4 de junho de 2026

O ministro Gilmar e a contradança da Lava Jato

O ministro Gilmar é um dos homens mais poderosos do que sobra da nossa República. Se vai para os jornais combater a Lava Jato é porque não conseguiu internamente contê-la.

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Moro e Gilmar

Na Folha de São Paulo de 23 de agosto de 2016 uma entrevista do ministro Gilmar Mendes causou espécie. Referindo-se a forma de investigação da Operação Lava Jato, saiu-se com estas:

“Já estamos nos avizinhando do terreno perigoso de delírios totalitários. Me parece que [os procuradores da Lava Jato] estão possuídos de um tipo de teoria absolutista de combate ao crime a qualquer preço

Eles estão defendendo até a validação de provas obtidas de forma ilícita, desde que de boa-fé. O que isso significa? Que pode haver tortura feita de boa-fé para obter confissão? E que ela deve ser validada?

Não é de se excluir que isso esteja num contexto em que os próprios investigadores tentam induzir os delatores a darem a resposta desejada ou almejada contra pessoas que, no entendimento deles, estejam contrariando seus interesses”.

Mendes pronunciava-se no vácuo de um vazamento de uma delação premiada que se tornou capa e matéria da revista Veja onde o seu colega de STF, o ministro Dias Toffoli era atacado.

Soaria um garantismo benfazejo não fosse o ministro Gilmar quem é.

O jabuti do Ministro.

A quem se interessar no quanto pode haver de “jabuti em árvore” nas tais declarações, recomendo o artigo do jornalista Luis Nassif  – ”O xadrez de Toffoli e o fruto da árvore envenenada”. Didático.

O novo mostro

A mim tais declarações assustaram.

Não por elas em si, mas o pelo que tem de confirmação de algo que, não por coincidência, comentei recentemente neste espaço:

O fim da Lava Jato

A Lava Jato e o Judiciário e a Polícia Federal antipetistas são o novo DOI-CODI. Na Ditadura de 64, com o aniquilamento das forças resistentes ao golpe, a “comunidade de informações” tornou-se um poder dentro do poder.

O mesmo deverá ocorrer com a Lava Jato ao fim do expurgo petista. Com um agravante, não há disciplina militar aplicável ao Ministério Público.

Com o PT roído até os ossos, com as carnes de quem a “tigrada” será mantida saciada?

Ao de premonitório? Nem tanto.

É hora dos juízes voltarem aos tribunais

O novo tempo da Lava Jato?

O ministro Gilmar é um dos homens mais poderosos do que sobra da nossa República. Se vai para os jornais combater a Lava Jato é porque não conseguiu internamente contê-la.

E porque buscaria contê-la agora, depois de uma vintena de operações tradicionalmente seguidas de vazamentos seletivos?

Talvez porque a Lava Jato, agora com o golpe consumado, não esteja querendo dançar como toca a banda na qual o ministro bate o bumbo.

Lava Jato – cenas dos próximos capítulos

Qual o futuro da Lava Jato?

Por certo não seremos convidados para o baile, mas será interessante assistirmos aos passos da quadrilha.

Por esperado, pisões em calos e mão boba descendo abaixo da linha da cintura.

 

PS.: Oficina Concertos Gerais e Poesia – um lugar onde a alegria de palhaço é ver o circo pegar fogo

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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