21 de maio de 2026

Estratégia de guerra dos EUA-Israel dificilmente gerará mudança no regime iraniano, afirma instituto internacional focado em Oriente Médio

"O poder aéreo, por si só, tem um histórico fraco quando se trata de derrubar governos", avalia pesquisador
Imagem: Pixabay

O ataque recente dos Estados Unidos-Israel ao Irã, com o assassinato da liderança máxima do regime iraniano, Ali Khamenei, resultou numa onda de retaliações por parte de Teerã aos países vizinhos aliados dos norte-americanos. Ao menos 12 países já foram arrastados para o conflito no Oriente Médio. O mundo agora se pergunta se a guerra em marcha é um evento regional ou se estamos assistindo ao início da terceira grande guerra mundial.

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Para especialistas do Instituto do Oriente Médio, fundado na década de 1940 em Washington, DC, tudo depende da disposição dos Estados Unidos em prolongar o conflito, mas ainda é cedo para saber até onde Donald Trump pretende ir com essa campanha militar, sobretudo após ter conseguido abater Khamenei no primeiro dia de ataques, abrindo a possibilidade de uma troca de regime no Irã por alguém alinhado aos interesses dos EUA na região.

Porém, analistas do Instituto do Oriente Médio – que afirma ser independente e fazer “análises e recomendações imparciais” sobre a região – também alertaram que a estratégia dos EUA-Israel, de manter ataques aéreos isolados contra o Irã enquanto durarem as retaliações, dificilmente gerarão a mudança política que eles desejam ver.

É o que avalia, por exemplo, o pesquisador sênior Alex Vatanka. Segundo ele, “sem um plano mais amplo, orientado por inteligência, para uma transição política, ataques aéreos isolados dificilmente gerarão um impulso interno sustentado contra a liderança de Ali Khamenei e da Guarda Revolucionária Islâmica [IRGC, em inglês], especialmente na ausência de uma oposição organizada pronta para agir.”

“O poder aéreo, por si só, tem um histórico fraco quando se trata de derrubar governos ou obter concessões significativas de adversários”, endossou o pesquisador Jason Campbbell.

Para o diplomata Alan Eyre, Trump obviamente falseou o argumento para atacar o Irã – de que haveria ameaça iminente de ataque nuclear. Para ele, a “verdadeira razão” para o ataque é a ambição dos EUA em “incapacitar ou mudar o regime iraniano, o que seria uma conquista improvável”. “Há mais riscos do que benefícios”, apontou Eyre.

Na visão da pesquisadora Karen Young, o Irã está transformando isso em uma “guerra regional”. “Precisaremos observar como os acontecimentos evoluem e qual será a natureza dos danos à liderança iraniana antes de prever como a escalada poderá avançar”.

Em pronunciamento, Donald Trump estimou que a campanha militar deve durar cerca de quatro semanas e prometeu vingar a morte de militares norte-americanos. “Eu faço um apelo à Guarda Revolucionária, aos militares do Irã, policiais: entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa“, afirmou.

Nesta segunda, o embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais no Brasil, afirmou “matar um líder de um país que está em exercício é condenável e inaceitável. Devemos nos preparar para o pior“.

Por parte do Irã, o chefe de Segurança Nacional Ali Larijani rechaçou qualquer possibilidade de diálogo com Washington e ameaçou atingir bases americanas nos EUA com “uma força que eles nunca experimentaram antes“.

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Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.
alvesscintiaa@gmail.com

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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    3 de março de 2026 6:53 am

    A equação militar é simples. Não é possivel derrotar um regime sem ocupar o país e mesmo que isso ocorra (algo que é muito difícil no caso do Irã) a ocupação pode acabar se tornando um custo insuportável.
    Fazer guerra convencional a milhares de quilômetros não é algo simples. A logística nesses casos é um pesadelo, os problemas políticos que isso cria internamente são imensos e incontornáveis.
    Os EUA despejou mais bombas no Vietnã do que todas as bombas utilizadas por todos países na segunda guerra mundial, perdeu o conflito e amargou uma tensão interna que mudou totalmente o país. A ocupação militar soviética do Afeganistão foi um desastre que acelerou o declínio e queda da URSS.
    Trump não atingirá os objetivos estratégicos militares que deseja no Irã. Mas por um outro lado Israel vai se tornar inabitável. A economia israelense sofrerá bastante inutilmente e o antisemitismo se tornará uma força dominante dentro dos EUA. Se esses forem os reais objetivos políticos de longo prazo do trumpismo, me parece claro que a derrota dos EUA na guerra iraniana será um sucesso. Isso porque o insucesso do sionismo e do colonialismo sionista estarão garantidos.

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