O presidente da Argentina, Javier Milei, se encontrou com o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e o empresário Elon Musk em um evento realizado no Mar-A-Lago, o resort de luxo de Trump. O evento, ocorrido na quinta-feira, 14, organizado pelo America First Policy Institute, teve como título “America First. Always” (América Primeiro, Sempre).
Milei está nos Estados Unidos para participar da reunião da CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), que reúne líderes da direita global. Neste ano, o encontro também teve uma edição no Brasil, em Balneário Camboriú, com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro e do próprio Milei.
Durante o evento, além de parabenizar Trump pela “contundente” vitória sobre a democrata Kamala Harris, Milei exaltou Elon Musk, que terá um cargo no governo de Trump. O presidente argentino afirmou que o trabalho de Musk, após a compra do Twitter, agora X, “salvou a humanidade”.
Em seu discurso, Trump destacou o “incrível” trabalho de Milei na Argentina, dizendo que o presidente argentino está “tornando a Argentina Great Again” (Grande Novamente) e declarou: “he is a MAGA person” (ele é uma pessoa do MAGA), associando Milei diretamente ao movimento Make America Great Again, liderado por Trump e Steve Bannon, ideólogo da extrema-direita global.
Apesar dos elogios de Trump, a Argentina enfrenta uma inflação alarmante. Em 12 meses, a alta dos preços atingiu 193%, com os serviços básicos da população entre os mais afetados. Em outubro, os maiores aumentos foram registrados nos setores de Habitação, Água, Eletricidade, Gás e Outros Combustíveis (5,4%) e Saúde (3,6%).
O jornalista Luis Nassif tem argumentado que o governo de Milei serve como um “projeto piloto” para as ideias que Elon Musk pretende implementar na “Comissão de Eficiência” do governo Trump, com foco na destruição radical do estado.
Fábio de Oliveira Ribeiro
15 de novembro de 2024 2:24 pmMilei está certo, mas não dá maneira que acredita. Elon Musk vai ajudar Trump a implodir os EUA. Isso será aplaudido pelos adversários daquele país amaldiçoado por se tornar presa fácil de uma elite arrogante, gananciosa, que não tem nem visão de longo prazo nem responsabilidade para agir no curto prazo para curar os estragos sociais causados pelo neoliberalismo. Ambos querem tornar os EUA comercialmente superavitario, mas isso só pode ser feito se o país pagar um preço altíssimo. A mudança de orientação causará uma drástica interrupção do fluxo de excedentes monetários reciclados em Wall Street. Desde os anos 1990, o crescimento dos EUA é baseado no déficit comercial anulado pelo superavit financeiro. Banqueiros não aceitarão essa mudança facilmente. E ela também afetará as maiores empresas dos EUA, que nadam em excedentes financeiros e contabilizam lucros atuando no mercado financeiro. Se cumprir suas promessas a dupla Trump/Musk prococam uma guerra civil. Se não cumprirem eles não evitarão conflitos que pretendem administrar.