A cidade de Gaza enfrenta um colapso econômico quase total, consequência do bloqueio imposto por Israel, ataques militares contínuos e destruição da infraestrutura. Com setores produtivos paralisados, oportunidades tradicionais de emprego praticamente desapareceram, obrigando a população a buscar alternativas muitas vezes precárias para sobreviver. As informações são de Lina Abu Zayed, no Aljazeera.
Jovens como Hala Mohammed al-Maghrabi, 24 anos, formados em áreas essenciais como saúde, encontram portas fechadas. Após dois anos de trabalho voluntário em hospitais, ela migrou para o marketing digital e o comércio eletrônico, gerando renda modesta para cobrir despesas básicas. “Não era o que planejei, mas ajuda a sobreviver”, afirmou.
O desemprego atinge níveis alarmantes. Segundo dados de 2024 do Escritório Central de Estatísticas da Palestina, 69% da população está sem trabalho, percentual que sobe para 80% entre jovens de 15 a 29 anos. Com cerca de 70% dos moradores com menos de 30 anos e um PIB encolhido em mais de 82%, a maioria depende de ajuda internacional para alimentação e sobrevivência.
Empresários também sentem o impacto. Mohammed al-Hajj, dono de um comércio de alimentos, viu seus armazéns destruídos e, sem recursos, converteu parte de sua propriedade em espaço de coworking improvisado, atendendo estudantes e profissionais que precisam de acesso à internet.
A inovação, em Gaza, deixou de ser opção para se tornar necessidade. Ahmed Fares Abu Zayed, CEO da Abu Zayed General Trading, adaptou sua pequena empresa de energia usando sucata plástica como combustível diante da falta de recursos. “Criar soluções a partir do que temos é a única saída”, disse. Projetos como o dele geram empregos diretos e habilidades que o mercado formal não absorve.
Ainda assim, a crise abre espaço para exploração. Jovens recorrem a atividades informais arriscadas, como câmbio ilegal ou empréstimos a juros extorsivos, apenas para sobreviver. “Sem apoio do governo e sem redes de segurança, a renda estável tornou-se quase impossível”, relatou um morador.
Com informações do Al Jazeera
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