O Golpe 1.0 está fazendo água. A economia continua patinando perto do abismo, a reforma da Previdência é objeto de resistência até da própria base aliada e foi desfigurada nas negociações a ponto de torná-la um Frankenstein sem utilidade para o setor financeiro que a promove e, pior, a resistência popular está de novo levantando a cabeça, e diminuindo cada vez mais a possibilidade de os golpistas chegarem a 2018 com alguma opção eleitoral viável e ao mesmo tempo perdendo o pouco de “legitimidade” e peso político para emplacar um adiamento da eleição para as calendas.
Ficou, portanto, urgente reciclar o golpe, e abrir uma avenida nova para a permanência no poder. Essa versão rejuvenescida do golpe já estava sendo negociada desde o ano passado, se não desde antes do impeachment, como plano Por isso a decisão do TSE sobre a possível exclusão do Temer da ação de cassação da chapa Dilma-Temer foi empurrada com a barriga até agora, nem sim nem não, para deixar em aberto a possibilidade de cassar o Temer se fosse preciso – e é o que agora têm motivos “populares” para fazer. O julgamento final da questão, graças a manobras explícitas do Gilmar, também foi deixado para este ano para que a possível deposição do Temer levasse a uma eleição indireta
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O plano B, agora, ou Golpe 2.0, parece envolver as seguintes etapas:
1) cassa-se o Temer pelo TSE, junto com a Dilma;
2) o Congresso elege um indivíduo de grande peso político e trânsito livre em todos os setores da política brasileira, das Forças Armadas ao Judiciário, passando por todas as alas do Congresso – digamos o Nelson Jobim, ex-presidente do Supremo que gosta de se fantasiar de general e foi ministro do FHC e do Lula; esse novo presidente apela à formação de um governo de salvação nacional e o forma com ministros “limpos”, sem sequer a suspeita de terem rabo preso com a Lava Jato, e de todos os setores, do Guilherme Boulos ao Ronaldo Caiado, passando pelo Jorge Vianna, o Cândido Vacarezza, o Jorge Vianna, o Cristovam Buarque, o Jarbas Vasconcelos e outros do mesmo naipe, e empresários de peso na área econômico-financeira;
3) o novo governo começa anunciando medidas como uma queda simbólica dos juros, um aumento igualmente simbólico dos orçamentos de educação e saúde, um plano de segurança pública, expansão do crédito ao consumidor, reforço do Minha Casa, Minha Vida, ampliação do Bolsa Família e outras de pouco peso final no orçamento, mas de grande apelo popular e apoio irrestrito da imprensa mafiosa, com a Globo à frente; a Lava Jato abandona a caça ao Lula e prende alguns figurões mais manjados do PT ao DEM passando por todos os partidos, e cessam as denúncias diárias na imprensa; a reforma da Previdência é posta em banho-maria, e correm rumores de que vai ser abandonada;
4) a popularidade do governo vai às nuvens, o presidente aparece vestido de general quatro estrelas na companhia de generais verdadeiros e, armado do apoio popular, apresenta um projeto de reforma política que, entre outras coisas, implanta o voto distrital, extingue a reeleição e estende o próprio mandato para cinco anos, e que é aprovado por ampla maioria, com votos até da ala podre do PT;
5) garantido no governo até 2022 e com o apoio sempre carinhoso da imprensa, faz aprovar o projeto original da reforma previdenciária com algumas concessões aos militares e aos professores e inicia um programa discreto de repressão aos movimentos populares, encarcelando os líderes mais afoitos e cooptando os mais corruptos, voltando a promover assentamentos rurais que não atrapalhem o agronegócio e fazendo uma farta distribuição de casas populares, construídas pelas mesmas construtoras de sempre, arrependidas dos seus pecados e exemplos de boa governança e transparência; instaura-se um período de “paz social”, a classe mérdia vai ao delírio, a corrupção some do noticiário e ressurge, modernizada e mais discreta, nos corredores do poder; o desemprego diminui em proporção direta à degradação dos salários, que é compensada pelo crédito fácil.
Finalmente, 6) com o sucesso do lulismo de resultados de direita assegurado, o presidente-general marca o seu triunfo com uma condecoração ao Lula e a Nação, extasiada, se esquece para sempre de votar na esquerda, e a vida “democrática” pode retornar ao seu curso.
Ficção científica? Quem viver verá.
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