Monica Iozzi faz mea culpa sobre projeção de Bolsonaro no CQC

Em entrevista a Pedro Bial, a apresentadora disse que a imprensa deveria combinar de não mais dar espaço a quem dissemina discursos de ódio

Jornal GGN – O colunista do UOL Maurício Stycer chamou de “corajosa” a apresentadora Monica Iozzi, que em entrevista a Pedro Bial fez um mea culpa por ter ajudado a projetar nacionalmente o discurso de ódio de Jair Bolsonaro quando trabalhava para o programa CQC, da Band.

“Quem mais deu voz ao Jair Bolsonaro, que fez com que ele depois fosse convidado para outros programas, foi o CQC. A gente não pode se eximir dessa culpa e, sim, eu me arrependo muito de ter falado com ele tantas vezes”, disse.

“Vou falar só por mim. Ele foi muito mais inteligente do que eu. Ele sabia que podia se utilizar daquela visibilidade que o programa proporcionava para espalhar o seu discurso”, comentou ela.

Monica disse que quando trabalhava no CQC, já não tinha idade para ser chamada de “ingênua”, mas tampouco teve “visão mais ampla, essa visão pensando a médio e a longo prazo, de que, ao invés de estar fazendo uma denúncia, eu poderia estar dando palanque, eu poderia estar aumentando o alcance daquele discurso.”

Bial ponderou que isso é um programa da mídia no geral: não há como ter certeza a respeito de como a informação divulgada chega no espectador. Para ele, o CQC poderia achar que estava denunciando um absurdo, quando o público, do outro lado, estava adorando e se identificando com Bolsonaro.

Para Monica, a imprensa deveria se unir contra a projeção desse tipo de figura. “A gente deveria começar a olhar para esses discursos com total intolerância, que é o que eles fazem na Alemanha com o nazismo. Não vamos dar voz a uma pessoa que diminui os negros e que defende violência contra LGBT.”

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