A Assembleia de Especialistas do Irã oficializou, neste domingo (8), a ascensão de Mojtaba Khamenei ao posto de líder supremo do país. O anúncio ocorre dez dias após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, em decorrência de bombardeios ocorridos no fim de fevereiro. A sucessão hereditária, embora comum em monarquias, é um movimento atípico e controverso dentro da estrutura da República Islâmica, que nasceu em 1979 justamente para derrubar o regime dinástico do Xá.
Segundo um membro da Assembleia, a escolha seguiu uma orientação deixada pelo antecessor: a de que o sucessor deveria ser alguém “odiado pelo inimigo“. A decisão sinaliza uma aposta do establishment clerical e militar na continuidade da linha-dura e no confronto ideológico com o Ocidente.
A reação de Washington
A nomeação de Mojtaba já enfrenta forte resistência externa. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a escolha como um entrave para qualquer tentativa de estabilização regional. Em uma declaração, o republicano indicou que Washington não reconhecerá a legitimidade do novo comando caso não haja uma mudança de postura em Teerã.
“O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã. Eles estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso morto”, afirmou Trump.
O presidente americano foi além, sugerindo que a sobrevivência política do novo líder depende de um aval externo que, no momento, parece distante: “Não vai durar muito” se o regime não obtiver aprovação americana, completou.
O poder dos bastidores
Apesar de ser um clérigo de nível intermediário, Mojtaba Khamenei, de 56 anos, é há décadas uma das figuras mais influentes da política iraniana. Criado nos centros de poder de Mashhad e Teerã, ele construiu sua autoridade no gabinete do pai, coordenando operações de inteligência e mantendo laços estreitos com a Guarda Revolucionária (IRGC), a elite militar que sustenta o regime.
Diferente de figuras políticas tradicionais, Mojtaba é recluso. Sua atuação sempre foi pautada pela discrição e pelo controle das engrenagens de segurança. Críticos e opositores o associam diretamente à repressão de levantes populares, como o Movimento Verde de 2009, quando milícias paramilitares foram utilizadas para conter protestos contra fraudes eleitorais.
Desafios e sucessão hereditária
A ascensão de um filho ao cargo de líder supremo gera desconforto em setores da corrente xiita e entre os defensores dos ideais originais da Revolução de 1979. A resistência à transmissão hereditária de poder é um pilar retórico do regime, o que pode fragilizar a coesão interna em um momento de vulnerabilidade.
Além do peso político, Mojtaba assume o posto em meio ao luto pessoal; segundo a imprensa local, ele perdeu a mãe, a esposa e um filho pequeno nos mesmos ataques que vitimaram o pai.
Como líder supremo, ele detém agora o controle total das Forças Armadas, do Judiciário e da política externa, deixando ao presidente Masoud Pezeshkian apenas a gestão administrativa.
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