5 de junho de 2026

Para Setubal, nos próximos três anos haverá mudanças relevantes na infraestrutura

Há tempos o presidente do Itaú-Unibanco, Roberto Setubal, tem se constituído em um dos principais analistas da política e da economia, mantendo uma postura crítica porém equilibrada em relação à política econômica.

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“O Globo” de hoje publica uma bela entrevista com ele, de autoria dos repórteres Aguinaldo Novo e Cristina Alves. Há inúmeras avaliações relevantes sobre o modo de pensar do empresariado mais bem informado.

Sobre o PIB de 2013 e 2014

(…) Além de fatores internos, existe claramente uma questão internacional que influencia o crescimento da economia. Olhando para frente, a tendência é que essa questão internacional se mantenha presente, isto é, espero uma desaceleração da China, uma mudança na política monetária americana, o que certamente vai continuar influenciando o mundo todo, principalmente as economias emergentes que estão se adaptando a essa nova conjuntura. E vejo o Brasil mantendo um crescimento relativamente baixo, de 2% a 3%, nos próximos anos.

Sobre a situação fiscal

Diria que muitas das práticas que estamos vendo não podem se prolongar mais por muitos anos. Se queremos um país em crescimento e com grau de investimento, que é fundamental para temos um fluxo de investimentos externos, acho que a questão fiscal tem de ser atacada de uma forma mais firme. Não pode deixar que a nossa dívida interna continue crescendo, não pode deixar que as contas externas se deteriorem. Acho que ainda estamos numa situação relativamente tranquila, mas temos de fazer correções de rumo.

Sobre o uso do gasto público

(…) O governo procurou estimular a economia com o gasto público num momento em que a economia e a conjuntura internacional não eram favoráveis. No entanto, daqui para frente, não podemos ficar nessa mesma política, temos de reverter essa política, porque é impossível imaginar que vamos continuar a expandir o gasto público acima da arrecadação. Essa conta não fecha. Houve um estímulo da economia por meio do gasto público, mas isso não é sustentável.

Sobre a perda do grau de investimento

Não neste momento. Mas acho que o governo tem de ficar atento para evitar isso. Seria desastroso do ponto de vista macroeconômico o país voltar a perder o grau de investimento.

Sobre a “perna manca” do crédito

(…)Não vejo, olhando para a frente, a possibilidade de o crédito ao consumidor crescer no mesmo ritmo da década passada. Deve crescer agora junto com a renda salarial, de forma vegetativa. Não será algo grave, porque o Brasil já tem um volume elevado de crédito ao consumidor, comparado a outras economias no mundo.

Sobre as concessões públicas

Iniciamos a troca desse modelo (do estímulo ao consumo pelo investimento), o governo está atento a isso, tem procurado incentivar o investimento. Acho que a política de concessões mudou nesses últimos dois anos, flexibilizou-se, tornou-se mais atraente para os investidores. Por isso, estamos vendo o sucesso dos leilões de concessões. E acredito que vamos ter uma mudança muito grande na infraestrutura do país. Todos os aeroportos importantes já passaram pelo processo de concessão, vários deles estão com reformas adiantadas, muitas rodovias, portos. Acredito que em três anos veremos uma mudança relevante na infraestrutura brasileira.

Sobre o financiamento pelos bancos privados

Existe um mito no Brasil de que os bancos não querem financiar investimentos, o que não é verdade. Os bancos (privados) financiam poucos investimentos porque é impossível competir com as taxas subsidiadas que o BNDES oferece, o investidor prefere ter a taxa mais baixa oferecida pelo BNDES, o que nos coloca fora desse mercado. No Brasil, hoje, ninguém pensa em construir uma fábrica sem a participação do BNDES. Nós (o Itaú) fazemos isso fora do Brasil, temos presença no Chile, na Colômbia, onde financiamentos estradas, usinas hidrelétricas sem qualquer subsídio. Captamos dinheiro no mercado, a taxas de mercado, e repassamos a taxas de mercado. Evidentemente, existe um “spread” nisso. Óbvio que o Brasil, por sua condição estrutural de juros elevados, acaba elevando bastante o custo financeiro das operações.

O caso Eike Baptista

Temos de separar essa questão em dois grupos. Um é a OGX, e depois os demais projetos. A OGX é uma empresa que teve um problema muito sério: não encontrou petróleo. Embora devo dizer que não houve má-fé (por parte de Eike), os relatórios dos especialistas internacionais indicavam as chances de petróleo. Na verdade, o petróleo está lá, mas as condições geológicas para extrai-lo não são as ideais, o que inviabilizou a exploração dos campos. O Eike, que é um grande empreendedor, um homem de tomar riscos, iniciou também diversos outros investimentos, projetos bons, que estão sendo comprados hoje por outros interessados. A longo prazo, acredito que, à exceção de OGX e de um ou outro empreendimento, a grande maioria dos projetos serão viáveis e terão continuidade. Não mais nas mãos dele, mas com investidores que tenham condições de aportar os recursos necessários para levá-los até o final.

Sobre as eleições de 2014

O cenário é tranquilo do ponto de vista do investidor. Não espero nenhum grande impacto de volatilidade no mercado. Acho que a maior probabilidade é de que a presidente Dilma seja reeleita, pelo cenário que estamos vendo hoje.

Temos outros candidatos, Aécio (Neves) e (Eduardo) Campos, que do ponto de vista do mercado também são candidatos bastante tranquilos. Neste sentido que digo que não existe nenhuma preocupação.

 http://oglobo.globo.com/economia/e-impossivel-competir-com-essas-taxas-subsidiadas-do-bndes-diz-presidente-do-itau-11074235#ixzz2naiuQ5ot 
 

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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8 Comentários
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  1. alessandroduarte

    16 de dezembro de 2013 1:40 am

    Da série: me engana que eu

    Da série: me engana que eu gosto

  2. Cafezá

    16 de dezembro de 2013 1:57 am

    “Temos outros candidatos,

    “Temos outros candidatos, Aécio (Neves) e (Eduardo) Campos, que do ponto de vista do mercado também são candidatos bastante tranquilos. Neste sentido que digo que não existe nenhuma preocupação.”

    Por essas frases podemos ver que pensou como banqueiro e não como brasileiro.

  3. implacavel

    16 de dezembro de 2013 2:26 am

    Spread bancário

    Spread bancário, eis o “x’ da questão…

  4. Matuto

    16 de dezembro de 2013 9:05 am

    Marasmo

    Ninguém preocupa o Mercado. 

    Vou anular meu voto de novo.

  5. Serralheiro 70

    16 de dezembro de 2013 11:15 am

    Itau

    Irrelevante!

  6. Rui Daher

    16 de dezembro de 2013 12:19 pm

    Errado

    A China já se determinou crescimento entre 7 e 8% ao ano. Precisava arrefecer os dois dígitos e não é de hoje. Fez. Do que está falando, então, Setúbal?

    1. MRE

      16 de dezembro de 2013 1:28 pm

      Ra[posa

       “espero uma desaceleração da China ” ( a China anunciou 7 a 8% )  – é um raposa este Setubal- ignorou o crescimento da China e deu entrevista para mandar recados,  como comparar Aécios do Pó, Eduardos Naturina com a Dilma / Lula..

      Raposa  – será que financia no exterior com os spreads praticados aqui ? Por isso o BNDES atua no mercado. A CEF e o BB fizeram o Itaú a contragosto baixar a sua taxa. Olha o lucro do Itaú nos governos do PT ? Chora de barriga cheia e não paga o que deve Receita Federal – está empurrando com a barriga na certeza, agora perdida com este recado, que a Aécio iria ganhar e perdoar a dívida milionária.

       

       

  7. Dudu Cartucho

    16 de dezembro de 2013 1:23 pm

    Se o Itaú, Globo e outros não

    Se o Itaú, Globo e outros não fossem sonegadores contumazes, essas frases perderiam o efeito:

    * dívida interna crescendo…

    *…gasto público acima da arrecadação.

    *…perder o grau de investimento.

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