21 de maio de 2026

Guerra entre EUA e Irã recoloca soberania energética no centro do debate brasileiro

Com Ormuz fechado, preços sobem e FUP defende ampliação de refino, fertilizantes e produção interna
Foto: Freepik

A guerra entre Estados Unidos e Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz acenderam o alerta sobre os impactos para a economia brasileira.

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Para o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, o cenário impõe ao Brasil a necessidade urgente de ampliar investimentos estratégicos em energia e fertilizantes.

“Mais do que em qualquer outro tempo histórico, os investimentos em exploração e produção de petróleo, bem como na expansão do parque de refino e renováveis, são estratégicos para a manutenção da soberania nacional e para mitigar os efeitos de um cenário de possível recessão global decorrente deste conflito bélico de proporção internacional”, afirmou.

A nova ofensiva militar teve início no sábado (28), quando forças dos Estados Unidos e de Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã. Segundo a organização humanitária Crescente Vermelho, que atua em países de maioria muçulmana, ao menos 555 pessoas morreram e 747 ficaram feridas. O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, foi morto durante os bombardeios.

Para a FUP, o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento global de petróleo e derivados, tende a pressionar as cotações internacionais do barril e de produtos que dependem daquele corredor marítimo, como os fertilizantes importados pelo Brasil. O efeito pode chegar rapidamente à inflação e ao custo dos alimentos.

Produção interna como resposta à crise externa

Diante desse cenário, a federação defende a ampliação imediata do parque nacional de fertilizantes. Entre os projetos considerados prioritários estão a planta de amônia e ureia verdes da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), proposta apresentada à diretoria de Transição Energética e Processos Industriais da Petrobras; o avanço das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Mato Grosso do Sul; e a conclusão da manutenção da Fafen do Paraná (Fafen-PR).

A entidade também sustenta que o país precisa acelerar investimentos em fontes renováveis, combustíveis de baixo carbono, biorrefinarias e produção de bioinsumos, incluindo alternativas como o cultivo da macroalga Kappaphycus alvarezii no litoral brasileiro.

No segmento de óleo e gás, a FUP defende ainda investimentos na Margem Equatorial, na ampliação da capacidade de refino e na recuperação de campos maduros, com foco na garantia de abastecimento interno.

Na avaliação da federação, a instabilidade geopolítica reforça a vulnerabilidade brasileira à dependência externa de insumos estratégicos e recoloca no centro do debate a necessidade de planejamento estatal para assegurar soberania energética, estabilidade de preços e segurança alimentar.

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