Jornal GGN – Um estudo chamado “Educação Domiciliar nos Estados Unidos: Examinando os fundamento para Educação individualizada”, de Christopher Lubienski e T. Jameson Brewer, mostra que não há provas de que o ensino domiciliar no País seja eficiente.
Nos EUA, a educação em casa, longe das salas de aulas de escolas públicas ou privadas, existe desde 1999. Ainda assim, o Departamento de Educação nacional nunca apresentou dados comparando o desempenho de alunos do sistema domiciliar com o regular.
No Brasil, esse tipo de ensino virou uma das principais bandeiras da ministra-pastora Damares Alves, do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Ela argumenta que muitos pais querem o “direito” ao ensino domiciliar – que fere o Estatuto da Criança e Adolescente – porque estão cansados da suposta “doutrinação” feita pelos professores, ou porque querem exercer uma influência religiosa e moral diferente da que é ensinada nas escolas.
Em entrevista sobre o tema, Damares disse, contudo, que o Estado não terá presença forte nesses casos, e que os pais serão responsáveis pela seleção e compra do material pedagógico.
O artigo dos pesquisadores – usado em reportagem da Folha de S. Paulo desta terça (7) – mostra que os EUA pecam justamente por não prever uma fiscalização ou regulamentação federal. Fica a cargo dos estados decidir o nível de acompanhamento e participação no ensino domiciliar.
O resultado é que metade dos 50 estados americanos têm pouca ou nenhuma regulamentação. Apenas 6 possuem alta regulamentação e outros 19, regulamentação moderada.
Na Flórida, considerado um estado moderado, por exemplo, “todo o estudo é feito por meio de um site do governo, no qual há livros, exercícios, testes e professores disponíveis 24 horas por dia. Um sistema de inteligência por comparação de palavras identifica se os alunos estão colando”, contou a Folha.
OS MOTIVOS
Ainda segundo a reportagem, os “valores cristãos” estão entre os principais motivos para as famílias aderirem ao programa domiciliar, que representa 3,3% do total dos estudantes de 5 a 17 anos nos EUA.
A grande maioria dos estudantes (83%) são brancos e de classe econômica estável. Os negros também recorrem ao ensino, mas por outros motivos: porque não querem que os filhos sofram preconceito nas escolas.
O isolamento das crianças e adolescentes é considerado pelos pesquisadores um fator negativo. Há instituições indicando que casos de abuso sexual não seriam reportados porque as vítimas não teriam a quem contar, nem teriam informação a respeito do que é considerado abuso.
Jair Bolsonaro assinou o projeto de lei em abril. A proposta aguarda deliberação do Congresso.
Anônimo
7 de maio de 2019 11:46 amNem precisa falar em estudos que embasam qualquer medida deste governo. Não há estudos, nem dados nem nada, como diz o superministro da Justiça, não é preciso provas basta convicção.
Anônimo
7 de maio de 2019 2:15 pmSe até nos EUA, onde a prática é mais arraigada, essa modalidade é questionada, imaginem no Brasil.
A implantação desse modelo não deriva de preocupações pedagógicas nem com o bem-estar das crianças, mas sim por impulsos ideológicos rasteiros e obscurantismo religioso.
Carlos Elisio
7 de maio de 2019 5:13 pmSe a policia já atira com estudantes uniformizados passando (correria na Maré), imagine sem uniforme…
Diones
8 de maio de 2019 10:39 amPois é , fico imaginando aqueles casos em que a criança sofre abusos dentro de casa. Muitas vezes os profissionais da educação são os que percebem os maus tratos. E se a criança não estiver na escola quem perceberá ou a quem ela recorrerá? Tudo isso não passa de uma medida que visa a ditadura ideológica. Soma se isso , a paranoia evangélica de que escola pode tirar seus jovens da fé. Esuquecem-se de que a internet cumpre esse papel mais eficazmente.
então né
8 de maio de 2019 4:37 pmgostaria de dizer que apesar das razões religiosas e políticas dos pais pra quererem ensinar os filhos em casa serem francamente estúpidos, ainda há casos onde a criança poderia e deveria estudar em casa por conta do bullying e/ou transtornos mentais que dificultam a convivência com outras crianças (ex: casos agravados de agorafobia e fobia social). É uma boa alternativa, e por sinal… https://www.nheri.org/research-facts-on-homeschooling/