Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso nesta quinta-feira (14) pela Polícia Federal em Belo Horizonte, na sexta fase da Operação Compliance Zero, investigação sobre o esquema de fraudes financeiras do Banco Master. A prisão ganhou contornos políticos imediatos: registros do TSE mostram que Henrique doou R$ 1 milhão ao diretório estadual do Partido Novo em Minas Gerais nas eleições de 2022, ano em que Romeu Zema concorria à reeleição ao governo do estado.
O episódio coloca Zema em posição delicada num momento em que o ex-governador acumulava pontos na disputa presidencial, especialmente após ter criticado publicamente, na quarta-feira (13), as cobranças de Flávio Bolsonaro a Vorcaro pelo financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, declarações que irritaram o campo bolsonarista.
Defesa
Procurado pela imprensa, Zema afirmou que o dinheiro foi destinado ao partido, não à sua campanha. “Nenhum centavo entrou na minha campanha”, disse. O ex-governador argumentou ainda que a doação foi feita em 2022, quando não havia qualquer suspeita pública contra a família Vorcaro, já que as investigações da PF sobre o Banco Master só foram iniciadas em 2024.
“A doação ao partido foi perfeitamente legal e transparente. Está registrada na Justiça Eleitoral. Não tenho o rabo preso. Sou o pré-candidato que mais denuncia os intocáveis. Não vou recuar”, afirmou.
O Partido Novo em Minas adotou linha similar, ressaltando em nota que desconhecia as ilegalidades envolvendo Vorcaro à época da doação e que seus parlamentares têm criticado os investigados desde que os casos vieram a público. A legenda defendeu a continuidade das investigações e a abertura imediata da CPI do Master.
Perfil
Empresário mineiro do setor de infraestrutura e construção pesada, Henrique Vorcaro é fundador e líder do Grupo Multipar, conglomerado com atuação em engenharia, energia, agronegócio e mercado imobiliário. Segundo relatório do Coaf, a Multipar movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025 exclusivamente entre contas ligadas ao núcleo de Daniel Vorcaro.
O nome do pai do banqueiro ganhou relevância crescente na investigação após a PF informar ao STF que Daniel Vorcaro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta atribuída ao pai depois de ser solto no fim de 2025. Os valores foram identificados junto à CBSF DTVM, conhecida no mercado como REAG, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, em janeiro deste ano.
Os investigadores classificaram o montante como uma “quantia impressionante” e sustentaram que a ocultação patrimonial continuou mesmo após a soltura do banqueiro.
A defesa de Henrique Vorcaro contestou a prisão, afirmando que a decisão “se baseia em fatos cuja comprovação da licitude e do lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo” e que as explicações deveriam ter sido ouvidas antes de uma medida “tão grave e desnecessária”. “Cuidaremos imediatamente de demonstrar o que estamos a dizer”, disse o advogado Eugênio Pacceli.
*Com informações do Metrópoles.
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Fabio de Oliveira Ribeiro
14 de maio de 2026 9:05 pmTem outra questão importante. Nesse exato momento, os líderes intermediários da extrema direita devem estar se sentindo lesados pelos Bolsonaro. Flávio e Eduardo não dividiram os milhões recebidos do Vorcaro. A ética entre os bandidos só existe se a rachadinha for justa, porra!
Veritas
15 de maio de 2026 6:22 amMinas parece ser agora o centro de grupos políticos de extrema direita movidos a dinheiro ilícito. Minas, pela sua força histórica, econômica, política e cultural, tem q fazer uma limpeza com uso de inteligência e ética policiais e inteligência e ética nos votos.