O governo federal lança oficialmente neste sábado (30), às 12h, a plataforma Tela Brasil, o primeiro serviço público e gratuito de streaming dedicado exclusivamente ao audiovisual nacional.
O evento de lançamento ocorre na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca (RJ), durante o festival Rio2C, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Apelidado nos bastidores de “Netflix brasileira”, o projeto é uma iniciativa estruturante do Ministério da Cultura (MinC) para democratizar o acesso à cultura, valorizar a produção nacional e impulsionar o setor independente.
O que é e como funciona a Tela Brasil?
A plataforma opera sob o modelo de vídeo sob demanda (VOD), sendo totalmente gratuita, sem publicidade comercial e sem taxas de assinatura. O desenvolvimento tecnológico foi capitaneado pelo Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais da Universidade Federal de Alagoas (NEES/UFAL), envolvendo cerca de 80 profissionais e pesquisadores de universidades públicas do país.
A infraestrutura e a hospedagem em nuvem ficam a cargo do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), o que assegura a proteção de dados dos usuários em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Como ter acesso?
- Fase Inicial (Web): A partir deste sábado, o serviço pode ser acessado diretamente pelo navegador através do site oficial:
telabrasil.cultura.gov.br. - Login Unificado: Para assistir aos conteúdos, basta que o usuário faça o login utilizando as credenciais da sua conta Gov.br.
- Aplicativos: As versões do aplicativo para sistemas operacionais móveis (iOS e Android), além da compatibilidade com Smart TVs e dispositivos de transmissão (como Chromecast e Apple TV), serão disponibilizadas gradualmente no prazo de até 30 dias.
O Catálogo de Estreia
A Tela Brasil inicia suas operações com um acervo de 555 obras audiovisuais, cobrindo mais de um século de história do cinema nacional (produções que vão de 1910 a 2025). A seleção inicial reúne investimentos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e acervos de instituições como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a Fundação Cultural Palmares.
O catálogo está dividido em:
- 267 curtas-metragens
- 139 longas-metragens
- 85 médias-metragens ou telefilmes
- 64 obras seriadas
O acervo engloba produções que representaram o Brasil na disputa do Oscar, cinema negro e indígena, obras dirigidas por mulheres, produções infantojuvenis e títulos de forte circulação em festivais internacionais.
Principais destaques:
- Clássicos do Cinema: Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe e Barravento (Glauber Rocha); A Hora da Estrela (Suzana Amaral); Xica da Silva (Cacá Diegues).
- Sucessos Premiados: Central do Brasil (Walter Salles); Cidade de Deus (Fernando Meirelles e Kátia Lund); Carandiru (Hector Babenco); O Que É Isso, Companheiro? (Bruno Barreto); Olga (Jayme Monjardim).
- Documentários e Curtas Históricos: Jango e Os Anos JK (Silvio Tendler); Ilha das Flores (Jorge Furtado), eleito pela crítica o melhor curta brasileiro da história.
Integração com a TV Brasil e Acessibilidade
Durante a cerimônia de lançamento, o MinC assina um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Essa parceria garantirá a incorporação progressiva de mais de 150 títulos da TV Brasil, adicionando cerca de 3 mil horas de programação à plataforma, incluindo os programas Sem Censura, Samba na Gamboa, Caminhos da Reportagem e o infantil A, B, Z do Ziraldo.
Além disso, os conteúdos institucionais e educativos poderão ser utilizados em exibições públicas sem fins comerciais, ampliando o uso da ferramenta em escolas e bibliotecas.
No quesito inclusão, a plataforma cumpre as diretrizes internacionais de acessibilidade digital (WCAG 2.2 AA). Mais de 300 obras da grade de estreia já contam com recursos completos de audiodescrição, legendagem descritiva e tradução em Libras.
Paralelamente ao lançamento do streaming, o presidente Lula assina o decreto que institui a Política Nacional de Economia Criativa – Brasil Criativo. A meta da proposta é consolidar o setor cultural e criativo como um eixo estratégico de desenvolvimento socioeconômico, focando na geração de emprego, renda e inclusão social a partir dos bens culturais do país.
Paulo Dantas
30 de maio de 2026 11:26 amO site deu erro 500 …
Maria EF Moraes
30 de maio de 2026 1:03 pmMuito bom…Preciso iniciar…