Miriam Leitão comete ‘sincericídio tardio’, afirma Dilma Rousseff

Ex-presidente cita “analogia inaceitável entre dois processos políticos”; em artigo, jornalista admite que impeachment de 2016 usou pretextos fiscais falsos

A ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Foto: Reprodução

Jornal GGN – A ex-presidente Dilma Rousseff divulgou uma nota neste domingo (24/01) sobre a coluna da jornalista Miriam Leitão, onde afirma que foi feita uma “analogia inaceitável entre dois processos políticos”.

“O impeachment da presidente Dilma não foi apenas por um preciosismo fiscal, por uma singela pedalada, como ficou na memória de muita gente, da mesma forma que Collor não foi abatido por um Fiat Elba”, disse Miriam Leitão em seu artigo, que sequer estava destacado na página inicial do jornal, que preferiu chamar o artigo publicado em 23 de janeiro.

“Com seus erros de decisão, sequenciais, Dilma desmontou a economia. A recessão destruiu 7% do PIB em dois anos, a inflação voltou a dois dígitos, o desemprego escalou, o déficit e a dívida deram um salto. Tudo isso derrubou sua popularidade e ela não teve sustentação política. Não foi um golpe. Foi o uso do impeachment por crime de responsabilidade fiscal, e num contexto de descobertas de assalto aos cofres da Petrobras para financiamento político”, afirma a articulista.

Segundo Dilma, a jornalista Miriam Leitão comete “sincericidio tardio” ao admitir que o impeachment que a derrubou foi ilegal e, portanto, injusto. Contudo, ao aplicar uma lógica “baseada em analogia sem fundamento legal e factual”, diz que se o presidente Jair Bolsonaro permanecer intocado e com seu mandato até o fim, a história será reescrita naturalmente. O impeachment da presidente Dilma parecerá injusto e terá sido.”

A ex-presidente afirma que “o impeachment de Bolsonaro deveria ser, entre outros crimes, por genocídio, devido ao negacionismo diante da Covid-19, que levou brasileiros à morte até por falta de oxigênio hospitalar, e por descaso em providenciar vacinas”.

Confira a íntegra da nota de Dilma Rousseff abaixo:

 

A LÓGICA ABSURDA DE MIRIAM LEITÃO

Colunista do Globo faz analogia inaceitável entre dois processos políticos. Impeachment de 2016 usou pretextos fiscais falsos; Bolsonaro deve ser punido por genocídio, mortes de brasileiros por falta de oxigênio e descaso pela vacinação

NOTA SOBRE O ARTIGO DE MIRIAM LEITÃO

Miriam Leitão comete sincericidio tardio em sua coluna no Globo de hoje (24 de janeiro), ao admitir que o impeachment que me derrubou foi ilegal e, portanto, injusto, porque, segundo ela, motivado pela situação da economia brasileira e pela queda da minha popularidade. Sabidamente, crises econômicas e maus resultados em pesquisas de opinião não estão previstos na Constituição como justificativas legais para impeachment. Miriam Leitão sabe disso, mas finge ignorar. Sabia disso, na época, mas atuou como uma das principais porta vozes da defesa de um impeachment que, sem comprovação de crime de responsabilidade, foi um golpe de estado.

Agora, Miriam Leitão, aplicando uma lógica aburda, pois baseada em analogia sem fundamento legal e factual, diz que se Bolsonaro “permanecer intocado e com seu mandato até o fim, a história será reescrita naturalmente. O impeachment da presidente Dilma parecerá injusto e terá sido.” O impeachment de Bolsonaro deveria ser, entre outros crimes, por genocídio, devido ao negacionismo diante da Covid-19, que levou brasileiros à morte até por falta de oxigênio hospitalar, e por descaso em providenciar vacinas.

O golpe de 2016, que levou ao meu impeachment, foi liderado por políticos sabidamente corruptos, defendido pela mídia e tolerado pelo Judiciário. Um golpe que usou como pretexto medidas fiscais rotineiras de governo idênticas às que meus antecessores haviam adotado e meus sucessores continuaram adotando. Naquela época, muitos colunistas, como Miriam Leitão, escolheram o lado errado da história, e agora tentam se justificar. Tarde demais: a história de 2016 já está escrita. A relação entre os dois processos não é análoga, mas de causa e efeito. Com o golpe de 2016, nasceu o ovo da serpente que resultou em Bolsonaro e na tragédia que o Brasil vive hoje, da qual foram cúmplices Miriam Leitão e seus patrões da Globo.

DILMA ROUSSEFF

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