Luto em Luta.

A postagem que fiz aqui anteriormente, sobre violência no trânsito, ganhou destaque no Luis Nassif On-line e de lá vieram ótimas contribuições sobre o tema, que transportei para essa minha postagem anterior, com o objetivo de montar um arquivo com material educativo sobre o tema.

Duas contribuições que estão lá, destaco aqui. A primeira, de um leitor que se identificou como Fabio e mandou o seguinte recado:

“Quem quiser assinar uma petição para mudar a lei e punir os motoristas embriagados é só entrar no site www.naofoiacidente.org iniciativa de um filho que perdeu a mãe e irmã em um atropelamento na marginal “.

A segunda foi enviada por lmstefanini, trata-se do documentário que empresta o título desta postagem, Luto em Luta, dirigido por Pedro Serrano, um dos fundadores do movimento “Viva Vitão”, surgido após acidente que matou o amigo Vitor Gurman, aos 24 anos, atropelado na capital paulista. O filme é um documento precioso, que recomendo para se guardar na aba de favoritos e mostrar a todos parentes e amigos. Reúne opiniões e reflexões diversas, sensatas e racionais, aliadas a depoimentos bastante sensíveis. Opinam especialistas de trânsito, jornalistas, psicanalistas, médicos, juristas e, sobretudo, opinam aqueles que perderam pessoas caras, para essa violência cotidiana e banalizada; mostra um pouco da “dor da gente [que] não sai no jornal”.

Talvez seja esse último o aspecto que falta e deva ser mostrado, a dor por trás das estatísticas frias e do noticiário sobre a tragédia diária do trânsito, para convencer sobre a estupidez e brutalidade a que estamos submetidos, para que possamos sair da inércia e modificar tal situação.  Assim, quando as pessoas forem informadas de uma fatalidade no trânsito, ela se lembrarão de multiplicar pelo número de parentes e amigos da vítima, a dor que essas ausências causam nos que ficam e a dor latente dos mutilados nessa barbaridade.

A violência no trânsito é indistinta e difusa, não atinge a um grupo social específico e organizado que se mobilize, para denunciar o seu caráter perverso. Ela não aparece como a violência no campo; a violência contra a mulher; a violência contra homossexuais; a violência contra jovens, pobres, pretos e pardos; a violência contra crianças; e no entanto, ela atinge todos esses grupos e, no nosso país, mata e fere mais, do que todos esses casos específicos reunidos. Num país com alta taxa de homicídios, o trânsito mata muito mais, é o assassino número um; assassino cruel, principal responsável pela morte de crianças até os 14 anos de idade, segundo o Ministério da Saúde.

No Brasil se registra um acidente a cada trinta segundos, mais de um milhão por ano. Esses acidentes produzem diariamente cerca de 150 mortes e quase 600 pessoas inválidas. No intervalo de tempo da duração desse documentário, acontecem em média 140 acidentes, uma chacina com pelo menos sete mortes e vinte oito casos de invalidez. Reflitam, estimem o impacto que cada um desses eventos causa e calculem quanta dor eles espalham, enquanto vocês assistem o documentário:

Luto em Luta.

 

 

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