O ministro Gilmar é um dos homens mais poderosos do que sobra da nossa República. Se vai para os jornais combater a Lava Jato é porque não conseguiu internamente contê-la.

Na Folha de São Paulo de 23 de agosto de 2016 uma entrevista do ministro Gilmar Mendes causou espécie. Referindo-se a forma de investigação da Operação Lava Jato, saiu-se com estas:
“Já estamos nos avizinhando do terreno perigoso de delírios totalitários. Me parece que [os procuradores da Lava Jato] estão possuídos de um tipo de teoria absolutista de combate ao crime a qualquer preço
Eles estão defendendo até a validação de provas obtidas de forma ilícita, desde que de boa-fé. O que isso significa? Que pode haver tortura feita de boa-fé para obter confissão? E que ela deve ser validada?
Não é de se excluir que isso esteja num contexto em que os próprios investigadores tentam induzir os delatores a darem a resposta desejada ou almejada contra pessoas que, no entendimento deles, estejam contrariando seus interesses”.
Mendes pronunciava-se no vácuo de um vazamento de uma delação premiada que se tornou capa e matéria da revista Veja onde o seu colega de STF, o ministro Dias Toffoli era atacado.
Soaria um garantismo benfazejo não fosse o ministro Gilmar quem é.
O jabuti do Ministro.
A quem se interessar no quanto pode haver de “jabuti em árvore” nas tais declarações, recomendo o artigo do jornalista Luis Nassif – ”O xadrez de Toffoli e o fruto da árvore envenenada”. Didático.
O novo mostro
A mim tais declarações assustaram.
Não por elas em si, mas o pelo que tem de confirmação de algo que, não por coincidência, comentei recentemente neste espaço:
A Lava Jato e o Judiciário e a Polícia Federal antipetistas são o novo DOI-CODI. Na Ditadura de 64, com o aniquilamento das forças resistentes ao golpe, a “comunidade de informações” tornou-se um poder dentro do poder.
O mesmo deverá ocorrer com a Lava Jato ao fim do expurgo petista. Com um agravante, não há disciplina militar aplicável ao Ministério Público.
Com o PT roído até os ossos, com as carnes de quem a “tigrada” será mantida saciada?
Ao de premonitório? Nem tanto.
É hora dos juízes voltarem aos tribunais
O novo tempo da Lava Jato?
O ministro Gilmar é um dos homens mais poderosos do que sobra da nossa República. Se vai para os jornais combater a Lava Jato é porque não conseguiu internamente contê-la.
E porque buscaria contê-la agora, depois de uma vintena de operações tradicionalmente seguidas de vazamentos seletivos?
Talvez porque a Lava Jato, agora com o golpe consumado, não esteja querendo dançar como toca a banda na qual o ministro bate o bumbo.
Lava Jato – cenas dos próximos capítulos
Por certo não seremos convidados para o baile, mas será interessante assistirmos aos passos da quadrilha.
Por esperado, pisões em calos e mão boba descendo abaixo da linha da cintura.
PS.: Oficina Concertos Gerais e Poesia – um lugar onde a alegria de palhaço é ver o circo pegar fogo
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