O mais bem sucedido sequestro em São Paulo, por Luis Nassif

Luiz Moraes Barros, o fundador do Banco Itaú, tinha fazenda em Itupeva. Era considerado uma pessoa extremamente gentil. Na fazenda, além de gado leiteiro, criava raça austríaca de cavalo de trote. Aliás, montou até os 90 anos.

Certa vez, cerca de vinte anos atrás, um consultor dele, chegando à fazenda, encontrou o local cercado de seguranças. Soube, então, do sequestro de sua esposa. Os sequestradores pediam US$ 40 milhões, mas divididos em 8 depósitos de US$ 5 milhões cada, em bancos suíços.

Na época, ainda no início das policias científicas, a polícia não conseguia identificar os computadores dos quais eram enviados os e-mails que chegaram, com pedido de resgate.

Os depósitos foram pagos. A segurança do Itaú monitorava cada depósito, para tentar rastrear o dinheiro quando saísse da conta. Mas os sequestradoras eram extremamente profissionais. Mal entrava, o dinheiro saía impedindo qualquer rastreamento.

Conseguiram rastrear apenas o notebook do último pedido, no segundo andar do aeroporto de Cumbica, onde tem um restaurante que as pessoas frequentam enquanto esperam os vôos.

O notebook estava lá, sem impressão digital e sem nada que pudesse identificar o proprietário. Provavelmente o sequestrador estava com o checking feito, enquanto aguardava a confirmação do último depósito.

O caso foi mantido em absoluto sigilo, inclusive da estrutura do banco. Moraes Barros dividia uma sala com Olavo Setubal e Herbert Levy, em um escritório no prédio da Duratex, na avenida Paulista. O assunto não vazou para o Itaú. Só ficaram sabendo dona Luizinha, secretária dos três e o contador Alberto, que trabalhava para eles. Todo o pagamento saiu da conta particular de Moraes Barros.

A amigos, na época, ele manifestou desconfiança em relação a 5 funcionários o banco, gerentes de alto nível que tiraram férias na mesma época e se demitiram, em bloco, um ano depois. Mas ficou só na desconfiança. Até hoje o crime não foi desvendado.

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