A Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu uma representação formal contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador Flávio Bolsonaro (PL), motivada por possíveis irregularidades eleitorais durante a abertura da Agrishow 2026, em Ribeirão Preto. A iniciativa é do deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), que acusa os políticos de utilizarem a estrutura pública estadual para realizar propaganda eleitoral antecipada.
O documento protocolado sustenta que a participação conjunta de Tarcísio e Flávio no evento, realizado no dia 27 de abril, apresentou fortes indícios de pré-campanha presidencial. Segundo a denúncia, o ato ocorreu em espaço institucional mantido pelo Governo do Estado de São Paulo, contando com palco oficial, identidade visual do governo e transmissão ao vivo pelo canal da gestão paulista no YouTube.
Para o autor da representação, o episódio extrapola os limites institucionais. “Tarcísio é cara de pau. Utilizou recursos públicos para fazer propaganda antecipada de Flávio Bolsonaro. Eles usaram as instalações do Governo do Estado de São Paulo para lançar a pré-candidatura de Flávio. É um verdadeiro absurdo”, afirmou Zarattini.
Indícios de campanha antecipada
A representação detalha trechos dos discursos proferidos na feira agrícola. Tarcísio de Freitas teria se referido ao senador Flávio Bolsonaro como “nosso pré-candidato a presidente da República” e “nosso próximo presidente da República”. Por sua vez, o senador teria reforçado o tom ao declarar: “Na hora, daqui a poucos meses, de escolher o futuro que você quer para você, para a sua família, para os seus filhos, pensem nisso. Eu sei que todos nós queremos mudança. Ela vai acontecer”.
Para o parlamentar, as declarações buscam orientar a escolha do eleitor antes do período permitido. “A lei eleitoral estabelece limites claros. O uso da máquina pública para promoção política exige resposta institucional”, declarou o deputado ao defender a apuração dos fatos.
Uso da máquina pública
Além da propaganda antecipada, a PGR deverá analisar se houve abuso de poder político e uso indevido de bens públicos. A legislação eleitoral veda a utilização de recursos, canais oficiais ou espaços da administração para beneficiar candidaturas.
A representação aponta que a estrutura do Estado foi mobilizada para projetar a candidatura do senador, o que configuraria conduta vedada. O pedido agora aguarda análise da Procuradoria-Geral da República, que decidirá sobre a abertura de eventual procedimento para apurar as responsabilidades.
Mario Mendonça
3 de maio de 2026 10:10 amO fora Lula está a todo vapor, e será uma avalanche!