Filme “Amigo Secreto” mostra direcionamento da Lava Jato para derrubar Lula “a qualquer custo”, diz diretora

Documentário estreia em cinemas de todo o País na próxima quinta-feira, 16 de junho

Com estreia prevista para quinta-feira, 16 de junho, em cinemas de todo o País, o filme “Amigo Secreto”, novo documentário da cineasta Maria Augusta Ramos, eternizará com as ferramentas da sétima arte a parcialidade da Operação Lava Jato. Enquanto Lula era perseguido pelos investigadores, políticos do outro lado do campo eram poupados nos acordos de delação.

Em trecho divulgado antecipadamente pela coluna de Mônica Bergamo na Folha, é possível verificar o depoimento exclusivo e inédito de um dos principais delatores da Lava Jato, Alexandrino Alencar, da Odebrecht, sobre a pressão exercida para que Lula fosse implicado nas investigações.

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Alexandrino foi o único delator que aceitou falar com a produção, segundo Guta Ramos. “Eles [delatores] temem represálias, têm muito medo”. O que o ex-executivo falou “surpreende bastante”, é “chocante ouvir aquilo ali. Praticamente passaram por uma tortura”, comentou a cineasta durante entrevista ao programa Estação Sabiá, na tarde desta segunda, 13, dia de pré-estreia no Rio de Janeiro.

Confira o trecho com o delator abaixo.

Na entrevista para o documentário, o delator ainda afirma que a Lava Jato dispensou delatores que tentaram entregar informações sobre caixa 2 para tucanos como Aécio Neves, ex-candidato a presidente da República em 2014.

“Não vou dizer o nome do santo. Mas tem colega meu que foi preso em Curitiba, chegou lá, o pessoal [investigadores] começou a perguntar sobre caixa dois. Ele [colega de Alexandrino] falou: ‘Isso aqui é para o Aécio Neves’. Na hora em que ele falou, eles [interrogadores] se levantaram e soltaram ele. Isso é Lava Jato? Isso é um sistema anticorrupção? Ou é uma questão direcionada?”, questionou Alencar.

Para a cineasta Guta Ramos, o filme sinaliza “que existia, sim, um objetivo maior, e o alvo era o presidente Lula. Era remover Lula [das eleições de 2018] a todo custo, sem provas, mesmo que isso significasse corromper o devido processo legal.”

“Amigo Secreto” faz referência a um dos grupos de procuradores no Telegram, que se chama “Amigo Secreto”. O Intercept Brasil fez reportagem sobre a troca de mensagens no grupo. Além disso, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, citou mensagens do grupo durante o julgamento da suspeição de Sergio Moro.

O documentário acompanha principalmente o trabalho de um pool de jornalistas de vários veículos que atuaram na cobertura do vazamento de conversas do Telegram. O fato impôs uma reviravolta ao caso. Após a confirmação dos abusos, o Supremo Tribunal Federal levou adiante o julgamento da parcialidade de Sergio Moro, além de ter reconhecido a incompetência territorial da 13ª Vara Federal de Curitiba para processar os casos da Lava Jato.

Confira o trailer abaixo:

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