5 de junho de 2026

Extratos revelam R$ 35 milhões ligados a fundo associado a Vorcaro em negócio com empresa de Toffoli

Os aportes coincidem com o período em que foi estruturada a entrada do fundo no empreendimento e também com mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF)
Acervo STF

Extratos bancários obtidos pelo Estadão indicam que o fundo de investimentos ligado ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, movimentou R$ 35 milhões na aquisição de parte da participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, no resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR).

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Os aportes coincidem com o período em que foi estruturada a entrada do fundo no empreendimento e também com mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF). Nessas conversas, Vorcaro cobra do pastor Fabiano Zettel, seu cunhado, a realização de aplicações milionárias no negócio e demonstra preocupação com atrasos nos repasses.

Zettel, ligado à Igreja Lagoinha, aparece como único cotista do fundo Leal, administrado pela Reag Investimentos, empresa também investigada no âmbito do caso Banco Master. O fundo Leal, por sua vez, é o único cotista do FIP Arleen, veículo utilizado para adquirir a fatia da família Toffoli no resort paranaense.

Em 27 de setembro de 2021, o FIP Arleen tornou-se sócio das empresas Tayaya Administração e DGEP Empreendimentos, responsáveis pela gestão e incorporação dos terrenos do resort. Na ocasião, o fundo comprou metade da participação de R$ 6,6 milhões que a Maridt S.A., empresa da qual Toffoli é sócio, detinha nas duas companhias, equivalente a R$ 3,3 milhões em capital social.

Embora esse valor represente a parcela formal de capital social adquirida, documentos apontam que o investimento total no empreendimento alcançou R$ 35 milhões. O resort é avaliado em mais de R$ 200 milhões.

Registros bancários mostram que, em 28 de outubro e 3 de novembro de 2021, Zettel aportou R$ 15 milhões e R$ 5 milhões no fundo Leal. Nas mesmas datas, o Leal transferiu aproximadamente R$ 14,8 milhões e R$ 4,9 milhões ao FIP Arleen.

Em janeiro, após a revelação de que Zettel era o único cotista do Leal, o pastor afirmou ter deixado o fundo em 2022. No entanto, documentos e mensagens indicam que ele continuou como cotista e manteve aportes no Tayayá.

Conversas de maio de 2024 mostram Vorcaro cobrando Zettel sobre novos repasses. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o empresário. O pastor respondeu que poderia efetuar o pagamento na semana seguinte. Em outra troca, Zettel apresentou uma lista de pagamentos com a indicação “Tayaya – 15”, interpretada pela PF como referência a um repasse de R$ 15 milhões. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”.

Em agosto de 2024, novas mensagens registram cobranças sobre o mesmo assunto. Vorcaro questiona se “aquele negócio do Tayayá” havia sido concluído. Zettel afirma ter transferido recursos ao intermediário responsável, mas admite que a conclusão dependeria de terceiros. “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”, reagiu Vorcaro. “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”, respondeu o pastor.

Em outra conversa, ao ser instado a prestar contas, Zettel afirmou: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”. As mensagens não esclarecem quem pressionava Vorcaro pelos pagamentos.

Os extratos mostram ainda que Zettel aportou R$ 15 milhões no fundo Leal em 8 de julho de 2024. Entretanto, o FIP Arleen só recebeu um novo aporte, de R$ 14.521.851,17, em 10 de fevereiro de 2025.

No dia 21 de fevereiro de 2025, a Maridt S.A., empresa da qual Toffoli é sócio, vendeu o restante de sua participação no resort à PHB Holding, empresa do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já prestou serviços à JBS.

Na quinta-feira (12), um dia após vir a público relatório da PF mencionando o nome de Toffoli em conversas extraídas do celular de Vorcaro, o ministro deixou a relatoria do caso Banco Master no STF. O inquérito foi redistribuído ao ministro André Mendonça.

Em nota, Toffoli afirmou que a Maridt é uma sociedade anônima de capital fechado regularmente registrada e com declarações aprovadas pela Receita Federal. O ministro reconheceu ter recebido dividendos da empresa, mas negou qualquer pagamento proveniente de Vorcaro.

Também destacou que, conforme a Lei Orgânica da Magistratura (Lei Complementar 35/1979), magistrados podem integrar o quadro societário de empresas e receber dividendos, desde que não exerçam funções de gestão.

*Com informações do Estadão.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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