Itaipu: Ex-chanceler paraguaio muda versão sobre empresa ligada aos Bolsonaro

Ex-ministro das Relações Exteriores do Paraguai havia admitido ao Ministério Público, na semana passada, que existia "negociação paralela" para beneficiar a Leros na compra de energia de Itaipu

Jornal GGN – O ex-ministro das Relações Exteriores do Paraguai Luis Castiglioni mudou o depoimento que prestou ao Ministério Público na semana passada sobre a Leros.

Supostamente ligada à família Bolsonaro, a empresa brasileira Leros seria a principal beneficiada pelas mudanças realizadas no acordo de Itaipu, que acabou cancelado depois de gerar uma crise política internacional, que pode custar o mandato do presidente Mario Abdo Benítez.

Segundo o jornal ABC Color, no dia 14 de agosto, Castiglioni admitiu ao Ministério Público paraguaio que havia uma “negociação paralela” para a Leros comprar energia excedente de Itaipu e redistribuir no mercado brasileiro, com exclusividade.

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Mas na segunda-feira (19), durante depoimento à comissão bilateral que investiga o acordo de Itaipu no Congresso, o ex-chanceler negou que tenha tomado conhecimento de negociações paralelas envolvendo a Leros.

A empresa foi vendida por lobistas brasileiros como ligada à família Bolsonaro, possivelmente uma forma de motivar as autoridades paraguaias a admitir mudanças no acordo de Itaipu avaliadas como prejudiciais àquele País.

Castiglioni também negou, durante o depoimento a congressistas, que tenha sido pressionado pelo vice-presidente Hugo Velazques ou seu “consultor jurídico” Joselo Rodríguez, para retirar o chamado “ponto 6” do acordo de Itaipu.

O jornal paraguaio consultou parlamentares sobre o depoimento de Castiglioni, e dois deles disseram que não foi convincente e que alguém está mentindo.

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O ponto 6 era um artigo do tratado de Itaipu que permitia à Ande, a estatal paraguaia equivalente à Eletrobras, a vender a energia excedente produzida na usina ao mercado brasileiro. (Veja aqui um resumo dos 7 pontos que foram excluídos do tratado.)

Lobistas e empresários brasileiros, entre eles Alexandrino Giordano – suplente do senador Major Olímpico, do PSL de São Paulo – negociaram com agentes do governo paraguaio, incluindo o assessor jurídico do vice-presidente, a retirada do ponto 6.

Na imprensa brasileira, a questão da Leros vem sendo marginalizada pelos grandes meios de comunicação, mas a mídia paraguaia já divulgou provas de que a empresa brasileira fez uma oferta à Ande pela energia, que seria redistribuída diretamente no mercado brasileiro, sem passar pela Eletrobras.

O papel de Jair Bolsonaro, segundo o jornal ABC Color, seria o de autorizar a operação da Leros, mesmo à revelia dos interesses da Eletrobras ou de outras companhias de energia mais habilitadas para o negócio.

À comissão bilateral, o ex-chanceler paraguaio também afirmou que não participou das reuniões sobre o acordo de Itaipu, tendo delegado a função para o embaixador Hugo Saguier Caballero.

Castiglioni não conseguiu dar explicações convincentes sobre o porquê de não ter alterado o acordo quando tomou conhecimento dos pontos que prejudicam o Paraguai, ou sobre o fato de que técnicos da Ande foram expulsos dos encontros com brasileiros que discutiram o tratado.

De acordo com o ABC Color, nesta terça (20) os congressistas vão ouvir o ex-presidente da Ande, Pedro Ferreira, que deixou o cargo depois que o escândalo veio à tona, alegando que foi obrigado a assinar o acordo de Itaipu mesmo discordando dos termos.

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O jornal também informa que o presidente Abdo está perto de conseguir um acordo com lideranças partidárias para enterrar o pedido de impeachment apresentado pela oposição.

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1 comentário

  1. Pizza paraguaia. O Bozo é amicíssimo do “Marito”. Ou seria, o Marito é amicíssimo do Bozo?
    O MP do Paraguay é do paraguai. hehehehe… “La garantia soy yo!”

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