiu discursos de teor político-partidário, atacando programas sociais como o Bolsa Família e criticando a proposta de fim da jornada 6×1.
Para o Movimento Brasil Laico, a conduta viola o artigo 37 da Lei das Eleições, que classifica templos como bens de uso comum, proibindo propaganda de qualquer natureza em seu interior. “O fiel que vai ao culto para exercer sua fé não pode ser transformado em plateia cativa de campanha política“, afirma Leandro Patricio da Silva, diretor-presidente da associação.
A entidade argumenta que o endosso de Malafaia, que lidera 149 templos em 14 estados, configura uma “doação estimada em dinheiro” e publicidade vedada por entidade religiosa. Além das sanções eleitorais, o grupo pede que a Receita Federal apure eventual desvio de finalidade da ADVEC, que goza de imunidade tributária.
Embates com o Judiciário e críticas ao PT
Em sua defesa durante o culto, Malafaia elevou o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Recentemente tornado réu por injúria contra o comandante do Exército, general Tomás Paiva, o pastor chamou o inquérito das fake news de “imoral” e atacou o ministro Alexandre de Moraes, prevendo que “virá justiça sobre ele” caso não se arrependa.
O pastor também justificou sua atuação política comparando-a à ligação histórica da Igreja Católica com o PT. No entanto, a representação rebate a analogia, classificando-a como “intelectualmente desonesta“. Segundo a associação, enquanto as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) promoviam o debate social a partir da base, o modelo praticado na ADVEC seria uma transferência vertical de autoridade religiosa para fins eleitorais.
Estratégia política no Rio
A presença da cúpula do PL no culto marca a consolidação de Flávio Bolsonaro como o nome do partido para o Planalto e a tentativa de unificar o reduto bolsonarista no Rio. Levantamentos recentes indicam que o senador mantém liderança sobre o presidente Lula no segmento evangélico, público considerado decisivo para as pretensões da legenda.
Procurada, a assessoria de Malafaia e dos políticos citados ainda não se manifestou sobre a representação. O Ministério Público Federal deverá analisar agora se há elementos suficientes para converter a denúncia em ação judicial.
Carlos
4 de maio de 2026 3:55 pmSó escroque no palanque..