Pacheco está se descolando de Bolsonaro e deve abrir CPI, diz Ivan Valente. Assista na TVGGN

Parlamentar diz ao GGN que Rodrigo Pacheco está "se descolando de Bolsonaro" e deverá atender ao pedido de CPI

Deputado federal Ivan Valente (PSOL). Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados
Deputado federal Ivan Valente (PSOL). Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

Em entrevista ao programa TVGGN 20 Horas, o deputado federal Ivan Valente (PSOL) condenou o esquema dos pastores no MEC e classificou o episódio como “caso de corrupção explícita”. Para ele, uma CPI para investigar o caso é “oportuna”.

“Envolve um ex-Ministro de Estado, toda a corja de pastores charlatães e o próprio Bolsonaro. Esse pastor Gilmar é o orientador espiritual da família do Presidente”, afirmou o deputado.

Para Valente, a suposta interferência de Bolsonaro nas investigações só aumenta a gravidade do caso.

“Nas gravações da Polícia Federal, Bolsonaro teve um ‘pressentimento’, lá dos Estados Unidos, do lado do Ministro da Justiça”, disse.

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Ele se referiu a uma ligação telefônica entre Ribeiro e a filha, em que o então Ministro da Educação disse que o Presidente o alertou sobre um “pressentimento” de que haveria buscas e apreensão da PF contra o chefe da pasta.

A chamada ocorreu quando Bolsonaro estava nos Estados Unidos para participar da Cúpula das Américas, em viagem acompanhado do Ministro da Justiça, Anderson Torres. Para a PF, isso pode ter atrapalhado as investigações.

“Esse é um governo corrupto e o Presidente é o chefe da corrupção”, declarou Ivan Valente.

CPI DO MEC

Na visão de Ivan Valente, apesar de “necessária e oportuna”, a CPI do MEC dificilmente seria instalada na Câmara dos Deputados, enquanto no Senado ela seria viável.

“A CPI que eu propus, do Tratoraço, consegui apenas 78 assinaturas. Ou seja, nem a oposição assinou. Essa aí (do MEC), lá no Senado, está mais fácil, assim como saiu a (CPI) da Covid. Até agora, eles têm 28 assinaturas e acho que terão mais duas, apesar de que eles (governo) vão tentar cooptar (os Senadores)”.

A instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito dependeria do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD). Valente acredita que Pacheco pode sim dar início às investigações.

“Ele está descolando do Planalto. Em todas as barbáries do bolsonarismo, elas são silenciadas ou endossadas pelo Arthur Lira, mas não necessariamente pelo Pacheco. Ele tem sempre um tom de seguir certas regras civilizadas, democráticas. Nesse momento, o Pacheco está em melhor posição de aceitar a CPI”, analisou o deputado.

Entenda o esquema no MEC

Em março, o jornal Estadão revelou denúncias de diversos prefeitos espalhados pelo Brasil. De acordo com eles, pastores evangélicos ligados a Milton Ribeiro pediam subornos para liberar recursos do FNDE, um fundo de investimento exclusivo à educação básica do Governo Federal.

Em três meses de investigação, a Polícia Federal decidiu prender preventivamente o ex-Ministro e os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, no dia 23 deste mês. Na manhã seguinte, eles foram soltos.

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