10 de junho de 2026

Irã desafia hegemonia americana e redefine geopolítica global, afirma Pedro Costa Jr no canal TV GGN; assista

Controle iraniano em Ormuz eleva o barril de petróleo e acelera a desdolarização, minando a aprovação do governo Trump
O cientista político e analista Pedro Costa Jr, apresentador do programa O Mundo É um Moinho, da TV GGN, no Youtube
O cientista político e analista Pedro Costa Jr, apresentador do programa O Mundo É um Moinho, da TV GGN, no Youtube

Em uma análise contundente para o programa TV GGN 20 Horas, no Youtube, o doutor em Ciência Política e analista de Relações Internacionais, Pedro Costa Jr., professor da USP e apresentador dos programas Observatório de Geopolítica e O Mundo É Um Moinho, do canal TV GGN, destacou que os Estados Unidos sob Donald Trump perderam força no cenário geopolítico atual. Ele enfatizou que o controle iraniano do Estreito de Ormuz, a imposição de taxas de passagem e a crescente desdolarização do comércio de petróleo são fatores cruciais que impactam diretamente a economia americana e a popularidade do governo Trump. Costa Jr. também ressaltou a capacidade militar do Irã, com um vasto arsenal de mísseis e drones, e a formação de alianças estratégicas com a Rússia e a China, que desafiam a influência ocidental.

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Durante a entrevista com Luís Nassif, Pedro Costa Jr. detalhou a complexidade do Estreito de Ormuz, uma passagem de apenas 36 a 37 km de extensão, minada e controlada pelo Irã. Ele explicou que a passagem de petroleiros sem a anuência iraniana é praticamente inviável, dada a presença de minas aquáticas, algumas delas móveis e controladas pelo Irã. As seguradoras, segundo o especialista, não estão mais dispostas a cobrir a passagem, ou aumentaram drasticamente os custos, o que tem provocado engarrafamentos e acidentes, elevando ainda mais os preços.

Costa Jr. afirmou que essa situação se volta contra os Estados Unidos e o governo Trump como um bumerangue. Ele lembrou que o Irã impôs uma taxa de 2 milhões de dólares por embarcação que passa pelo estreito, com exceção dos aliados estratégicos como Rússia e China, que não pagam. O especialista destacou a parceria estratégica militar e tecnológica firmada entre Irã e Rússia no ano passado, e a dependência da China do petróleo iraniano, que representa cerca de 20% de suas importações, pago em moeda chinesa. Essa prática, segundo ele, contribui para a queda do petrodólar e o aumento da expressão do petroyuan.

O analista explicou que países do “ocidente coletivo”, como Coreia do Sul e Japão, estão bloqueados e não conseguem passar pelo estreito. Ele citou o caso das Filipinas, que, após pressão, foram autorizadas a passar, mas pagando a taxa equivalente a 2 milhões de dólares. Costa Jr. ressaltou que o pagamento pode ser feito em petroyuan, ouro (que o Irã negocia na bolsa de Xangai, assim como a Rússia) ou criptomoeda específica, sempre fora do dólar. Ele comparou a situação atual com o Canal de Suez em 1956, prevendo que o Irã continuará a cobrar pedágio.

Pedro Costa Jr. enfatizou que o mundo “nunca mais será o mesmo” após essa guerra, citando a frase de Mearsheimer. Ele previu que o preço do barril de petróleo dificilmente cairá abaixo de 100 dólares, o que afeta diretamente a economia americana. O especialista argumentou que a inflação, que Trump prometeu controlar, está em alta devido às suas políticas comerciais e à guerra no Irã, resultando na queda de sua aprovação. Ele mencionou que pesquisas recentes indicam que os democratas ganhariam as eleições de meio-mandato na Câmara dos Deputados com cerca de 80% dos votos.

O especialista também abordou a capacidade militar do Irã, que, segundo ele, possui 15.000 mísseis e 40.000 drones estocados, além do que recebe de Rússia e China. Ele destacou que o Irã conseguiu atingir 80% das bases militares americanas no Oriente Médio, incluindo Omã, Kuwait e Emirados Árabes, o que era inesperado antes da guerra. Costa Jr. contrastou a visão ocidental do Irã como um “bando de fanáticos” com a realidade de que 60% dos estudantes universitários no país são mulheres, e que a civilização iraniana possui cerca de 2.500 anos de história. Ele criticou a falta de experiência da equipe de negociação americana, liderada pelo genro de Trump, em comparação com os quatro PhDs iranianos do conselho de negociações.

A entrevista foi transmitida ao vivo no Youtube na noite de quarta-feira (15). Assista abaixo a partir do minuto 39:45:

Redação

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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