A ministra das Relações Institucionais e deputada federal, Gleisi Hoffmann (PT-PR), criticou nesta terça-feira, 17, a cobertura do jornal Folha de S.Paulo sobre a discussão em torno da redução da jornada de trabalho no Brasil. Em publicação nas redes sociais, a parlamentar questionou o tratamento dado pelo veículo à pauta.
A ministra reagiu a reportagens recentes da Folha. Uma delas citou estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) alegando que o fim da escala 6×1 elevaria o custo do trabalho em 7,84%. Outra manchete apontou que a medida “eliminaria 600 mil empregos formais”.
“Nem a folia de carnaval justifica fazer manchete aterrorizante sobre jornada de 36 horas”, afirmou a ministra, referindo-se ao tom alarmista das publicações.
Em sua crítica, a parlamentar destacou que o mesmo estudo do Ipea citado pela Folha demonstra que a economia brasileira suportaria a mudança, assim como absorveu a redução de 48 para 44 horas semanais estabelecida na Constituinte de 1988.
A ministra também fez uma crítica ao passado da mídia corporativa em coberturas contra conquistas trabalhistas ao longo das décadas, sugerindo um padrão editorial contrário a avanços nos direitos dos trabalhadores.
“Esse tipo de manchete faz lembrar que diziam coisa parecida sobre a criação do décimo-terceiro salário, do salário-mínimo, da jornada de 8 horas e até do fim do trabalho escravo.”
Propostas em tramitação
Na Câmara dos Deputados, a Comissão de Constituição e Justiça deverá votar duas propostas sobre o fim da escala 6×1. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou projeto que estabelece jornada de 36 horas semanais com quatro dias de trabalho e três de descanso. Já o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) propõe redução gradual da carga de 44 para 36 horas semanais no prazo de dez anos.
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