10 de junho de 2026

Levantamento federal confirma disparidade salarial entre homens e mulheres

Mulheres recebem 19,4% a menos que os homens, e apenas 32,6% das empresas possuem incentivo para contratação de mulheres
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A disparidade salarial entre homens e mulheres no Brasil é de quase 20%, segundo dados de pesquisa apresentada pelos ministérios das Mulheres e do Trabalho e Emprego (MTE),

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A partir de dados enviados pelas próprias empresas, o Relatório de Transparência Salarial apurado via recorte de gênero mostra que as mulheres ganham 19,4% a menos do que os homens no Brasil.

O relatório também apresenta a remuneração e salário pago por grandes grupos ocupacionais e posições hierárquicas dentro das empresas. Segundo o estudo, a diferença de remuneração entre homens e mulheres em cargos de dirigentes e gerentes chega a 25,2%.

A diferença é ainda maior quando a análise envolve raça: as mulheres negras, além de estarem em menor número no mercado de trabalho, também recebem menos do que as mulheres brancas.

Enquanto a remuneração média da mulher negra é de R$ 3.040,89, a da não negra é de R$ 4.552,45, uma diferença de 49,7%. No caso dos homens, os negros recebem em média R$ 3.843,74 e os não negros, R$ 5.718,40, o equivalente a 48,77%.

Ao todo, 49.587 empresas com 100 ou mais funcionários no Brasil — perfil exigido por lei — responderam ao questionário e apresentaram os dados para o Governo Federal. Destas, 73% têm 10 anos ou mais de existência. Juntas, elas somam quase 17,7 milhões de empregados.

Incentivo à contratação de mulheres

O estudo também levantou dados que indicam se as empresas possuem políticas para incentivar a contratação de mulheres: 51,6% das empresas possuem planos de cargos e salários; 38,3% adotam políticas para promoção de mulheres a cargos de direção e gerência; 32,6% têm políticas de apoio à contratação de mulheres; e 26,4% adotam incentivos para contratação de mulheres negras.

Contudo, apenas 20,6% possuem políticas de incentivo à contratação de mulheres LGBTQIAP+, 23,3% incentivam o ingresso de mulheres com deficiência, e 5,4% têm programas específicos de incentivo à contratação de mulheres vítimas de violência.

Poucas empresas ainda adotam políticas como licença maternidade/paternidade estendida (17,7%) e auxílio-creche (21,4%).

Disparidade estadual

O estudo revela ainda diferenças consideráveis quando se trata do pagamento de salários para homens e mulheres. O estado do Piauí é o que registra a menor desigualdade salarial entre homens e mulheres: elas recebem 6,3% a menos do que eles, em um universo de 323 empresas, que totalizam 96.817 ocupados. A remuneração média é de R$ 2.845,85.

Na sequência das UFs com menor desigualdade salarial entre homens e mulheres aparecem Sergipe e Distrito Federal, com elas recebendo 7,1% e 8% menos do que os homens, respectivamente. Em Sergipe, a remuneração média é de 2.975,77. No DF é a maior do país: R$ 6.326,24.

A maior desigualdade salarial no Brasil ocorre no Espírito Santo, onde as mulheres recebem 35,1% menos do que os homens. Em seguida, aparecem Paraná (66,2%), Mato Grosso do Sul (67,4%) e Mato Grosso (68,6%).

São Paulo é o estado com maior número de empresas participantes, um total de 16.536, e maior diversidade de situações. As mulheres recebem 19,1% a menos do que os homens, praticamente espelhando a desigualdade média nacional. A remuneração média é de R$ 5.387.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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