Comentário do post “O Xadrez do pacto com Temer ou com Dilma“

Por ML
O pacto é possível? Vou arriscar algumas especulações.
No plano interno, o golpe tem três eixos ou grupos: (1) o político/corrupto; (2) o judiciário (com todas as suas heterogeneidades); e (3) o do grupo mercado/grande mídia. Quando falo em grupos, não me refiro a grupos de pessoas claramente demarcados, pois há indivíduos que participam de vários grupos. Penso em conjunto de interesses mais ou menos demarcados.
Por cima deles, o grande jogo geopolítico, que fornece informações e apoio aos três grupos, explora suas contradições, usando-os para obter o controle do pré-sal e eliminação do B dos Brics.
Os interesses e contradições dos três grupos resultaram no golpe, que pareceu, a alguns dos participantes desses grupos, uma saída para superar interesses distintos.
O grupo judiciário parece-me complicado. Ele é fortemente heterogêneo e apresenta feições ideológicas bastante distintas. Os que os une e permite caracterizá-los como grupo é o desejo de um poder que esteja acima da política, que desprezam, e mesmo da democracia, da qual desconfiam.
O grupo político/corrupto luta desesperadamente por sobrevivência. Para tanto, topa qualquer aliança. Acreditou que, cedendo tudo o que o grupo mercado/grande mídia exigia, sobreviveria. Mas, isso exige que o grupo do judiciário seja neutralizado. Sua sobrevivência é, portanto, incompatível com os interesses do grupo do judiciário.
O grupo mercado/grande mídia quer o controle do estado, pois o neoliberalismo, ao contrário do que muitos ainda pensam, não quer o estado mínimo: ele precisa e quer um estado forte a serviço dos seus interesses. Desregulamentação do mercado de trabalho, apropriação do fundo público e das empresas estatais (pontos muito importantes), etc. exigem um estado autoritário, que imponha permanentemente à sociedade o que o mercado quer. Para controlar o estado, esse grupo aceitaria perfeitamente conviver com o grupo político/corrupto, se fosse necessário, desde que este ceda no principal: o controle total da área econômica e as reformas neoliberais. Dos três grupos, este é o mais coeso e coerente.
Para o Brasil, como nação democrática, os três grupos são altamente danosos. Mas o grupo mercado/grande mídia é, inclusive por seus objetivos, coesão e coerência, o mais perigoso.
Executada a primeira fase do golpe, as contradições emergiram. O grupo do judiciário reagiu fortemente, pois percebeu que os seus interesses estavam ameaçados pela aliança dos dois outros grupos. Atacou o ponto mais frágil: o grupo político/corrupto. Vai destruí-lo. É inevitável.
O que vimos na última semana? Uma tentativa clara da mídia de separar as duas faces do governo golpista: a “face boa”, ou seja, a turma do mercado; e a face corrupta, que alguns julgam que pode ser mais ou menos descartada. Mas será verdade? O problema é que o grupo mercado/grande mídia não pode prescindir de algum grupo político, e não parece ter algo à mão a não ser o Temer. Cumpre, portanto, protegê-lo (por enquanto), levando-o, na medida do possível, a descartar as figuras mais notórias da corrupção. Enquanto o grupo mercado/grande mídia estiver imune a quaisquer ações do grupo do judiciário e tiver alguns prepostos políticos, ele não tem razões para fazer algum pacto. É claro que o acirramento da crise econômica pode reverter essa situação. É por isso que seria altamente benéfico para a democracia que surgissem denúncias contra o mais forte dos três grupos.
Por que um golpe que envolve interesses tão dispares não foi ainda derrotado? Bem, por um lado, temos a força do grupo mercado/grande mídia. A grande mídia, em particular, convenceu uma classe média desesperada e abobalhada que os interesses desta coincidem com os do mercado. Por outro, a fraqueza da oposição ao golpe. O PT, que poderia em tese organizar a resistência, está em cacos, devido a dois fatores principais: é suscetível aos ataques do grupo jurídico; não consegue articular um discurso claro, pois contra ele pesam as alianças passadas com o grupo do mercado. O que temos, então, é uma resistência corajosa porém difusa de intelectuais, artistas, da juventude, de velhos militantes da luta contra a ditadura, da imprensa alternativa, de algumas figuras expressivas do PT, de partidos pequenos, como o PSOL e de alguns políticos lúcidos porém isolados, como o Roberto Requião.
Marcos Carvalho
19 de junho de 2016 6:28 pmAcrescente o grupo religioso conservador.
Acrescente o grupo religioso conservador e teremos os quatro cavaleiros do apocalipse.
Jorge L. Pinto
19 de junho de 2016 6:37 pmFotografia do momento
Fotografia do momento extremamente lúcida e interessante.
Resta saber quem vai pendurar o sino no pescoço da onça, ou seja, fazer com que a mídia informe aos “abobalhados” quem é o grupo rentista/entreguista (psdb), quem eles realmente são e representam…
Jose de Almeida Bispo
19 de junho de 2016 6:55 pmO Golpe é coordenado pelos
O Golpe é coordenado pelos irmãos Marinho da Globo, apoiados em José Serra, Eduardo Cunha, Gilmar Mendes, Janot, e Sérgio Moro; sob encomenda e garantias do Departamento de Estado americano, a quem os irmãos Marinho e seu conglomerado Globo servem e obedecem.
Tudo o mais vem a reboque
Jadir Rocha
19 de junho de 2016 8:28 pmSerá que os midiotas(
Será que os midiotas( trouxinhas), a favor do golpe, estão percebendo o quanto foram manipulados ou enganados pela grande mídia brasileira(Glob, Veja, Folha, Estadão, etc)
Euler Conrado
19 de junho de 2016 7:37 pmFaltou indicar o grupo
Faltou indicar o grupo externo, dos EUA, da CIA, de interesses imperialistas, que controla pelo menos dois destes três grupos: o do mercado/mídia golpista e do aparato estatal – judiciário, MP e PF. E também uma fração do grupo político, via PSDB de Serra, FHC e Aécio, claroamente ligados a interesses imperialistas. O juiz Moro, sua equipe e sua ação não foram criados a partir do Brasil, mas dos EUA. Boa parte desses grupos de protesto, idem. A Globo, ora, ora, a Globo é o que sempre foi: braço armado do imperialismo / colonialista encravado no Brasil. A pressão popular, só ela, poderá abortar o processo golpista em curso no Brasil.
ML
19 de junho de 2016 8:58 pm“Por cima deles, o grande
“Por cima deles, o grande jogo geopolítico, que fornece informações e apoio aos três grupos, explora suas contradições, usando-os para obter o controle do pré-sal e eliminação do B dos Brics.”
emerson57
19 de junho de 2016 9:08 pmfaltou
“O problema é que o grupo mercado/grande mídia não pode prescindir de algum grupo político, e não parece ter algo à mão a não ser o Temer.”
Na categoria “faltou” devemos relacionar os santos governadores de estado que são os chefes da polícia militar, sempre solicita com a repressão, em seus estados.
Gente boa, alinhada com o golpe, como o Richa, Auquimin, etc.
Monier.,.,.,
19 de junho de 2016 9:17 pmSem dúvida que o grupo
Sem dúvida que o grupo externo atua, impondo sua ideologia pela cooptação das instituições. Como exemplo, acabaram de passar nada menos do que um Código de Processo Civil, capitaneado por ministro de tribunal superior, e inteiramente baseado nos seus modelos jurídicos de precedentes e negociação privada. Ninguém foi corrompido, eles foram convencidos de que estão praticando o auge da civilização em termos de ciência jurídica. E assim estamos declaradamente migrando para um sistema jurídico americano. E no Penal já temos as delações premiadas da promotoria negociadora de filmes policiais. Se há quinze anos discutia-se a entrada de grande escritórios americanos no mercado da colônia e há 10 anos tiravam o véu que ocultava a formação de parcerias com algumas bancas brasileiras, então agora o treinamento de mão de obra vai ficar barato. São eles os especialistas em um sistema de precedentes, com treinamento, ferramentas e pesquisa prontas. Nossos especialistas passarão à mera gerência da filial, como em todas as outras indústrias rentáveis.
Mas o que me espanta é chamar de heterogêneo o Judiciário, como se fosse má característica. Ao contrário, o Judiciário tem que ser heterogêneo: branco, preto, amarelo, índio, capitalista e trabalhista, esquerdista e conservador – exatamente como está diagnosticado. A seleção de pessoas tem que ser ainda mais heterogênea, no limite coincidindo com as tabelas do IBGE. Quem vai definir o interesse que prevalece é o Legislativo, depois do embate político, legitimado pela eleição, através da formulação da Lei a ser aplicada. Ocorre que um espaço imensurável vai ficar na interpretação, que sempre será individual, e sempre será da cor do intérprete. O radicalismo do indivíduo vai ser atenuado no órgão colegiado, cujo representante máximo é o STF. Que tem sofrido do mesmo individualismo com suas liminares, mostrando os limites do sistema quando o voluntarismo entra em cena. O texto não diz expressamente quem é o Judiciário que está nesse bloco, mas é evidente que estamos pensando no Janot, sua assessoria, os procuradores de Curitiba, Moro e Teori. Esse grupo parece ser razoavelmente homogêneo quando se fala do marco maior que é a ideologia. Nas minúcias da preferência partidária, dos costumes, da opção pelo progresso ou pela conservação, pelo crescimento ou a desigualdade, surgem as pequenas diferenças. Estamos falando de não mais do que dez pessoas, enquanto o bloco da mídia velha tem seis. Portanto, dizer que o Judiciário é heterogêneo deveria ser elogio, não crítica, e deveria ser incentivado. Quanto mais colegiado no Judiciário, melhor.
ML
20 de junho de 2016 4:23 pmMonier, alguns
Monier, alguns esclarecimentos.
Não houve intenção de apresentar a heterogeneidade como uma má característica do judiciário (e não me referi ao judiciário como instituição). Destaquei a heterogeneidade das ideias de alguns membros do judiciário (que ganharam destaque nos recentes acontecimentos) porque me parece que isso dificulta a própria definição de um grupo.
Em nenhum momento afirmo que os membros desse grupo foram corrompidos ou sequer que tramaram um golpe. Concordo perfeitamente que foram convencidos que estão praticando “o auge de civilização em termos de ciência jurídica”.
Por fim, em relação à mídia, não penso apenas nos proprietários dos grandes jornais, etc., mas também nos vários jornalistas que, a meu ver, tiveram uma atuação muito importante na fomentação do impedimento.
Aristeu Alves Lima
19 de junho de 2016 7:53 pmTrês pragas para destruir o Brasil
E onde entra o segmento nacionalista das Forças Armadas nesta história de horror?
Gilson AS
20 de junho de 2016 12:16 amEstão batendo continência
Estão batendo continência para os golpista, corroborando a atitude desse grupo, como pode ser visto na foto abaixo.
Babi.
19 de junho de 2016 8:05 pmSeminário Mídia e Crise Brasileira: Franklin Martins
[video:https://www.youtube.com/watch?v=x0fclxPY3Jo%5D
Maximilien
19 de junho de 2016 8:15 pmQuilhotina em todos eles!
Quilhotina em todos eles!
Joaquim Aragão
19 de junho de 2016 9:07 pmAfinal, quem é esse “mercado”?
Acho a análise ainda um pouco grosseira. No termo mercado, que seria o “mais perigoso”, não estão diferenciados grupos que, potencialmente, poderão ter visões e interesses dispares. Podemos dizer que o setor bancário terá forçosamente o mesmo interesse do que o da construção, da industria e do agronegócio?
Pode-se afirmar, sim, que os mais diversos setores estão, até agora, unidos na ojeriza contra o PT e a Dilma. Seja por razões psicosociais competentemente criadas pela midia, seja pelas más conduções da Dilma.
Entretanto, pode-se observar que o setor produtivo nacional não sairá ganhando, eis que a globalização conduzida pelo setor financeiro está sendo construida para dezimar as empresas nacionais. O setor de construção já se sente alijado da grande festa redistributiva, mas ainda está iludido com relação em quem apostar. De uma maneira geral, o bandeira do ‘fim da bolsa-empresário” irá castigar todo setor da nossa economia real nacional.
Como tenho alegado nos meus artigos publicados na última semana, o âmago econômico da crise econômica que atinge o mundo todo é o esgotamente dos paradigmas do Século XX: tanto o keynesianismo quanto o monetarismo não conseguem mais colocar em marcha o crescimento de forma sustentável. Expus ao longo do artigo, escrito em quatro partes, uma alternativa adequada para o século XXI.
Escrevi essa alternativa de forma a ser consensuável. Entretanto, ela exige uma radical mudança cultural de todos os blocos políticos que estejam efetivamente interessados em reconstruir um consenso democrático e desatolar a economia, de forma nacionalmente afirmativa.
O nó reside exatamente na capacidade do bloco democrático atrair para si a parte do empresariado produtivo ainda reticente ao diálogo e capturado pelo bloco golpista.
Por isso acho que classificações políticas grosseiras poderão prejudicar esse esforço. Vamos ser mais precisos!
As URL´s do meu artigo, em 4 partes:
https://jornalggn.com.br/noticia/chutando-o-balde-do-seculo-xx-parte-1-por-joaquim-aragao
https://jornalggn.com.br/noticia/chutando-o-balde-do-seculo-xx-parte-2-por-joaquim-aragao
https://jornalggn.com.br/noticia/chutando-o-balde-do-seculo-xx-parte-3-por-joaquim-aragao
https://jornalggn.com.br/noticia/chutando-o-balde-do-seculo-xx-parte-4-por-joaquim-aragao
Babi.
19 de junho de 2016 9:09 pmE a lava-jato…
Lava Jato e Zelotes geraram mais de 1 milhão de desempregados no país, diz Estadão
junho 18, 2016 por esmael | 24 Comentários
Levantamento dos repórteres Fernando Scheller e Mônica Scaramuzzo aponta que as 32 companhias com ações abertas na Justiça Federal ou com inquéritos públicos nas duas operações da Polícia Federal têm uma receita combinada de aproximadamente R$ 760 bilhões.
O montante envolvido nessas empresas investigadas equivale a 14% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
A quebradeira relatada pelo Estadão, neste sábado (18), já fora cantada em verso e prosa pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início de março passado.
Depois de conduzido coercitivamente para depor na PF, há três meses, atribuiu ao magistrado ao juiz federal Sérgio Moro a crise econômica que assola o país.
Acerca das duas operações
A Zelotes deflagrada pela Polícia Federal em março de 2015, investiga um dos maiores esquemas de sonegação fiscal já descobertos no Brasil.
Já a Lava Jato tem como objeto a investigação de propina envolvendo empreiteiras que prestam serviço na Petrobras.
http://www.esmaelmorais.com.br/2016/06/lava-jato-e-zelotes-geraram-mais-de-1-milhao-de-desempregados-no-pais-diz-estadao/
A vida no bairro milionário onde delator acusado na Lava Jato vai ficar preso
Por BBC |
18/06/2016 17:22- Atualizada às 18/06/2016 17:24
Ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado acusou mais de 20 políticos em repasses que podem chegar a R$ 100 milhões
Ruas de condomínios fechados e mansões, todas com câmeras e seguranças à espreita. Nas calçadas cercadas por muros altos, passa só um ou outro carro de luxo. Ao redor das quadras milionárias, favelas se acumulam.
O bairro Dunas, em Fortaleza, uma das áreas mais nobres – e desiguais – da cidade, será o cenário da prisão domicilar de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro que em seu acordo de delação premiada na operação Lava Jato acusou mais de 20 políticos dos principais partidos brasileiros em repasses que, segundo ele, totalizam R$ 100 milhões.
Machado, que relatou ter passado recursos ilícitos para nomes de diversos partidos, vai inicar nos próximos dias o cumprimento de três anos de pena em sua casa.
O delator passará seus dias em uma mansão com piscina e quadra poliesportiva, construída num terreno de cerca de 3.000 m² e cercada por outras construções de alto padrão. Segundo corretores imobiliários de Fortaleza, imóveis na mesma região, com piscina e metragem semelhante (entre 2.500 m² e 3.000 m² de área total), custam de R$ 10 milhões a R$ 12 milhões.
Entre os vizinhos de Machado está Tasso Jereissati (PSDB-CE), o senador eleito com maior patrimônio declarado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral): quase R$ 400 milhões.
De acordo com uma moradora do bairro, que não quis se identificar, a vizinhança é composta por “médicos, advogados e muito promotor”, “gente de influência, mas muto discreta”.
O perfil “nobre”, como define a moradora, faz com que boa parte dos que vivem ali tenham segurança particular e evitem andar na rua – entre eles, Sergio Machado. As calçadas ficam vazias na maioria do tempo por causa do medo de assaltos, segundo relatos feitos à BBC Brasil.
Em 2012, a associação local planejou pagar por um sistema de monitoramento orçado em R$ 750 mil para garantir a própria segurança.
A poucos metros da Praia do Futuro, ponto turístico da cidade, o bairro faz fronteira com barracos.
“Ninguém tem coragem de ficar andando na rua. Só quem anda são as pessoas da comunidade, onde sabemos que tem muito bandido. Por isso, quem é assaltado são os funcionários”, diz a moradora.
Segundo ela, parte dos vizinhos quer a desocupação das favelas, que estariam poluindo uma lagoa próxima. “A gente tentou cercar para que ninguém tivesse acesso à lagoa e parte da cerca foi colocada pelo shopping Rio Mar (próximo ao bairro); não terminaram porque teriam de passar no meio das favelas.”
Reunião na paróquia
O único momento de reunião dos vizinhos acontece na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, onde vão, de carro, para a missa. Os membros da família Jereissati são comumente vistos nas celebrações, conta uma funcionária da igreja.
“Na paróquia, é onde o pessoal se encontra. É um bairro de condomínios fechados, não tem gente andando, você só vê os carros. Não tem uma pracinha para socializarem.”
A falta de convivência faz com que muitas pessoas da região não saibam que Sérgio Machado tem uma casa ali. Um vendedor de uma loja a três quarteirões da mansão de Machado, na Praia do Futuro, só descobriu pelo jornal quem o delator era.
“Só soube que ele era do Ceará pela televisão. Não se sabe muito de quem mora daquele lado.”
Separados por dunas, o bairro rico e a praia são bem diferentes. Enquanto o primeiro é estritamente residencial, o segundo tem comércios e pequenas empresas, além de imóveis muito mais baratos – é possível comprar um apartamento por R$ 200 mil.
Quem sabia da mansão do delator desconhecia que sua prisão domiciliar seria em Dunas. Para alguns, a notícia pode até ser boa.
“Não sei se vai ter gente da polícia ou nos seguranças dele junto, mas acho que um lugar mais movimentado acaba sendo mais seguro.”
Critérios da prisão domiciliar
Machado poderá ser condenado a até 20 anos de prisão, mas sua delação premiada, homologada pelo ministro do STF Teori Zavascki, prevê que a pena será cumprida em casa em pouco mais de três anos – dois anos e três meses em regime fechado diferenciado e nove meses em regime semiaberto).
Paulo Sérgio de Oliveira, professor de processo penal e um dos coordenadore do IBCCrim (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais), explica que a diminuição da pena faz parte da “troca de favores da delação premiada”. Se o delator der informações valiosas à investigação, ele pede ou o Ministério Público oferece contrapartidas que podem ir até à anulação da pena.
“É um acordo entre as partes. A delação acaba gerando uma anomalia jurídica, porque isso não existiria fora dela.”
Segundo Oliveira, a prisão domiciliar é aplicada normalmente para crimes sem violência, cuja condenação não ultrapassa quatro anos de prisão. Outras possibilidades são quando o réu tem idade avançada, está muito doente ou precisa ficar em casa para cuidar de um parente, por exemplo.
Ele diz que, em todos os casos, o padrão da residência não é levado em consideração. “A condição de moradia é irrelevante: se mora num casabre ou numa mansão. Não pode é sair de casa.”
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2016-06-18/a-vida-no-bairro-milionario-onde-delator-acusado-na-lava-jato-vai-ficar-preso.html
arkx
19 de junho de 2016 10:46 pmrecomeço (3)
-> “É por isso que seria altamente benéfico para a democracia que surgissem denúncias contra o mais forte dos três grupos.[o grupo mercado/grande mídia]”
é exatamente como o lança-chamas da Lava Jato, usado a serviço da restauração da Democracia, pode incinerar instantaneamente este grupo: basta investigar as doações de campanha feitas pelos banqueiros.
os banqueiros obtém o retorno de seu investimento nas campanhas eleitorais através da Selic, dos swaps cambiais, do spread bancário e da política econômica voltada para os interesses do mercado financeiro. seus operadores são o Copom, o BC e o Ministério da Fazenda, fazendo com que cerca de 45% do orçamento público se destine ao pagamento de juros (link).
o limite da investigação em curso na Lava Jato são as contradições intrínsecas do capitalismo: financeirização e oligopolização. a contradição interna da Lava Jato é que sua investigação desemboca na constatação que a corrupção sistêmica é endógena ao capitalismo. e não pode ser corrigida, portanto, pela via policial ou judicial. requer uma solução política.
“O dinheiro que eles [os indiciados na Lava Jato] se dispõe a devolver à Justiça é algo assustador. Fulano vai devolver R$ 90 milhões, o outro vai devolver não sei quantos milhões. Peraí, que tipo de gente é essa? Enquanto nós estamos aqui falando de Recursos para Minha Casa, Minha Vida, prá Bolsa Família, e essas pessoas acham que é um absurdo, um desperdício de dinheiro?! ”
Eugênio Aragão, palestra realizada na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, 13/06/2016 (link)
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Joaquim Aragão
19 de junho de 2016 11:49 pmTudo bem, mas…
A questão se eles estão envolvidos ou não, as quantidades que serão (?) devolvidas é uma coisa. A espetacularização do escandalo, agora batendo nas empresas, não garante a ruptura do bloco golpista. Se a coisa pegar, os meninos valentes serão colocados nos devidos lugares.
A chance da derrota do golpe depende basicamente se podemos isolar parte do setor produtivo do bloco que o sustém, especialmente aquela que perdeu com os abusos dos Batmans. Existe, sim, uma estratégia de quebrar a nossa industria, e reduzir o País a uma colônia.
Não podemos esquecer que Lula conseguiu ascender ao governo e nele se manter na medida em que conseguiu, por meio da aliança com o José Alencar, trazer para a aliança a industria. Isso tem de ser restaurado, a qualquer preço.
A essa altura, não adianta insistir num bom figurino nos livros de História (que serão sempre escritos pelos vencedores), o essencial é dar boas razões aos setores empresariais para a reconstrução do pacto desenvolvimentista.
Senão, ficaremos apenas nas lamentações e nas acusações classistas. Enquanto isso, voltaremos ao Século XIX.
arkx
20 de junho de 2016 11:39 ammarca de nascença
sua réplica aborda os principais eixos não apenas dos impasses da crise como do imenso dilema brasileiro.
->”Existe, sim, uma estratégia de quebrar a nossa industria, e reduzir o País a uma colônia.”
sem dúvida que sim. só que -> este também sempre foi o projeto do setor dominante brasileiro. mais especificamente, de sua fração hegemônica: banqueiros, rentistas e exportadores de commodities.
->”o essencial é dar boas razões aos setores empresariais para a reconstrução do pacto desenvolvimentista”
qual melhor razão do que um poderoso mercado interno de massas, complementado por uma lucrativa internacionalização de seus negócios? mas eles não querem! qual associação empresarial que de fato tem uma proposta de política industrial para o país? veja o fiasco da FIESP que plagiou até o pato de sua campanha pró golpe. a elite empresarial brasileira almeja viver perenemente da sonegação, dos incentivos, da desonerações, do superfaturamento, dos aditivos e da super exploração do trabalho. desculpe o tom, mas eles não querem PORRA nenhuma. não tem visão estratégica e muito menos projeto de país. são mauricinhos nerds fazendo enxoval de bebê em Miami, com um profundo desprezo pelo Povo e pela Nação.
é a marca de nascença da burguesia brasileira: o latifúndio exportador, as empresas de importação, o grande comércio e a burguesia imigrante, este foi o núcleo da burguesia industrial nascente, estão todos desde então intimamente conectados.
sem mais me alongar, no momento
abraços
p.s.: ainda não li sua série de artigos “Chutando o balde…do Século XX”. são muito densos para apenas uma leitura rápida. fiz o download.
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Clever Mendes de Oliveira
20 de junho de 2016 1:33 amDesenvolveu o comentário ainda melhor do que eu esperava
ML,
Há um comentário meu para você junto ao post “Recessão alimenta a criação de monstros da intolerância, por Laura Carvalho” de quinta-feira, 28/04/2016 às 14:39, que creio vale a pena você dá uma conferida, principalmente pelos links que eu deixo lá indicados. O endereço do post “Recessão alimenta a criação de monstros da intolerância, por Laura Carvalho” é:
https://jornalggn.com.br/noticia/recessao-alimenta-a-criacao-de-monstros-da-intolerancia-por-laura-carvalho
Lá no post “Recessão alimenta a criação de monstros da intolerância, por Laura Carvalho”, você diz apenas o seguinte:
“A Laura é um oásis de racionalidade e integridade entre os colunistas econômicos.”
Eu não fui muito efusivo em dizer que concordava com você porque sua frase era muito curta e eu havia considerado que a Laura Carvalho havia cometido duas pequenas falhas no arrazoado dela. Uma falha de natureza formal ao não deixar o link para um artigo que ela menciona e que trata do crescimento da direita em época de crise econômica e uma falha de análise ao responsabilizar a recessão provocada pela política econômica do segundo governo da presidenta Dilma Rousseff como a causa do crescimento da direita e trazendo como consequência o próprio impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
Faço menção ao post com o artigo de Laura Carvalho e ao meu comentário porque considero que para a análise do momento atual da realidade política brasileira é imprescindível conhecer esse dado estatístico do crescimento da direita em época de crise econômica no mundo.
Em meu comentário enviado quinta-feira, 28/04/2016 às 20:45, para o seu enviado às 15:40, também na quinta-feira, 28/04/2016, não só deixo o link para o artigo do qual Laura Carvalho apenas menciona os autores como também observo que o impeachment é obra do Congresso Nacional que foi eleito em 2014, antes, portanto, da crise de 2015. Não que o Congresso Nacional derrubaria a presidenta Dilma Rousseff se ao contrário da crise econômica o país estivesse crescendo a taxas elevadas. Só que a Laura Carvalho pesou a mão muito em atribuir a culpa pelo impeachment à presidenta Dilma Rousseff.
Dei a este comentário o título “Desenvolveu o comentário ainda melhor do que eu esperava” porque embora eu contasse com um bom comentário seu pelo parágrafo inicial que aparecia na página do blog, eu tinha um pouco de crítica em relação a sua formatação dos três grupos. E considerei que você deu um bom desenvolvimento ao parágrafo inicial porque o restante do que constituiu o seu post veio recheado de preciosidades como o trecho que transcrevo a seguir em que você trata do grupo judiciário. Segundo você:
“O que os une e permite caracterizá-los como grupo é o desejo de um poder que esteja acima da política, que desprezam, e mesmo da democracia, da qual desconfiam”.
Ou então este outro trecho tratando do neoliberalismo. Diz você:
“O grupo mercado/grande mídia quer o controle do estado, pois o neoliberalismo, ao contrário do que muitos ainda pensam, não quer o estado mínimo: ele precisa e quer um estado forte a serviço dos seus interesses.”
Então eu só tinha de gostar do desenvolvimento de suas ideias de modo bem próximo ao que eu penso. A minha resistência assim em relação aos três grupos que você delineou ficou bastante arrefecida. De todo o modo ainda não considerei apropriado você ter delimitado o primeiro grupo com a denominação de grupo político/corrupto. Creio que a denominação desse grupo deveria ser grupo político de direita. Uma parte desse grupo político de direita é de corrupto, mas não creio que necessariamente todo esse grupo deva ser assim tomado.
É claro que você pode partir da ideia que no mundo em que o ser humano vive em sociedade, a opção pelo individualismo e não pela solidariedade é uma corrupção da humanidade que cada um deveria ter em si. Assim, ser de direita é basicamente ser corrupto em um sentido lato. É como se diz a respeito de um banqueiro: “qual a diferença entre quem funda um banco e quem rouba um banco”.
Você também tem razão em especificar um grupo com um interesse imediato e que seria o político corrupto que quer ver o fim do Lava Jato. Ainda assim, embora quase todos políticos hoje sejam corruptos com a nova interpretação da corrupção no julgamento da Ação Penal 470 que transformou o crime de caixa dois em crime de corrupção quando se trata de caixa dois recebido por funcionário público (político) que tem na sua área de competência uma gama de poderes muito grande, creio que não se deve fazer só a qualificação de político corrupto para um dos grupos que tiveram interesse no golpe.
Ou se muda o nome para grupo político de direita ou se cria um quarto grupo que seria este de político de direita que teve muito interesse no golpe. Até porque ao referir-se só ao político corrupto fica parecendo aquela crítica da direita e que a esquerda também esposa de considerar todos os políticos como corruptos e que é uma crítica que apenas desmerece quem a alega. A sua alegação de que o judiciário despreza a política não é só válida como ela deve ser vista como uma crítica ao judiciário. Desprezar a política é desprezar a mais importante atividade humana que é a política.
Também tenho restrição a se colocar junto mercado e grande mídia. É bem verdade que a grande mídia precisa de financiamento do sistema financeiro e pode ser vista como uma extensão desse setor, dado o grau de endividamento com que a grande mídia normalmente trabalha. Recentemente eu deixei um link para um trabalho que mostrava essa correlação entre a grande mídia e o setor financeiro. Ver a este respeito meu comentário enviado sábado, 28/05/2016 às 02:13, para Patricia Faermann, junto ao post “Em gravação, Renan expõe influência de jornais na Lava Jato” de quarta-feira, 25/05/2016 às 17:36, aqui no blog de Luis Nassif e com matéria jornalista de Patricia Faermann. O endereço do post “Em gravação, Renan expõe influência de jornais na Lava Jato” é:
https://jornalggn.com.br/noticia/em-gravacao-renan-expoe-influencia-de-jornais-na-lava-jato
Agora mercado e mídia só se assemelham porque são ambos compostos por empresas capitalistas. Ocorre que a matéria prima das empresas que vendem bens e serviços é limitada e a demanda também é relativamente limitada. Há muito de exagero dizer que o grande problema da economia é recursos finitos e necessidades infinitas uma vez que confinado pelo tempo e pelo próprio organismo, o ser humano não consegue consumir infinitamente de um bem ou serviço.
Essa regra do ser humano já satisfeito com os bens e serviços que ele pode consumir não é válido quando esse bem é a informação. A mídia vende opinião e fatos. E ela não precisa produzir opinião e fatos à exaustão. Primeiro porque opinião e fatos já existem à exaustão. E segundo, porque principalmente em relação a opinião, o consumidor é insaciável e só é insaciável se a opinião que ele compra é semelhante a opinião que ele já possui. Tudo que a mídia precisa saber é qual é a opinião das pessoas para então vender aquela opinião. E vende também o espaço onde ela emite aquela opinião.
Aliás é por essa razão de as pessoas interessarem pelo meio que emite a opinião que elas já defendem que os blogs têm-se tornado nichos de um grupo pequeno. Um dos grandes esforços de Luis Nassif, e o empresário da mídia também atua de modo semelhante, é buscar assuntos polêmicos ou lançar opiniões polêmicas para que pessoas com opiniões diferentes possam se expressar e assim trazer um grupo mais heterogêneo para acompanhar o blog.
Esse meu entendimento vai contra a idéia que se propaga de que a opinião pública é fruto da opinião publicada e que, portanto, é a mídia que molda as pessoas. Para mim, a cultura popular é algo construído de longa data e que a mídia não tem condições de alterar. A mídia se molda para parecer com a cultura popular. Quanto mais a mídia parecer com a cultura popular mais aquela mídia é atrativa para aquela cultura.
Assim penso que o grupo mercado e o grupo mídia devam vir separados. Agora entendo que eles sejam colocados juntos sob o fundamento de que os dois são compostos por empresários e como a força motriz do empresário é a acumulação de capital e tal acumulação só é possível ser feita utilizando o trabalho alheio, há uma tendência do empresário ser de direita. Se o empresário não for um acumulador de capital ele tende a desaparecer do mercado.
Só que ao colocar junto mercado e grande mídia você não dá destaque ao que eles têm mais em comum e que é de ser necessariamente de direita. E tendo como característica básica de ser de direita, este grupo deveria ser integrado também pelo cidadão de direita. Ou então que se forme a partir desse terceiro grupo três grupos: o grupo do mercado, o grupo da grande mídia e o grupo do cidadão de direita.
E o que eu mais gostei no seu texto foi apresentar o pacto como uma ação entre amigos que não confiam muito entre si.
Sempre fui contra os pactos pelo cerne fascista de união nacional que todos eles clamam. Há casos de pactos no mundo que foram feitos pela esquerda e que eu não os acusaria de fascista (o feito com êxito pelo chanceler Bruno Kreisky na Áustria na década de 70, o que foi feito na Inglaterra sob o comando de James Callaghan também na década de 70, mas foi derrotado pela Margaret Thatcher, e o pacto de Mancloa na Espanha que originalmente foi proposto pela direita mas contou com o apoio da esquerda), mas em geral o germe de união nacional que fermenta esses pactos é o mesmo que alimenta o fascismo.
Participar deste pacto ainda mais com base em uma proposta de eleição geral é o maior tiro no pé que a esquerda pode dar. O único fator a ajudar a esquerda em uma eleição geral no atual momento é o fato que agora o financiamento de campanhas políticas por empresa estaria proibido. Não se pode esquecer, entretanto, que esse Congresso Nacional por mais de direita que seja foi eleito em 2014, quando a recessão não era tão grave. E mais ainda, o atual Senado Federal tem dois terços dos seus membros eleitos na eleição de 2010, daí um caráter menos conservador do Senado Federal na atual legislação.
O pior é que há um grupo de esquerda autoritário que vê no pacto com eleições gerais uma possibilidade de substituir a democracia brasileira por um sistema político que consiga extirpar do parlamento a representação mais popularesca da direita (a da bíblia, a da bala e a do boi) ou fazer essa representação perder força política. Esse grupo da esquerda mais autoritário conta até com o judiciário naquela parte que segundo você desconfia da democracia, para desfechar esse golpe contra a democracia.
Eu sou contrário a esses que tentam emascular a democracia brasileira porque considero que a nossa democracia é um avanço muito grande. Ela é fruto de uma época específica, com a circunstância do Plano Cruzado que destruiu nossa economia, mas nos deu uma Constituição de vanguarda. É bem verdade que a nossa democracia precisa evoluir, mas há que ter paciência porque essa evolução é muito lenta, pois a evolução passa pelo aumento de igualdade entre os cidadãos.
Esse aumento da igualdade é difícil não só pela natural desigualdade entre os seres humanos como principalmente em razão da extrema desigualdade existente no Brasil. E além disso, há que considerar que o sistema econômico escolhido é o capitalismo que gera por si só desigualdade. E uma necessidade brasileira é aumentar a taxa de crescimento econômico que traz como consequência mais desigualdade.
Temo então que pela dificuldade que se tem pelo caminho venha a se podar a democracia brasileira reduzindo a participação popular, retirando dele o direito de eleger um presidente da República com plenos poderes. Um pacto nessa direção seria compactuar com o roubo da cidadania.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 19/06/2016
ML
22 de junho de 2016 11:22 amClever, obrigado pelo
Clever, obrigado pelo comentário, com o qual concordo em grande parte. Seguramente, teremos oportunidade de discutir esses temas aqui no blog.
Rita Lamar
20 de junho de 2016 5:14 pmEsse artigo-comentário de ML
Esse artigo-comentário de ML identificando os três grupos por trás do golpe é sem dúvida muito esclarecedor – o autor é um verdadeiro ANALISTA, com letras maiúsculas! Essa classificação nos ajuda a prosseguir com nossas análises da batalha extraordinária que está em andamento. ML também fornece um importante instrumento de análise quando diz que os EEUU têm explorado as contradições dos três grupos.
Recentes acontecimentos indicam que o grupo dos corruptos e o do mercado/mídia agiram em conluio durante muitos anos e comprovadamente receberam informações e apoio dos EEUU durante as preparações para o golpe. E o grupo judiciário omitiu-se! Diversos jornalistas investigativos já revelaram isso. E as razões desse apoio dos EEUU são as apontadas – o Pré-Sal e o grupo BRICS –, que são, com certeza, poderosas forças a ameaçar o jogo geopolítico americano para manter sua hegemonia regional e mundial.
Os grupo político/corrupto e mercado/mídia têm sido mais ativos do que o judiciário. Todavia, o presente cerco do ‘heterogêneo’ e agora finalmente acordado grupo do judiciário ao grupo dos corruptos está enfraquecendo o grupo do mercado/mídia, ou seja, está enfraquecendo o golpe ao destituir o mercado/mídia de seus representantes no campo de batalha do golpe parlamentar: o Congresso. Por isso, os ataques ao judiciário, por parte do grupo do mercado/mídia, estão começando e deverão aumentar muito, principalmente os ataques ao maior protagonista nesse cerco, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Já começam a dizer que ele tem ‘sonhos de ser presidente’ como se isso fosse corrupção!
Até que ponto o ‘heterogêneo’ grupo do judiciário foi cooptado? Quais ministros apoiam o golpe? O Ministro Gilmar Mendes é um deles; mas, talvez esteja isolado, agora… O ministro Ricardo Lewandowski é uma figura-chave e pode fazer muito para restabelecer a democracia. Enfim, como já havíamos sentido, tudo indica que estamos nas mãos do judiciário…
A notícia de que os golpistas estariam devolvendo poderes aos militares, hoje, aparece como uma forma de propina: parecem estar fazendo isso para receber apoio integral, visto que os militares até agora não se manifestaram, o que pode significar que estão observando até onde vai essa aposta contra a democracia…