Famílias palestinas inteiras foram dizimadas na Guerra de Gaza

Patricia Faermann
Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.
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Os sobrenomes de, pelo menos, 60 famílias palestinas quase se extinguiram com a morte das dezenas ou centenas de pessoas da mesma família

Foto: Eyad El Baba/Unicef

Famílias palestinas inteiras foram dizimadas pela guerra na Faixa de Gaza, traz um levantamento feita pela The Associated Press, divulgado nesta segunda (17). Os sobrenomes de, pelo menos, 60 famílias palestinas quase se extinguiram com a morte das dezenas ou centenas de pessoas da mesma família.

De acordo com a repórter Sarah El Deeb, da agência de notícias internacional, foi o que ocorreu com Youssef Salem, depois que 173 de seus familiares foram mortos pelos ataques aéreos isaelitas, “em questão de dias”, em dezembro.

Até a metade desse ano, o número de Salems mortos pela guerra chegou a 270. O mesmo ocorreu com os Al-Aghas, que perderam mais de 100 membros da família, e Abu Najas, que teve mais de 50 mortos, em “um grau nunca antes visto, Israel está matando famílias palestinas inteiras, uma perda ainda mais devastadora do que a destruição física e o deslocamento massivo de refugiados”.

Para o levantamento, a agência de notícias recolheu dados das vítimas divulgados pelo Ministério da Saúde de Gaza, avisos de óbitos online, páginas e folhas de cálculo de famílias e bairros nas redes sociais, relatos de testemunhas e sobreviventes, bem como dados de vítimas do Airwars, um monitor de conflitos com sede em Londres.

De acordo com o levantamento da AP, ao menos 60 sobrenomes tiveram, pelo menos, 25 pessoas mortas, o que representa cerca de 4 gerações de familiares, nos bombardeios entre outubro e dezembro de 2023.

Desse total de 60, quase um quarto dessas famílias perdeu mais de 50 pessoas e, em muitos casos, não há sobreviventes para documentar o número de vítimas fatais, considerando que os dados em meio às ruínas são quase impossíveis de acessar.

Youssef Salem, que teve mais de 200 familiares mortos, fez esse cálculo à mão. Foi preenchendo em uma planilha, durante todos estes meses, os documentos e notícias de mortes de familiares. “Meus tios foram totalmente exterminados. Os chefes de família, suas esposas, filhos e netos”, disse.

Em dezembro, um único ataque aéreo de Israel matou mais de 70 pessoas da família Mughrabi. A família Doghmush perdeu, ao menos, 44 em um só ataque a uma mesquita e mais 100 pessoas nas semanas seguintes.

Os Abu al-Qumssan tiveram mais de 80 integrantes mortos. “Os números são chocantes”, disse Hussam Abu al-Qumssan, que vive na Líbia e recolheu os dados de seus familiares.

“O assassinato de famílias ao longo de gerações é uma parte fundamental do caso de genocídio contra Israel, agora perante o Tribunal Internacional de Justiça”, escreveu a repórter.

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