Esta semana Garotinho se tornou o herói improvável da esquerda ao atacar a Rede Globo durante uma entrevista dada a mesma. O video do ex-governador e candidato cobrando o pagamento de impostos devidos pela empresa do clã Marinho foi replicado à exaustão no Twitter e no Facebook.
Não sou fã do Garotinho, nem me tornei fã dele por causa de seu feito supostamente heroico. Quando foi governador do Rio de Janeiro, ele estropiou aquele Estado política e financeiramente. Sob seu comando, as igrejas evangélicas passaram a ter uma importância política assustadora no Rio de Janeiro e uma função institucional questionável na administração pública do Estado. A violência e a corrupção policial eram a regra e as milícias operavam com total liberdade nas favelas cariocas.
Para falar a verdade, desconfio que entrevista bombástica de Garotinho à Rede Globo não tenha passado de uma grande encenação. Garotinho é candidato a governador do Rio de Janeiro e os impostos devidos pela Rede Globo são federais. Portanto, a cobrança feita por Garotinho ao vivo tem finalidade e alcance penas retórico. Ele nada poderá fazer nada de mal contra a empresa do clã Marinho se for eleito.
A entrevista poderia ter sido interrompida no momento do ataque verbal feito à Rede Globo, mas isto não ocorreu. Garotinho teve liberdade para falar o que quis e o video foi postado pela própria Rede Globo em seu website http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/eleicoes/2014/noticia/2014/09/rjtv-entrevista-anthony-garotinho-candidato-ao-governo-do-rj.html . Por menos que isto Lobão teve sua entrevista cortada num programa do Clodovil e o ex-governador Quércia foi interrompido durante um Roda Viva quando começou a insultar um jornalista.
As redes de TV sempre recorreram aos “nossos comerciais” para impedir a divulgação daquilo que não desejam. Sempre editaram material para prejudicar desafetos (caso do sequestro do Abílio Diniz e do debate entre Lula e Collor editado pela própria Rede Globo). Nunca deram oportunidade para seus inimigos usarem seu espaço público (caso de Brizola quando era governador). Curiosamente, nada disto ocorreu em relação a esta entrevista do Garotinho.
Não é novidade que a Rede Globo está em decadência. Isto foi objeto de análise aqui mesmo no GGN http://www.jornalggn.com.br/noticia/para-entender-a-decadencia-da-globo. Também não é novidade que a candidatura de Garotinho não tem empolgado muito os cariocas http://www.eleicoes2014.com.br/pesquisa-eleitoral-rio-de-janeiro/ . A mudança do padrão Globo de edição e censura neste caso do Garotinho é evidente e dá o que pensar. Que acordo por debaixo dos panos ele fez com a Rede Globo para ganhar destaque na mesma atacando-a a fim de melhorar seu desempenho eleitoral? Esta é a pergunta que a esquerda deveria estar fazendo.
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