Laboratório indiano só deve enviar vacinas ao Brasil em duas semanas, diz CEO

Adar Poonawlla, que dirige o Serum Institute, garantiu que prioridade é vacinar seu país, mas afirmou estoque de imunizantes é amplo

Avião que será enviado à Índia foi adesivado com campanha do governo federal. | Foto: Tony Winston/MS

do Poder 360

por Murilo Fagundes

O diretor-executivo do laboratório indiano Serum Institute, Adar Poonawalla, disse nessa 6ª feira (15.jan.2021) que a Índia só deve enviar ao Brasil as doses da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford daqui a duas semanas. A informação foi divulgada pelo jornal The Times Of India.

Na entrevista, Poonawalla afirmou que a prioridade do laboratório sempre foi a vacinação da população local. “Nossa primeira prioridade sempre foi nosso próprio país. Assim que cuidarmos disso, podemos começar a exportar as doses da vacina para outros países a todo vapor”, disse.

O governo brasileiro ainda não apresentou esse prazo. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores se furtou a dizer que o recebimento das vacinas, produzidas pelo laboratório indiano, vai demorar mais que o esperado. Isso porque o governo indiano alega “problemas logísticos” para atender à demanda do Brasil ao mesmo tempo em que inicia a campanha nacional de vacinação, agendada para sábado (16.jan).

Temos um estoque amplo. A exportação não vai atrapalhar o programa de vacinação da Índia de forma alguma”, declarou o CEO.

O The Times Of India diz ainda, atribuindo a informação a uma fonte a par do processo, que o governo brasileiro também tem interesse em doses de vacinas da Bharat Biotech. Segundo o jornal, o Serum Institute aumentou sua produção para algo entre 50 e 70 milhões de doses por mês desde o início de 2021.

CORONAVAC

Com a demora na liberação do lote de vacinas do Serum Institute, a chinesa CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan, ganha força para ser a 1ª aplicada na população brasileira.

Nesse cenário, o Ministério da Saúde voltou a solicitar ao governo do Estado de São Paulo a entrega imediata de 6 milhões de doses do imunizante. Em um segundo ofício, enviado na 6ª feira (15.jan), a pasta declarou que o governo de João Doria (PSDB) não pode separar a quantidade destinada ao Estado do plano nacional de imunização contra a covid-19.

O ministro Eduardo Pazuello (Saúde) anunciou na última 5ª feira (14.jan) o “Dia D” e a “Hora H” da vacinação contra a covid-19 no Brasil. A largada para a imunização será em 20 de janeiro, a partir das 10h, em todo o território nacional.

Para isso, entretanto, é preciso que haja um imunizante.

Anvisa terá reunião neste domingo (17.jan) para analisar os pedidos de uso emergencial das vacinas da AstraZeneca/Oxford e da Sinovac. Sem as doses vindas da Índias, o governo precisa da CoronaVac para manter a data de início da vacinação.

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