21 de maio de 2026

Megaoperação expõe ineficiência do governo Tarcísio no combate à sonegação de combustíveis

Esquema bilionário liderado pelo PCC movimentou fraudes em sete estados; mais de R$ 7,6 bilhões foram desviados em São Paulo
São Paulo (SP), 28/03/2025 - Governador de São Paulo Tarcísio de Freitas durante leilão do lote Alto Tietê, das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade de trens, durante sesão pública na B3. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Uma das maiores operações já realizadas contra fraudes fiscais no setor de combustíveis escancarou o que especialistas e críticos já vinham denunciando: a fragilidade do governo paulista no combate à sonegação. A operação “Carbono Oculto”, deflagrada nesta quinta-feira (28), reuniu o Ministério Público de São Paulo, o Ministério Público Federal e forças de segurança em sete estados para desarticular um esquema criminoso chefiado pela facção Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo operava um cartel bilionário envolvendo empresas de fachada, postos de combustíveis, distribuidoras, transportadoras e até fintechs.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Somente no Estado de São Paulo, o prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa os R$ 7,6 bilhões. O grupo atuava com importação ilegal de metanol, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro, utilizando fundos de investimento e corretoras sediadas na Avenida Faria Lima, epicentro do mercado financeiro brasileiro.

Apesar da complexidade do esquema, os indícios de sua existência e crescimento não eram desconhecidos. Desde o início de 2023, especialistas e veículos de imprensa, como o Blog do Luchetti, vêm denunciando a paralisia da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) no enfrentamento à sonegação no setor. A gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), junto ao secretário da Fazenda Samuel Kinoshita e ao subsecretário Marcelo Bergamasco, é acusada de omissão diante de repetidos alertas.

As críticas se intensificaram após a revelação de que, durante todo o período entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, as viaturas de fiscalização da Sefaz-SP praticamente não saíram às ruas para combater irregularidades. A informação, divulgada pelo Blog do Luchetti com base em relatos de servidores da própria secretaria, motivou um pedido oficial à Ouvidoria da pasta, com base na Lei de Acesso à Informação, para que seja apresentado um relatório detalhado das ações de fiscalização realizadas nesse período.

Segundo os investigadores, o cartel possuía uma estrutura altamente profissionalizada, com operações que imitavam empresas legítimas e com ramificações em diversas unidades da federação. A infiltração de criminosos no setor financeiro agrava ainda mais a situação, demonstrando que a sonegação não se trata apenas de uma questão econômica, mas de segurança pública, já que financia diretamente o crime organizado.

Para analistas, o caso marca um dos momentos mais críticos da política fiscal paulista em décadas. “A gestão estadual falhou em seu dever fundamental de proteger os recursos públicos. O que estamos vendo é resultado direto da ausência de ação coordenada e de vontade política”, afirma o jornalista Alberto Luchetti, autor das denúncias.

Enquanto autoridades federais tentam agora recuperar parte do prejuízo com pedidos de bloqueio de bens dos envolvidos, especialistas avaliam que o dano é irreversível. O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado (CIRA-SP) corre contra o tempo, mas enfrenta dificuldades para reverter a perda bilionária.

A Secretaria da Fazenda e o governo do Estado de São Paulo ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a operação e as críticas de omissão.

*Com informações do Blog do Luchetti.

LEIA TAMBÉM:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Anônimo

    28 de agosto de 2025 11:28 pm

    Os objetivos do governo de Tarcísio de Freitas estão muito bem definidos e o governador segue à risca: privatização, militarização da juventude, polícia para matar pobres e reprimir movimentos populares, doar terras para o agro pop para impedir reforma agrária. De nada adianta as críticas de que a polícia Paulista não fez nada para reprimir a lavagem de dinheiro do PCC. Tarcísio tem apenas até 2026 para destruir são Paulo e receber os louros da faria lima

  2. José Machado

    29 de agosto de 2025 5:12 am

    Esse negócio de carro “flex” só deu para isso, venderem “derivados de alcoool” como sendo gasolina. O próprio governo já batiza a gasolina com 25% de etanol. Quem tem carro flex, abastece como “se fosse” alcool, mesmo pedindo gasolina na bomba. Já que ela vem toda batizada com etanol e metanol. Para quem tem carro exclusivamente com motor à gasolina, a performance deve ser sofrível, se vier a funcionar, e andar. Deve ser 4km por litro.

    Uma grande sacada da indústria automativa seria lançar carros com sensores nos tanques de combustível, para marcar tanto a quantidade de litros no tanque, quanto o % da mistura de gasolina. Quem lançasse carros com esses itens teriam uma venda absurda.

    Mas não é possível “batizar” bateria de carro elétrico. O melhor mesmo é comprar carros elétricos e aqueles que indicam a carga abastecida. Ou seja, abasteceu xKw, se não for assim, eles vão roubar até nos postos de carga elétrica. A indústria de carros elétricos
    já deveriam antever e colocar mecanismo de contagem de carga elétrica, pois com toda certeza como dois e dois são quatros, eles tentarão fraudar os abastecedore elétricos.

Recomendados para você

Recomendados