O caso do vídeo e o método Sérgio Moro de investigação, por Luis Nassif

O que Moro faz, então, é criar uma situação que obrigue a uma investigação. E a investigação se encarregará de levantar as provas.

Quem acompanha o mundo jurídico de Curitiba sabe que, desde seu início de carreira, na Vara Criminal de Curitiba, Sérgio Moro desenvolveu um estilo próprio de arbitrariedade  – que tenta repetir, agora, nas denúncias contra Jair Bolsonaro.

Entenda a lógica.

  1. Não há a menor dúvida do interesse de Bolsonaro pela superintendência da Polícia Federal no Rio. Ou seja, há fumaça e há fogo.
  2. Mas Sérgio Moro não tem nenhuma prova para sustentar sua acusação, em relação à tal reunião ministerial. As provas que poderia apresentar também o implicariam, por conivência.
  3. O que ele faz, então, é criar uma situação que obrigue a uma investigação. E a investigação se encarregará de levantar as provas.

Foi assim que atuou, em Curitiba, contra advogados críticos dele, mostrando duas características que o acompanhariam por toda a carreira: o espirito vingativo; e os estratagemas extra-legais para atingir seus objetivos.

Em um caso, havia uma investigação em Pernambuco sobre determinada vara que distribuía a torto e a direito tutela antecipada –  autorização para uma das partes receber parte do requisitado antes da sentença final. Aliás, anos atrás denunciei esse tipo de manobra, cujo alvo principal era o Banco do Nordeste e tinha como principal articulador o neto de um grande político pernambucano.

O golpe tradicional consistia do cliente do banco, executado por não-pagamento, ingressar contra o banco com uma ação de lucros cessantes, pedindo tutela antecipada. O juiz concedia a tutela. O acerto de contas se daria no final das duas ações. perdendo, o cliente precisaria ressarcir o banco pela tutela recebida e pelas dívidas devidas.

Leia também:  Deltan mostra que Lava Jato é movimento político, diz Rodrigo Maia

De repente, apareceram nas investigações negociações com debêntures da Eletrobras dos anos 60 – que tinham um prazo extremamente elástico de vencimento, em 2006. Advogados entraram com pedido de tutela antecipada, em uma operação legal pois, ao contrário do golpe, a debênture era um título líquido e certo.

Moro percebeu que aparecia o nome do advogado inimigo. Qualificou a operação como crime contra o sistema financeiro nacional, para poder se tornar o titular do inquérito. Sem maiores investigações, sem intimar para depor, ordenou a prisão preventiva do advogado e de outros sócios do escritório. E tudo isso batendo bumbo na imprensa, criando um movimento de opinião pública que impediu os habeas corpus solicitados junto ao TRF4. Só depois que o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça, saiu o HC, com uma sentença em que o Ministro relator sustentou que não havia uma indicação sequer de crime.

Nesse período, quatro meses preso, a vida do advogado foi devassada. Receita, Banco Central, COAF, tudo foi jogado no seu encalço. A clientela fugindo, a depressão e a autuação da Receita, matou qualquer condição de reação do advogado.

Esse modelo foi reiteradamente repetido ao longo de toda a carreira de Moro, até chegar na Lava Jato.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

7 comentários

  1. – Não há ninguém mais vago, mais irrelevante, mais contínuo do que o ex-ministro.
    Nelson Rodrigues; Flor de Obsessão; Ruy Castro.

    moro é um único ex-ministro, que se tem notícia, que ganha extravida na ‘imprensa’ oligarca. há óbvio interesse em continhar a ficção que é o seu “capital político”, pois a globo não tem a ombridade de apontar os abusos do juizeco, sem apontar para sua própria face covarde. Diria Oscar Wilde, “[…] aversão de realismo é a raiva de Caliban por se ver ao espelho”. (http://www.gutenberg.org/files/174/174-h/174-h.htm)

  2. “E tudo isso batendo bumbo na imprensa, criando um movimento de opinião pública que impediu os habeas corpus solicitados junto ao TRF4.” Quer dizer que agora passa a ser natural que valha a jurisprudencial do iluminismo de boteco de Luiz Barroso? O tribunal tem que seguir os rumores da imprensa? Então fecha essa pocilga e abre um cabaret.

  3. Moro, com certeza, tem também o objetivo de ocupar a cena midiática e encher as pautas do STF, com isso retarda o julgamento de sua parcialidade e incompetencia, em vários processos. A esquerda, não tem batido encima do fato que Moro se calou em vários episódios criminosos da familia bolsonaro, em que deveria ter investigado, cometendo crime de prevaricação e até escondendo crimes, como no caso do porteiro do condominio, em que o ameaçou de processo. Moro continua a nadar de braçada e reconstruir sua imagem de herói.

  4. As intenções de Bolsonaro são tão perigosas para o país e para a população quanto as intenções de Moro. Ambos irão escancarar as portas de entrada para os americanos USArem e abUSArem. Ambos manterão a direita fingindo que governa o país. Ambos irão deixar mais ricos quem já é rico e mais pobre, quem já é pobre. Porém, Moro se mostra mais traiçoeiro, mais estratégico, mais rasteiro, mais sádico e muito mais ganancioso. Bolsonaro governa para tentar ser um ditador guarnecido pelas milícias com as quais mostra ter bastante intimidade. Contudo, além de ser muito previsível ele viaja na ilusão de ter um poder absoluto, o único, sem divisão e sem parceria, exceto a das milícias. Bolsonaro passará o resto de sua vida dominado pela utopia de tornar-se o novo Grande Ditador. Quanto a Moro, caso ele consiga chegar lá, e esse é o grande perigo, só temos a convicção de que ele será um eficiente anfitrião vassalo do Tio Sam, mas a sequência do martírio pode ser muito nebulosa, muito trevosa e muito perigosa.

    3
    1
  5. Dizem que quem apoia o uso da cloroquina é o pessoal da Lava-Jato (juiz, promotores, delegados e apoiadores). Afinal, não se tem provas, mas sobra convicção. ???

  6. Moro é “uomini d’onore” de organização criminosa. Homem de “aparente honra” dá proteção e legitimidade às ações criminosas. É a forte indicação de seu histórico.

    Na “cosca” siciliana, modelo de organização criminosa mafiosa, o “uomini d’onore fanno relazione con la politica, con la economia, con la chiesa, con i giornalisti…fanno relazione con tutti…un mondo de relazione…l’uomini d’onore è il centro di un piccolo universo”

    3
    1

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome