O presidente Lula fez um discurso reflexivo em sua passagem pela reunião da ONU sobre a defesa da democracia, nesta quarta-feira (24). O brasileiro apresentou o diagnóstico de que, ao chegar ao poder, a esquerda parou de organizar a sociedade civil para a luta política.
“Era a sociedade civil organizada que fazia com que a democracia pudesse vencer. Eu me pergunto: o que nós fizemos pela democracia hoje? Com quem falamos sobre democracia hoje? A verdade é que nós não falamos. Se nós não falamos, nós não organizamos. E se nós não organizamos, a democracia perdeu”, disse Lula.
O presidente começou o discurso lembrando que, em sua juventude, não tinha um olhar interessado para a política. Mas tudo mudou quando ele entendeu que, durante o regime militar, os trabalhadores precisavam se organizar para conquistar e reafirmar direitos, incluindo ocupar cargos públicos para fazer as leis necessárias para o avanço da categoria.
“Eu descobri que era necessário fazer política sem ler nenhuma palavra sobre leninismo, marxismo, maoísmo. Eu não tenho a tradição e a cultura de ser um militante de esquerda tradicional. Eu era simplesmente um metalúrgico com 23 anos de idade que gostava muito de futebol. Jamais imaginei ir para a política”, disse Lula.
Levando o debate para a atualidade, Lula questionou, inúmeras vezes, onde os democratas erraram para que a extrema-direita e a ideologia neofascista ganhassem espaço nos últimos anos em diversos países. Lula deu a democracia como algo que nunca está garantido, que tem que ser cultivado permanentemente, e indagou as falhas que ocorreram para que a democracia tenha ficado tão frágil.
“Precisamos acordar todo dia e perguntar o que que a gente vai fazer pela democracia. Quando for dormir à noite, encoste a cabeça no travesseiro e se pergunte o que você fez durante o dia para fortalecer a democracia. Com quantas pessoas você falou de democracia. Com quantas pessoas você falou da necessidade de organização popular?”
Trabalho de base
Lula lembrou que, no passado, o PT tinha um trabalho de base que funcionava como o alimento para a organização social. “Porque meu partido, quando foi criado, a gente tinha núcleo de categoria, núcleo por bairro, núcleo por vila, núcleo por local de trabalho e local de estudo. Ou seja, era a sociedade civil organizada que fazia com que a democracia pudesse vencer. Eu me pergunto: o que nós fizemos pela democracia hoje?”
“A verdade é que nós não falamos. Se nós não falamos, nós não organizamos. E se nós não organizamos, a democracia perdeu. O que importa hoje é a gente responder, para nós mesmos, onde é que os democratas erraram? Onde e em que momento a esquerda errou? Por que que nós permitimos que a extrema-direita crescesse com a força que está crescendo? É virtude deles ou incompetência nossa? Vamos responder a nós mesmos o que deixamos de fazer para fortalecer a democracia. Onde erramos?”, perguntou Lula.
Autocrítica
Fazendo uma espécie de mea culpa, Lula colocou em debate até mesmo as ações que tomou enquanto presidente da República para fortalecer a organização popular e social.
“Porque muitas vezes a gente ganha as eleições com discurso de esquerda e quando a gente começa a governar, a gente atende muito mais os interesses dos nossos inimigos do que dos amigos. Muitas vezes, a gente governa dando resposta ao que a imprensa publica sobre nós, à cobrança do mercado, à necessidade de contentar adversários, e muitas vezes, nossos eleitores que foram pra rua, que apanharam, que foram achincalhados, são considerados, por nós, sectários e radicais”, disparou
Ao finalizar o discurso, Lula asseverou: “Eu penso que, antes da gente procurar a virtude do extremismo de direita, temos que procurar os erros que a democracia cometeu na relação com a sociedade civil. Como é que estamos exercendo a democracia nos nossos países? Se a gente encontrar essa resposta, a gente volta a vencer a direita. Se não encontramos, seremos sufocados pelo negacionismo, extremismo e pelo discurso fascista que estamos vendo agora.”
Assista à íntegra do discurso abaixo:
Paulo Dantas
24 de setembro de 2025 12:48 pmFez a pergunta certa.
Creio eu, sem maiores estudos acadêmicos, que o povo cansou da bulls#1t dos liberais.
Não que a extrema-direita tenha soluções mas as pessoam ao menos pensam que o ‘papo é teto”.
Lula parece ser o único sóbrio neste mar de papo-furado.
Rui Ribeiro
24 de setembro de 2025 1:27 pm“O crescimento da direita na América Latina, por Aldo Fornazieri
Se o Brasil cair nas eleições de 2026, a região se transformará no maior triunfo da direita e extrema-direita desde as ditaduras militares”
https://jornalggn.com.br/opiniao/o-crescimento-da-direita-na-america-latina-por-aldo-fornazieri/
Rui Ribeiro
2 de setembro de 2025 às 6:26 am
É um mérito da direita ou incompetência da esquerda?
Nassiff, dê um jeito de avisar ao Trump que não promova carnificina dos Venezuelanos nem destrua a infraestrutura do país, sob pena de ser abatido do seu trono pelo Altíssimo
Lênin & The Ullianovs
24 de setembro de 2025 4:31 pmQue cinismo.
Uai, os “democratas” primeiro erram ao acreditar que o “mercado representativo capitalista”, que eles chamam de “democracia” será capaz de dar conta das contradições e desigualdades.
Ato contínuo, por acharem que “há democracia”, eles imaginam que os remédios “democráticos” darão conta dessas assimetrias, justamente o que acirra os conflitos e frustrações com o “sistema democrático” e dá espaço para soluções autoritárias, que surgem quando as tensões estão de tal modo, que o modelo poderia colapsar.
Aí, os “democratas” se juntam com quem deixou os autoritários à solta, e dizem que é preciso “frente ampla”, e começa tudo de novo.
Cansativo, né? Pois é, é mesmo…
Ao invés de investirem em tornar a agenda política mais aguda, esses imbecis entregam a agenda antissistema para a extrema-direita, depois ficam choramingando.
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
25 de setembro de 2025 7:32 amA sociedade humana como um organismo vivo, ao entrar em decomposição gera elementos patógenos que aceleram o processo de sua destruição. O Processo fede, mas infelizmente é como aconteçe.