Fukushima, só que no Brasil

Em apenas alguns dias a PF conseguiu destruir uma década de política externa. A carne brasileira já não tem mercado na Europa, na Ásia e na América Latina. O impacto negativo na imagem do Brasil não será desfeito tão cedo. Os danos produzidos à economia do Brasil começarão a se fazer sentir nos próximos meses.

Aumento do desemprego, retração na produção e comércio de insumos utilizados pelos criadores, redução na arrecadação de impostos. Isto para não falar no volume ocioso de carne que provavelmente vai estragar nos frigoríficos, supermercados e açougues.

O dano policial causado à carne made in Brazil pode ser comparado ao estrago que foi provocado á indústria pesqueira japonesa pelo acidente nuclear de Fukushima http://www.dw.com/pt-br/radioatividade-na-costa-japonesa-amea%C3%A7a-ind%C3%BAstria-pesqueira/a-14967989. Todavia, há uma diferença entre os dois episódios.

Em Fukushima o desastre foi em grande medida provocado pela natureza https://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_nuclear_de_Fukushima_I. A Operação Carne Fraca foi metodicamente concebida e colocada em prática pelos agentes da PF.

Os policiais calcularam exatamente o tamanho do estrago que queriam produzir á cadeia produtiva da carne ao utilizar a imprensa para ecoar interna e externamente as supostas irregularidades encontradas nos frigoríficos. A imprensa, por sua vez, aceitou alegremente o papel de terrorista que lhe foi destinado pela PF imaginando que poderia lucrar vendendo espaços publicitários aos concorrentes nacionais e internacionais dos frigoríficos que foram destruídos pela PF. 

Há alguns dias a justiça japonesa responsabilizou o Estado pelos danos causados pelo acidente na usina nuclear https://www.cartacapital.com.br/internacional/tribunal-responsabiliza-governo-japones-por-tragedia-de-fukushima. Quem vai reparar os prejuízos sofridos pelos trabalhadores, produtores rurais, frigoríficos e pelo Brasil em virtude da Operação Carne Fraca? Os policiais, o Estado ou a imprensa? 

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