5 de junho de 2026

Jô Soares tenta convencer inglês de que Brasil é campeão da corrupção

Jô Soares tenta convencer inglês de que Brasil é campeão da corrupção
O professor Galileu estava de madrugada na janela de seu apartamento, com um olho nas estrelas e outro na televisão, quando Jô Soares chamou para a entrevista o embaixador do Reino Unido no Brasil, Alex Ellis. Logo de saída o Embaixador se debulhou nos mais rasgados elogios ao Brasil, “o melhor posto do mundo para um diplomata”, enquanto Jô atravessava a conversa para dizer que somos os campeões da corrupção mundial.

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– É um país maravilhoso, insistia o Embaixador, com sua imensa diversidade étnica, seu clima, suas lindas mulheres.

– Mas é o campeão da corrupção, insistia Jô.

– Claro que é também um país complexo, voltava o inglês. Aliás, o embaixador brasileiro em Londres me dizia que o Brasil não é um país para principiantes.

– Certamente, fulminou Jô. Nossa corrupção não é para principiantes.

Irritado, Galileu acordou Simplício e Angeline que cochilavam no sofá da sala:

– Vejam vocês como o brasileiro se deprecia. O inglês está doido para falar bem do Brasil e o entrevistador não deixa. Quer nos esculhambar. É coisa de colonizado.

– Desculpe, professor, temos muita corrupção sim!

– Não reflita a ignorância do Jô Soares, Angeline. Medida em dólares, temos uma das menores taxas de corrupção do planeta. Na China são bilhões, e dá pena de morte. Aqui, com exceção de alguns poucos casos mais notórios, o que mais temos é ladrão de galinha. O problema é que, diferente do resto do mundo, ladrão de galinha aqui dá capa de Veja e matéria de página inteira na Folha de S. Paulo para nos desmoralizar.

– Mas o Jô não é um idiota, ele sabe o que está falando, ponderou Simplício.

– É um idiota sim, sustentou Galileu. Se soubesse das coisas, reconheceria que nos Estados Unidos e na Europa a corrupção pulula numa escala gigantesca, muitíssimo maior que no Brasil. Vou citar apenas uns casos de memória ocorridos depois de 2008:

* os maiores e mais “sérios” bancos londrinos fraudaram a Libor, a taxa de juros que regula as transações financeiras trilionárias do planeta; o prejuízo ainda está sendo calculado, mas pode chegar a dezenas de bilhões de dólares;

* o Bankamerica fraudou contratos de hipotecas, levando uma multa de 20 bilhões de dólares que aceitou sem piar para evitar processo criminal;

* da mesma maneira, o Citigroup fraudou contratos similares e levou multa dos mesmos 20 bilhões de dólares, evitando, claro, o processo criminal;

* o Deutchbank, maior banco do mundo em transações cambiais, está sendo investigado por fraude no mercado de câmbio;

* o UBS, quinto maior, também está sendo investigado pelo mesmo motivo;

. o Goldman Sachs levou centenas de milhões de dólares para fraudar a contabilidade grega e facilitar o ingresso da Grécia na zona do euro; praticamente ninguém mais fala nisso, embora se fale muito que o país deve ser castigado com depressão devido a suas más políticas;

* a Enron, amiguinha dos Bush, deu um calote gigantesco nos Estados Unidos.

Nenhum caso de corrupção brasileira, desde que o Assis inaugurou o jornalismo investigativo no Brasil nos anos 80, chega aos pés de qualquer um dos citados, ponderou Galileu. Somando tudo não dá um Bankamerica. Portanto, tenham pudor. Falar que o Brasil é o campeão da corrupção só serve para esculhambar a nossa autoestima. 

– E o mensalão?, provocou Angeline.

– O mensalão é uma fraude judiciária. Tem pouco dinheiro envolvido e nenhum público. Mas disso já falei demais.

Simplício puxou da agenda vermelha e escreveu: A maior corrupção é a da palavra proferida com leviandade.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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