Aécio em queda contínua, Dilma se segurando e Sergio Moro abraçado a Lula, o melhor presidente do Brasil. Eis a pesquisa Datafolha.

Nada de novo sob o sol.
Essa deveria ser as manchetes referentes à pesquisa Datafolha de 28 e 29 de fevereiro de 2016.
Aécio continua em queda. Esse é o maior mistério das pesquisas de intenção de voto desde a redemocratização. Em 7 meses, foi de 35% de intenção de voto em julho de 2015 para 24% em fevereiro de 2016. Recuou 11 pontos percentuais apesar de estar à frente de uma campanha de desconstrução de seus adversários. Aécio é um candidato que se desmancha por si próprio, sem ser atacado.
Lula e Marina se estabilizaram, mantém-se no patamar entre 20 a 23% dependendo do cenário. Alckmin não participa da corrida eleitoral. Por isso, ter recuado dois pontos percentuais desde a última pesquisa em dezembro de 2015 e oito pontos percentuais desde julho de 2015, por paradoxal que seja, não piora sua posição.

O cenário eleitoral não mudou desde dezembro de 2015.
Para Lula uma vitória. Para seus adversários uma preocupação, a campanha midiática de desconstrução de Lula tem capacidade de rebaixar seu teto de intenção de voto. Mas não o piso. Lula estaria em um segundo turno de eleições presidenciais em qualquer dos cenários propostos. Marina continua sendo o a terceira margem do rio.
A avaliação do governo Dilma também se estabilizou, mas com um leve viés de melhora.
O índice de ruim e péssimo recuou de 71% em julho de 2015 para 64% em fevereiro de 2016. O de regular subiu 5 pontos percentuais e está em 25%. O de bom mantém-se no entorno de 11%. Nada de se invejar, mas, no olho do furacão, o governo Dilma ainda respira sem ajuda de aparelhos.

Resumo da ópera: à exceção de Aécio, aparentemente, o país parou para conferir.
A conferir.
O mito resiste
A pesquisadinha do malandro.
Aqui a Folha brinca com o senso comum e com o niilismo brasileiros – todo político é ladrão.
Os dados divulgados em 28 de fevereiro de 2016 tinham a sugestiva denominação de “Lula sob suspeita”. A partir dela, é a isenção da pesquisa que fica sob suspeita.
Busca-se com afinco um crime para Lula.
E qual seria esse crime?
A própria Folha o põem na boca de seus entrevistados:
“Pesquisa Datafolha revela que, para a maioria dos brasileiros, houve um “toma lá, da cá” na relação entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e empresas envolvidas na Operação Lava Jato. O petista teria ganho favores pessoais e as empresas, ajuda em governos do PT”.
“O petista teria ganho favores pessoais e as empresas, ajuda em governos do PT”.
Malandramente a Folha, no entanto, peguntou outra coisa:
“Acha que ele foi beneficiado por construtoras no caso do Tríplex em Guarujá?”.
Por isso a manchete também malandra “Maioria acredita que empreiteiras beneficiaram Lula”, e não “Maioria acredita que Lula beneficiou empreiteiras”.
Mas quem nota esses detalhes, não é mesmo?
A questão, portanto, era se, no caso do triplex e do sítio de Atibaia, houve tráfico de influência de Lula. Ou seja, se Lula beneficiou as empreiteiras e em troca recebeu algum benefício. Toma-lá-dá-cá é isso.
Uma questão a ser respondida com um sim ou com um não.
Pois bem, a alternativa “sim” está lá. Porém, no caso da alternativa “não”, o truque foi subdividi-la. Além do não propriamente dito, acrescentaram dois malandros “não sabe” e “não sabe se deu algo em troca” e um mais malandro ainda “sim, mas não recebeu nada em troca”.
Quando todas essas alternativas dúbias são agrupadas em um único “não” o que temos é que 56% acreditam que houve um “toma lá da cá”, como diz a própria Folha, mas 44% não acreditam que Lula tenha beneficiado as empreiteiras.
Depois de tanto esforço para apresentar um Lula corrupto, a Folha obtém um copo meio cheio e meio vazio. Ainda mais se a questão foi precedida de uma pergunta para “esquentar” a memória do entrevistado. Algo assim:
“Soube das suspeitas de favorecimento a Lula por construtoras na reforma do Sítio em Atibaia?”.
69% responderam sim.
Mas tal resultado, induzido ou não, não seria, de qualquer forma, uma condenação de Lula?
Bem, brasileiro é coisa para profissional.
Suponha que não tivesse havido o imenso bombardeio midiático ao qual Lula foi submetido. E que simplesmente se perguntasse se o entrevistado acreditava que Lula tivesse “levado algum” quando esteve na presidência. Creio que as respostas seriam as mesmas.
E seriam as mesmas para Aécio, FHC ou Serra. Mas essas perguntas não são feitas.
Todo político é ladrão.
Interessante é quando a questão é sobre qual é o melhor presidente que o Brasil já teve.
É Lula.

O mito resiste.
E se tivessem incluído Deus na pesquisa?
Aqui o niilismo brasileiro se mostra por inteiro.
As figuras com mais destaque na mídia, já há um tempo, são Lula e Sergio Moro. Duas figura antagônicas. O caçador Moro e a caça Lula. O justiceiro e o corrupto.
Em quem o brasileiro confia? O brasileiro não confia.

Todo político é ladrão, mas juiz não é melhor.
PS: a Oficina de Concertos Gerais e Poesia apoia o Movimento Golpe Nunca Mais.

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