8 de junho de 2026

Forbes desmonta justificativa dos militares para compra de Viagra e debocha do governo Bolsonaro

Revista Forbes trata como improvável a hipótese de a Marinha brasileira ter um grande número de militares com HAP, doença considerada rara

Um artigo publicado na revista norte-americana Forbes no dia 17 de abril de 2022 desmonta a narrativa usada pelos militares brasileiros para justificar a abertura de pregões para comprar mais de 35 mil comprimidos genéricos de Viagra. O escândalo foi revelado em reportagem do UOL, que se baseou em um levantamento feito pelo deputado federal Elias Vaz, do PSB.

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As Forças Armadas abriram processos para comprar 35.320 comprimidos com o composto sildenafil, que é o nome genérico do Viagra, em doses de 25 mg e 50 mg. Mais de 28 mil comprimidos seriam destinados à Marinha, enquanto o Exército e a Força Aérea ficariam com 5 mil e 2 mil comprimidos, respectivamente. Questionada, a instituição afirmou que os medicamentos – usualmente administrados no combate à disfunção erétil – seriam usados em tratamentos de hipertensão arterial pulmonar (HAP).

No artigo escrito pelo jornalista e médico Bruce Y. Lee, a Forbes desmonta a justificativa dos militares. O artigo explica que a HAP eleva “a pressão nas artérias que levam sangue do coração para os pulmões” e que existem várias causas possíveis para a HAP, “variando de altitude elevada a defeitos cardíacos congênitos, exposição a drogas ou toxinas, distúrbios do tecido conjuntivo a infecções por HIV ou esquistossomose.”

“De fato, os médicos têm usado sildenafil em alguns casos para tratar a HAP.” Porém, o distúrbio é considerado “raro”, sendo encontrado em 15 a 50 pessoas por milhão nos Estados Unidos e na Europa, de acordo com dados extraídos de uma revista científica americana.

“Portanto, provavelmente não há um grande número de militares brasileiros com HAP crônica. Mesmo se você argumentar que o sildenafil foi para ajudar a aliviar a HAP temporária induzida por grandes altitudes, não é como se a maior parte do sildenafil fosse para militares que provavelmente operam em grandes altitudes. De acordo com a reportagem do UOL, 28.320 comprimidos foram para a Marinha, o que significa que muito do sildenafil pode ter ido para os marinheiros. Presumivelmente, muitos membros da Marinha trabalham ao nível do mar. E o nível do mar tende a estar no nível do mar, e não no topo das montanhas”, ironizou o artigo.

“Além disso”, continuou o autor, “as doses de 25 mg e 50 mg compradas pelos militares brasileiros parecem um pouco, digamos, grandes para fins de HAP.” Nos Estados Unidos, médicos recomendam de 5 mg ou 20 mg de sildenafil três vezes ao dia para adultos em tratamento de HAP, “com cada dose espaçada de quatro a seis horas.” Logo, a dosagem dos comprimidos desejados pelas Forças Armadas está acima do recomendado para tratamento de HAP.

“Resta saber que outras explicações para as compras de sildenafil surgirão. A administração de Bolsonaro será capaz de fornecer uma razão importante e não impotente? Haverá justificativa suficiente para que isso seja uma ordem permanente? Ou isso será considerado um caso de fraude de ereção?”, indagou a Forbes, fazendo trocadilhos, em tom debochado, com as palavras “election” e “erection”, além de “important” e “impotent”.

Não foi a única vez que o trocadilho apareceu no artigo da Forbes. Logo no começo, a revista também debochou da situação inusitada envolvendo os militares, afirmando que o ano de 2022 no Brasil é de eleição (election), mas, aparentemente, alguns no governo Bolsonaro entenderam que é ano de ereção (erection).

Leia também:

1 – Além de próteses e viagra, Forças Armadas gastaram R$ 546 mil em botox

2 – Viagra, na dose comprada pelos militares, não é recomendado para tratar hipertensão

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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5 Comentários
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  1. Edison Furlani

    18 de abril de 2022 6:19 pm

    Salve falha de memória (êpa!) dentre os fármacos adquiridos pelas FFAA também figurava uma significativa quantidade de medicamentos utilizados para o tratamento de calvície (finasterida, minoxidil), cujo uso – consta – pode provocar disfunção erétil.
    Então é uma piada pronta: eles dão com uma mão e tiram com a outra!
    Carecas e broxas, que reputação! (êpa! desculpem o cacófato)

  2. Valdelírio Lübeck

    18 de abril de 2022 7:12 pm

    Impressionante o nível rasteiro alcançado pelos militares depois que o golpista Bolsonaro assumiu o poder.
    Virou chacota mundial. Não tem vergonha na cara?

  3. Paulo Dantas

    18 de abril de 2022 9:16 pm

    O site senta a borboada sempre na mídia corporativa , mas aí os caras publicam algo que interessa , aí são citados como confiáveis …
    Mas que trapalhada se meteu o Exército …

  4. AMBAR

    21 de abril de 2022 4:21 pm

    Meus sais!!! Quanta piada pronta!. Quer dizer que um jornalista médico (?) ou médico jornalista(!) chamado Bruce Lee, (afff)!!! afirma, numa revista chamada Forbes que o exército brasileiro adquiriu para suas tropas um grande lote de remédio para disfunção erétil (paumolecência) sob o argumento de que tal aquisição justificaria o tratamento de uma enfermidade pulmonar chamada HAP. Hã, Hã!
    Nossos soldados, do ar, do mar e da terra não têm HAP, argumenta o repórter . MAS, o bravo Bruce Lee, repórter médico, deve saber o quanto essa compra cabulosa pode ter tornado HAPPY o “valoroso exército brasileiro”. Quando se trata de brasil, americano não erra.
    Sérgio Porto engrossaria as crônicas seu FEBEAPA se ainda estivesse vivo.

  5. +almeida

    23 de abril de 2022 9:59 am

    Parece que a atual cúpula das altas patentes das FFAA se tornou uma fábrica de escândalos, degradação e desonra a Instituição. Além de virar chacota internacional passam pelo ridículo ao defender condenados pela mais alta corte do país, a qual esses supostos militares deveriam se dar ao respeito, se assim eles também desejam ser tratados. Estão com bitrinha pq não conseguiram encontrar e nem fazer nada que tirasse a liderança e a preferência nacional que a população presta à Lula. Pela má fama que a ditadura militar adquiriu após o golpe de 1964 seria de bom tamanho a esquerda brasileira ficar em estado de alerta.

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