5 de junho de 2026

Marina pode representar o fim do uso do obscurantismo na política

O post com link indicado ao final é de nov/2013 e já se imaginava que talvez Campos seguisse esse caminho positivo de não fazer concessões ao antissecularismo.

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Não surpreendentemente, quem está conseguindo isso é Marina Silva, que segue seu programa.

Marina não usou e parece que nem usará religião na política. Pois é com isso que desarmaria por um flanco seus antagonistas.

PT (Dilma, Agnelo, Padilha) e PSDB (Serra) usaram, em momentos variados, do artificialismo das concessões a pastores-políticos (em geral deputados), e agora não têm como reivindicar para si a exclusividade no uso da bandeira do secularismo.

(É como a piada do “Pega ladrão!”… Atribui-se aos outros aquilo que se faz. E, quando eu critico o uso que alguns partidos fazem do antissecularismo eu não estou sendo contra os mesmos, muito ao contrário! Estou argumentando que com isso perdem eleitores à toa, não fidelizam conservadores, espantam progressistas e no final resulta classista, pois também sem benefícios para os mais pobres  https://jornalggn.com.br/blog/gunter-zibell-sp/o-sofisma-da-priorizacao-de-direitos )

Dilma (que impediu recentemente o aborto legal no SUS, no que foi elogiada por Eduardo Cunha) e Aécio são terminantemente contra o aborto, fizeram questão de declará-lo. Por sua vez Marina, apesar de não negar seus valores pessoais, não impede a discussão e inclusive oferece (desde 2010) o espaço do plebiscito, o que certamente não é o ideal, mas não nega a existência do problema.

Quem tiver proposta melhor que a exponha.

PT (em 2/3 de seus senadores) e PSDB (todos) ajudaram a enterrar o PLC 122/06 no senado. Há quem imagine que isso está por trás de tempo de TV deste ano. O PSB (já com Marina em seus quadros) aprovou em 3/4 de seus senadores. O candidato a vice, Beto, é conhecido simpatizante de direitos de LGBTs. 

Qual dos partidos com muitos deputados na bacada fundamentalista apoia Marina? PSC corre por fora, PR e PRB apoiam Dilma. PEN está com Aécio.

Já na base de Marina temos o PPS, um dos mais secularistas partidos do país, tanto quanto o PV e o PSoL mas o único que aceitou encaminhar uma ADO ao STF pela criminalização da homofobia. (Entre várias outras coisas, como defender o kit antihomofobia, o projeto de casamento igualitário e, inclusive, a despenalização do aborto.)

Campos/Marina saíram primeiro do “Dilema do Prisioneiro” (raciocínio explicado no texto indicado.) E nem precisaram combinar com os outros (ao contrário do imaginado.)

O uso de discurso de medo contra a religião de Marina é um mero bumerangue, volta dando fama de discriminatório a quem o usa. E dizer não vote em evangélico é tão tolo como dizer não vote em LGBT ou não vote em comunista ateu.

Não há casos na História (e se houver será exceção que confirma a regra) em que numa democracia um líder pertencente a uma minoria consiga impor eventuais valores pessoais. Para tentar desrespeitar o Estado Laico são necessárias negociações para esse fim no Congresso, etc, o que não se espera de Marina.

https://www.youtube.com/watch?v=6-xMKiohZtI]

[video:https://www.youtube.com/watch?v=rHSz4iq25W8

Evangélicos também querem ser incluídos. Devem estar contentes em ver Marina na dianteira. Ainda mais alguém tão bem aceito pela classe média (que confiou nela antes, sem preconceito.) Só isso já é uma marca de inclusão. E quem enfrentou preconceitos na vida sabe como doem os que atingem aos demais.

Iriam arriscar isso fazendo demandas inconstitucionais? Duvido e muito.

E é evidente que evangélicos (os fiéis, infelizmente não todos os políticos) querem ganhar a confiança de todos os demais eleitores demonstrando o respeito pelo Estado Laico. Assim como Lula respeitou o mercado e Aécio prometeu respeitar os programas sociais. Quem por algum motivo, ainda que por mera campanha desqualificadora, é alvo de desconfianças, faz sempre o possível para eliminá-las, não aumentá-las.

Dizem que Marina é a candidata dos mais jovens. Mas não são os mais jovens os que menos preconceito demonstram? Significa.

Se Marina vier a receber o apoio explícito de pastores-políticos (até o momento isso não ocorreu) o será sem concessões. Ela não precisa fazê-las.

Nova Política é isso também, ainda que as pessoas não gostem do nome.

Um efeito positivo certamente já foi obtido: os candidatos que recebem apoio de políticos-pastores (e seus partidos) não podem mais alegar que fazer concessões sem sentido é para obter o apoio de eleitorado evangélico, posto que este vota majoritariamente em outra candidata que justamente (e com sabedoria) não faz tais concessões.

Desse modo, e para não perder eleitorado preocupado com Direitos Humanos e Civis de minorias, deixam de endossar tais propostas, que descaracterizavam seu histórico progressista. Mas também não há espaço para substituir um preconceito por outro. Quem alega que não se deve votar em A ou B por alguma coisa como perigos imaginários (discurso de medo) deve simplesmente fazer um discurso melhor.

O importante é que política volte a ser um espaço para discutir as grandes questões do cotidiano (entre elas saúde, educação & segurança) e que todos os candidatos se comprometam com a Defesa do Estado Laico.

E gente, sem essa de divulgar foto-montagens falseadoras. Coisa do submundo da política. Há um site para contestar as desinformações mais comuns:

http://marinadeverdade.strikingly.com/

(Quem faz algumas dessas coisas na prática também é Alckmin. Falam que ele é Opus Dei e coisa e tal, mas nunca colou. A popularidade dele entre não-católicos e LGBTs não é em nenhum momento arranhada por isso. Se algum não gostar dele é por falta de investimentos em segurança, educação ou abastecimento de água, mas não por desrespeito ao secularismo.)

Eu comentei sobre essas possibilidades no texto, que, como dito, é de um ano atrás, mas segue mais atual que nunca.

https://jornalggn.com.br/blog/gunter-zibell-sp/como-superar-o-uso-do-obscurantismo-na-politica

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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3 Comentários
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  1. Tagutti

    28 de agosto de 2014 12:55 pm

    Gunter, acho que essa conversa já deixaram para trás

    Pois, além de não tirar intenções de voto de Marina, a última pesquisa Ibope mostrou que ela é muito popular entre os evangélicos. Continuar nessa toada de demonizá-la por ser evangélica é um tiro no pé. Ainda mais depois da resposta dela no debate, sobre Criacionismo, onde pontuou que nunca, em sua trajetória política, adotou medidas antisseculares, bem como fez uma defesa enfática do Estado laico.

    Parece, assim, que a aposta da vez é explorar ao máximo o avião de Campos. Em termos de convencimento da opinião pública, você acha que cola?

    De um lado, é um argumento pra afastar eleitores mais “idealistas” (ou ingênuos?) dela, uma maneira de dizer “viu? são todos iguais, então por favor volte a anular seu voto”. Caso esta campanha seja bem sucedida, pode-se retirar os votos necessários que Marina precisa para vencer no 2º turno.

    Bem, eu acho que há este potencial sim, já que a campanha toda da pessebista é calcada no purismo dela, e não há nada menos “nova política” do que o uso de recursos não contabilizados de campanha.

    Por outro, se houve mesmo Caixa 2, existe a possibilidade de Marina pairar sob esta polêmica, já que parece claro que ela não teve nada a ver com as tratativas, que foi um acerto entre Campos e empresários locais.  Isso sem contar os riscos de mexer com morto (no Brasil, viram santos), com reflexos certeiros em Pernambuco (provavel que interpretarão como tentativa de denegrir o falecido) e possíveis no resto do Brasil.

    O que pode, também ao meu ver, anular esta “arma” que o PT tem contra Marina, é a campanha beirando o udenismo que alguns blogs militantes (como é óbvio, o GGN não está incluído) fazem sobre o assunto, mostrando um açodamento/desespero que pega mal para quem não é militante. Com o governismo acrítico e exacerbado, bem como a defesa incondicional dos condenados na AP 470, alguns já são muito mal vistos pelo grande público antipetista e “marinista”.

    Essa tentativa deles de não esperar a grande mídia, ou alguma campanha, explorar o assunto, assanhados para encontrar logo algum modo de impugnar Marina, pode agradar os convertidos, mas pode também tirar o foco do próprio escândalo e ser visto como uma tentativa de militantes petistas para atingir oponentes, da mesmíssima forma que os “aloprados” tiraram votos de Lula em 2006.

    Pelos elementos trazidos, você acha que é uma possível “bala de prata” contra a pessebista ou, pelas peculiaridades envolvidas, se enquadra numa campanha demeritória que pode voltar a Dilma como estilingue?

    1. Gunter Zibell - SP

      29 de agosto de 2014 12:49 am

      Depende de quem é o sujeito de deixaram

      Se você se refere aos evangélicos “da rua”, nunca se importaram. Até 2009, por exemplo, o combate à homofobia era conduzido simultaneamente por PSDB e PT e ninguém reclamava. Nem chamava atenção na imprensa. E o PLC 122/06 foi aprovado na Câmara naquele ano.

      Você leu o texto indicado ao final?

      Se você se refere ao governo e pastores-políticos, estes ainda não largaram o osso de errar. O exemplo maior é o 2º engavetamento do PLC 122 no Senado, por orientação de Ideli, para garantir os tempos de TV este ano.

      Este post tem uma história completa e com referências:

      https://jornalggn.com.br/blog/gunter-zibell-sp/direitos-civis-de-lgbts-e-a-politica-nacional-recente

      Foi tudo um teatro cruel com as pessoas LGBT e de mau gosto no geral. Espero que um dia a mídia explore isso.

      É claro que demonizá-la por evangélica é tiro no pé. Ainda mais pelas razões erradas.

      Marina já é interessante por ser Nova Política, por prometer melhor gestão das contas públicas e por não ter derrapado em Estado Laico (não creio que avançará, mas só deter a carnificina promovida por PR e PRB em conjunto com PT e PMDB já é bom.)

      Católicos estão acostumados a votar por ideologia. Tanto que o segmento > 5 s.m. vota em peso em Marina no 2º turno (uns 3/4)

      Imagina se um católico de direita votará na Dilma só por “medo de Marina”. Isso não existe.

      É mais uma gafe, desta vez maior que a com LGBTs. E o povo (do PT) não pára! Estão enchendo as redes sociais com mensagens de demonização de religião. Eu, se fosse evangélico, pensaria duas vezes antes de votar em Dilma.

      E evangélicos já tem uma tradição a se afastar de esquerda. Ainda mais tendo um dos seus como figura principal?  

      E sorte de Dilma que há poucos judeus no Brasil, pois nem os de esquerda apoiam esse lance de retirar embaixador.

      x-x-x-x-x-x-x-x-x

      Acho que o avião não cola. Ainda mais considerando a história dos outros dois, né?

      É como Noblat disse: se há alguém que ainda pode bancar a pessoa honesta é ela.

      Alguém confia na Blogo? Tem um que é chamado de Brasil 171.

      Carta Capital (ainda compro por hábito) é chamada de “Veja do PT”. 

      85% (e 50% dos que dizem preferir o PT) não acredita na narrativa sobre AP470. Uma razão é que nunca houve uma “ida às ruas” por isso. 

      Qualquer coisa que eu tenha visto nos últimos 2 anos, com exceção do + Médicos, foi bumerangue.

      A atitude de militantes em redes sociais é um horror. Um fanatismo cego.

      O Juliano gosta de falar “o Gunter é antipetista”, como se isso fosse algo psicológico.

      Não é. É rejeição racional a um amontoado de coisas. Eu não estranho nem um pouco a queda de popularidade.

      E reafirmo: jogar a culpa de tudo no PIG, na classe média, nos X, nos P, nos T, nos O, é mimimi total.

      Quando a classe C/D perceber…

       

  2. luddita

    28 de agosto de 2014 3:21 pm

    Parabéns Gunter!
    Não vou

    Parabéns Gunter!

    Não vou votar nela, mas as críticas devem proceder.

     

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