10 de junho de 2026

Monica Iozzi faz mea culpa sobre projeção de Bolsonaro no CQC

Em entrevista a Pedro Bial, a apresentadora disse que a imprensa deveria combinar de não mais dar espaço a quem dissemina discursos de ódio

Jornal GGN – O colunista do UOL Maurício Stycer chamou de “corajosa” a apresentadora Monica Iozzi, que em entrevista a Pedro Bial fez um mea culpa por ter ajudado a projetar nacionalmente o discurso de ódio de Jair Bolsonaro quando trabalhava para o programa CQC, da Band.

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“Quem mais deu voz ao Jair Bolsonaro, que fez com que ele depois fosse convidado para outros programas, foi o CQC. A gente não pode se eximir dessa culpa e, sim, eu me arrependo muito de ter falado com ele tantas vezes”, disse.

“Vou falar só por mim. Ele foi muito mais inteligente do que eu. Ele sabia que podia se utilizar daquela visibilidade que o programa proporcionava para espalhar o seu discurso”, comentou ela.

Monica disse que quando trabalhava no CQC, já não tinha idade para ser chamada de “ingênua”, mas tampouco teve “visão mais ampla, essa visão pensando a médio e a longo prazo, de que, ao invés de estar fazendo uma denúncia, eu poderia estar dando palanque, eu poderia estar aumentando o alcance daquele discurso.”

Bial ponderou que isso é um programa da mídia no geral: não há como ter certeza a respeito de como a informação divulgada chega no espectador. Para ele, o CQC poderia achar que estava denunciando um absurdo, quando o público, do outro lado, estava adorando e se identificando com Bolsonaro.

Para Monica, a imprensa deveria se unir contra a projeção desse tipo de figura. “A gente deveria começar a olhar para esses discursos com total intolerância, que é o que eles fazem na Alemanha com o nazismo. Não vamos dar voz a uma pessoa que diminui os negros e que defende violência contra LGBT.”

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3 Comentários
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  1. Chris

    3 de setembro de 2020 10:28 am

    Ahh Monica… se todos fossem iguais a você.. estaríamos tão melhor! Aprender com seus erros, sair da defensiva, isso não é vergonha, não é se expor para ser queimado em praça pública. Isso é crescer! Acho que confundem mea culpa com assumir um fracasso, mas não é nada disso, é aprender para não continuar caindo nos mesmos erros. E se o erro foi feito em público, porque não repará-lo em público também? Para continuar mantendo a máscara de infalível? Poucos vão perceber que o caminho que você aponta é o único possível para a reconciliação entre a esquerda e a população desacreditada de todo o sistema.
    E sobre o teor do que você percebeu, eu também já havia percebido há muito tempo: o quanto o Bozo cresce depende da polêmica, do conflito, e a esquerda vive dando munição para ele, na medida que embarca nas discussões infames. Como proceder, então? Desmontando o discurso de ódio mas escapando da armadilha de tentar apagar fogo com gasolina. Todo um cuidado deve ser tomado para não alimentar as polêmicas que Bozo precisa para se sobressair.

  2. Sergio Alexandre Antunes de Carvalho

    3 de setembro de 2020 10:28 am

    Mas vendo hoje em dia e percebendo para que lado foram participantes como Marcelo Tas, Danilo Gentilli, Rafinha Bastos pode se ver que o programa não era tão inocente assim, ali onde parecia haver uma crítica tinha, ao contrário, um apoio as teses da direita mais reacionária.

    1. fel

      3 de setembro de 2020 12:44 pm

      Desculpe, mas não tinha como não perceber que aquilo sempre foi um programa fascista. Meu Deus, era uma barbaridade atrás da outra. Como também é e sempre foi o caso do pânico. Não consigo ver graça neste idiotas companheiros do tal surita. E quanto à Monica, como diz Zé de ABreu, seria bom ajoelhar no milho mesmo, porque o resultado dessa suposta ingenuidade foi a destruição do único projeto de país viável até agora, depois de 500 anos de história.

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