Integrantes de bancos internacionais se reúnem com promotores para colher informações sobre cartel

Do Estadão

 
Agentes de bancos internacionais que financiam obras do Metrô e da CPTM se reúnem com promotores do Ministério Público Estadual
 
Bruno Ribeiro, Fernando Gallo e Fausto Macedo – O Estado de S.Paulo

Uma delegação de integrantes do Banco Mundial (Bird), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Europeu de Investimentos se reuniu anteontem com um grupo de promotores do Ministério Público Estadual para colher informações sobre a ação do cartel de trens em contratos do Metrô e da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM). As instituições são financiadoras de obras metroferroviárias do governo em São Paulo.

As instituições analisam se recursos emprestados por elas podem estar relacionados com as suspeitas de pagamentos de propinas no setor de transportes. A comitiva se reuniu com toda a equipe da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social, braço do Ministério Público que concentra inquéritos civis sobre suposta improbidade administrativa em contratos firmados nos governos dos tucanos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.

Há duas semanas, o promotor Marcelo Milani, que integra os quadros da Promotoria do Patrimônio, recomendou o cancelamento de dez contratos do Metrô por suspeita de sobrepreço.

A equipe internacional que esteve em São Paulo representando as instituições era composta de ex-promotores e investigadores da polícia de seus países. Na comitiva havia agentes belgas, ingleses, uruguaios e colombianos dos setores de apuração de fraudes dos bancos.

Por vídeo. Na reunião, foi montada uma videoconferência, o que permitiu que uma equipe que estava em Washington, nos EUA, também pudesse acompanhar as informações passadas pelo Ministério Público paulista. A reunião contou com dois tradutores, trazidos pelos agentes das instituições.

Os bancos levaram documentos fornecidos pelos promotores sob a condição de manutenção do sigilo, e ficaram de enviar ao Ministério Público paulista uma relação com todos os contratos que financiaram.

O Banco Mundial, por exemplo, firmou, desde 2008, cinco contratos com o Metrô e a CPTM, que somam R$ 1,7 bilhão em valores nominais. Os acordos se referem às fases 1 e 2 de construção da linha 4-Amarela e à fase 2 da linha 5-Lilás do Metrô, e também a aquisição de trens e sinalização para o Metrô e a CPTM.

Embora nenhum desses contratos esteja entre os seis denunciados pela Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pela formação de cartel, há denúncia de irregularidades em alguns deles.

A Justiça de São Paulo aceitou, por exemplo, uma denúncia da Promotoria e analisa a acusação de que os resultados da licitação da segunda fase da linha 5-Lilás do Metrô eram conhecidos seis meses antes da abertura dos envelopes.

Segundo um participante da reunião de anteontem, além de acompanhar os contratos em execução que esses bancos têm com o governo paulista, a análise vai balizar a eventual concessão de novos empréstimos ao governo paulista.

O primeiro contato do Banco Mundial com a promotoria ocorreu a 13 de novembro, quando o gerente de investigações externas e vice-presidente de integridade da instituição, David Fielder, solicitou oficialmente acesso a todo o acervo relativo ao caso do cartel dos trens.

No dia 3 de dezembro, consultados sobre a investigação do Banco Mundial, o Metrô e a CPTM informaram que “colaboram com todas as investigações e têm total interesse em apurar as denúncias”.

 

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6 comentários

  1. O pior nisso tudo é que o psdb perdendo a boquinha

    em outubro 2014, o sucessor vai ter que trabalhar sem esses bancos estrangeiros…

    Por que o que foi roubado não será devolvido nunca, fora a perda de credibilidade do estado de SP como estado federado.

    • Perdendo mais do que voce

      Perdendo mais do que voce imagina, Lionel.  Agora voce vai mais uma vez ver a “lei” de delacao premiada para ricos em funcionamento.  Salvando banqueiros.

      Banqueiros nao “se reunem” pra “conversar” casual e amigavelmente com policia federal.  A evidencia tem que ser forte.

  2. Curioso aqui é a atuação da

    Curioso aqui é a atuação da GLOBO , escorada pela VEJA.

    Quem for à  Rua Riachuelo no centro velho de SP , local da sede do MP paulista , tem grandes chances de encontrar um repórter da GLOBO por lá. Cesar Tralli , por exemplo , antes de se tornar apresentadros do SPTV era figurinha carimbada na hora do almoço no restaurante ao lado do MP – o HELENA.

    O MP paulista tem as portas  escancaradas para a GLOBO. Ela – a GLOBO – consegue as informações e a entrevista que quiser com os promotores. O mesmo vale para a polícia civil e a polícia federal .

    Edir Macedo relata que quando foi preso em 1992 já havia um repórter da GLOBO lhe esperando na delegacia. A igreja Universal foi uma das instituições que mais sentiram e sofreram com os privilégios desfrutados pela GLOBO junto às instituições do estado , com atuação direcionada contra alvos selecionados por ela-  a GLOBO –  .  O PT e o mensalão se encontram na mesma situação.

    Podendo fazer entrevistas exclusivas com os promotores sobre o caso das propinas do metrô , a GLOBO não mostrou interesse. Poderia ainda fazer entrevista exclusiva com membros dessa delegação que representa os bancos internacionais . Ao contrário , nem mesmo notícia foi no Jornal Nacional isso foi .  

    Se a GLOBO quisesse poderia ter feito uma entrevista exclusiva com o piloto do helicóptero da família Perrela , cujo helicoptero foi flagrado com 450kg de cocaína.  Tentáculos na Polícia Federal para conseguir isso , ela tem . Mas o caso mereceu apenas pequenas menções no jornal nacional durante 3 dias. Nem mesmo  importunado com uma entrevista exclusiva feita por Sonia Bridi e exibida no Fantástico , nos moldes daquela na qual tentou constranger o ex presidente Collor , o patriarca da família senador Zezé Perrella foi.

    Muito menos a VEJA se animou a fazer uma capa bombastica com esse caso da apreensão de cocaina no helicoptero dos Perrella , a exemplo do que fez quando a mesma policia federal apreendeu o dinheiro na empresa LUNUS de Roseana Sarney em 2002 . Que tal : ELES PENSAVAM QUE O BRASIL FOSSE MINAS , ou NINHO DE TUCANOS.

  3. Se apurarem apenas 2,5 % das

    Se apurarem apenas 2,5 % das farudes já é o suficiente derrubar qualquer tucano do galho, mas…mas

    o desisnteresse da “globo e da Veja não é por questões partidaria/ideológica seletiva, eles estão

    com o rabo preso até o pescoço, quem morrer naõ vera!

    • Ai, ai, eu não quero morrer,

      Ai, ai, eu não quero morrer, não. Quero ver o fim desses cheirosos que só apontam o dedo p/ o  Mensalão do PT, pq não há outro escândalo, némemo?

  4. …  ha atividades q estao

    …  ha atividades q estao centralizadas nas maos de pouquissimas empresas. dai a grande possibilidade de combinaçao de preço.  mantidas as devidas proporçoes eh o q ocorre com a excessiva centralizaçao bancaria no Brasil.  parece nao ter nada a ver, mas fica a sensaçao q de alguma forma encurralam o banco central para fazer o pede seus interesses.  sabia-se do presidente Meireles, q se reunia com os grandes banqueiros para definir o rumo da selic. incrivel nao eh !

    agora, quanto aos bancos internacionais ficarem preocupados nao parece ser o caso, pois um contrato assinado tem de ser cumprido ate debaixo d’agua.

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