Jornal GGN – Centenas de milhares de adolescentes e crianças em todo o mundo entraram em greve contra a escalada da crise climática. Estudantes de 1.800 cidades em mais de 110 países, da Índia à Austrália, do Reino Unido à África do Sul, participam dos protestos. A informação é do jornal The Guardian.

A greve é inspirada em Greta Thunberg, uma adolescente que se tornou referência global após protestar do lado de fora do parlamento sueco, em 2018.

Segundo o portal, os jovens demandam que a classe política tome “medidas urgentes para evitar um colapso ecológico catastrófico”.

Em Londres, milhares se reuniram na Praça do Parlamento cantando, entre outras coias: “É assim que a democracia é.”

Uma jovem de 14 anos disse ao Guardian que participa dos atos porque “não faz sentido ter uma educação se não houver futuro.” Ela também afirmou que é “frustrante” que “as únicas pessoas que realmente se importam com isso são aquelas que não podem votar.”

Há registro de presença em massa em Glasgow, Cambridge, Leeds, Bristol, Manchester e Cardiff. “Globalmente, os organizadores disseram que centenas de protestos também ocorreram nos EUA.”

Os atos, lembrou o Guardian, “acontecem em meio a evidências crescentes da escala da crise climática. No ano passado, os principais cientistas da ONU alertaram que havia apenas 12 anos para limitar a catástrofe climática. No início deste mês, outro relatório da ONU alertou que o colapso generalizado dos ecossistemas estava colocando a própria humanidade em risco. E na semana passada, surgiu que o gelo da Antártida está derretendo muito mais rápido do que se temia anteriormente e as emissões atmosféricas globais de CO2 atingiram um nível recorde.”

“O movimento grevista escolar começou em agosto passado quando Thunberg, então com 15 anos, realizou seu protesto solo em Estocolmo. Desde então, tornou-se um dos movimentos climáticos mais significativos da história”, acrescentou o portal.

Na sexta, Thunberg liderou jovens grevistas em todo o mundo, convocando adultos a participar de manifestações organizadas para 20 de setembro.

Em artigo no Guardian, eles escreveram: “Hoje, muitos dos nossos pais estão ocupados discutindo se nossas notas são boas, ou uma nova dieta, ou o final de Game of Thrones, enquanto o planeta queima. Mas para mudar tudo, precisamos de todos. É hora de todos nós desencadearmos resistência em massa.”

Organizadores dos movimentos disseram que o número de jovens participantes superaria os 1,4 milhão de pessoas, superando o levante de março passado.

Com informações do The Guardian

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2 comentários

  1. Em contexto: greves climáticas lideradas por estudantes tem sido frequentes. O evento de ontem marca a segunda organização em larga escala, com estimativas superiores a 1 milhão de participantes em diversas cidades da Europa e dos EUA (algumas no Brasil).
    Elas ocorrem como parte do que tende a se tornar o maior movimento da sociedade civil nas últimas décadas, e que se compõe também de outros grupos e iniciativas. Como, por exemplo, o Extinction Rebellion (que assim como a greve climática, está se tornando global). Parte da mídia do Reino Unido já mostra os efeitos desse movimento. A BBC vem fortalecendo a cobertura do tema em sua programação. O próprio Guardian soltou recentemente uma recomendação a seus jornalistas – entre elas, o uso da expressão ‘emergência climática’.
    E infelizmente o novo governo, como em diversas outras áreas, representa um enorme retrocesso ao país, disseminando o negacionismo (https://cienciaeclima.com.br/nao-ha-debate-sobre-o-aquecimento-global/). Quem sabe o tema irá ganhar maior cobertura da mídia digital e tradicional no país no futuro? Quem sabe, em 500 anos?

  2. Sobre o comentário de “Ciência e Clima” – primeiro, [email protected] à trincheira, a imprensa brasileira precisa de cobrança de leitorxs para caminhar – se não fosse a debacle da Folha de SP pela revolta de leitorxs o panfleto não teria que se renovar para sobreviver (li uma reportagem sobre uma nova editoria de Diversidade, muito interessante se for levada a sério; mas sobre Ecologia e as ameaças mais urgentes (mudança climática, extinção de espécies e urgência de mudança da estrutura produtiva e de consumo que as provocam) parece que ainda é coisa de “bicho-grilo” no sentido pejorativo, ninguém gasta mais de 5 minutos com isso – se eu fosse jornalista, já teria criado um canal, mas me falta qualificação, tempo e dinheiro, rs, ou seja, tudo).

    Concordo quase integralmente: sobre a BBC e o The Guardian, as iniciativas são louváveis mas são também parte da tentativa de recuperar audiência entre os mais jovens, em momento em que o jornalismo perde espaço para as mídias digitais. No Brasil não podemos esperar nada da imprensa nem da sociedade civil, eu pessoalmente já desisti. Cabe a quem tem interesse e preocupação com o tema fazer o trabalho de formiguinha, falando do assunto com as pessoas sempre que o contexto permita – eu insisto apesar não apenas da ignorância mas da reação assustada de quem já perdeu a habilidade de pensar, ver e sentir por si [email protected], e que está entre aqueles que “acham que sabem”, os mais escolarizados – com as pessoas mais pobres e com ligação com a Natureza por sua vida nos interiores ou com família ligada ao trabalho na terra, o nível de informação, interesse e engajamento é muito animador, porque significa que existe o potencial para agir quando a consciência já existente dessas pessoas for mobilizada por campanhas massivas de comunicação e ação política – assim como a urgente reforma do Sistema Financeiro, experimente levantar o assunto e verá como as pessoas estão preparadas para enfrentar o monstro, mas ninguém ousa, por que? Temos que reconhecer que as questões da ecologia e da emergência da mudança climática são ignoradas porque as pessoas sabem que terão que mudar radicalmente de vida e não estão interessadas sequer em pensar no assunto, e vão empurrando pra debaixo do tapete, esperando que [email protected] façam o trabalho pesado de entregar um novo mundo pronto para ser trocado por este, até que seja tarde demais.
    Muita gente quer mudar, diminuir o uso de embalagem de plástico, comer comida de verdade, voltar a ter jardim em casa e na vizinhança, mas não pode ou não consegue porque as alternativas não estão ao seu alcance, por inúmeros motivos (sei porque abordo as pessoas sobre isso, rs). Este pode ser um dos caminhos, pensar em alternativas para oferecer para quem usa como pretexto, ou como alegação justa, que não tem como mudar por falta de oportunidades práticas ao seu dispor, principalmente porque as que existem são inacessíveis economicamente, o que é outro motivo para investir em popularização do tema para que o acesso seja facilitado e mais alternativas sejam inventadas. Quem muda seus hábitos terá mais facilidade para exigir de empresas e do resto da sociedade que faça o mesmo, então divulgar as alternativas que já existem é um dos atalhos para acordar as pessoas deitadas em sono profundo por hipnose num berço não tão esplêndido. Não dá para escolher agir no micro ou no macro, no local ou no global, isoladamente. É tudo ao mesmo tempo agora, enquanto há tempo. Vamos contagiar as pessoas para este tema que deve despertar em todo mundo o amor que é único motor da criação benéfica para a Vida no planeta – já vimos o que o ódio tem a oferecer, e as pessoas já estão cansadas dele, mas sem alternativas de amor e de um outro mundo possível, mudar pra quê?

    Segue uma playlist que fiz no inicio do ano, agora disponível no canal de streaming.
    https://www.youtube.com/watch?v=ejorQVy3m8E&list=PL68orHC9Rk3r3FvXi4GbPH0a9-D6NdhUA

    Sampa/SP, 25/05/2019 – 20:28

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