15 de julho de 2026

Pesquisador de Harvard deixa Moro sem palavras na Brazil Conference

“Colocar Bolsonaro e Lula na mesma equivalência me parece uma grande distorção histórica”, disse Hussein Kalout ao ex-ministro e ex-juiz
O ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro voltou a fazer a referência dos extremos para comparar o presidente Jair Bolsonaro ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao participar de um painel na Brazil Conference, realizada neste sábado nos Estados Unidos.

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“É responsabilidade nossa, dos brasileiros, da classe política, das lideranças da sociedade civil, das lideranças empresariais, buscar um novo caminho. Isso é algo que tem me preocupado esse ano, essa polarização”, disse Moro.

“A maioria das pessoas que eu falo não está satisfeita com a perspectiva de ter que escolher entre dois extremos políticos, e não raramente o motivo da escolha de um dos extremos políticos é o repúdio ao outro”, ressaltou o ex-juiz.

Contudo, o que Moro não contava era com a intervenção do moderador do painel, o professor e pesquisador de Harvard Hussein Kalout, que refutou a colocação do presidenciável.

“Como cientista político, eu gostaria de dizer que, quando a gente fala de extremismo e colocar duas forças políticas como extremadas, talvez isso não reflita a realidade do terreno”, disse Kalout.

Segundo o pesquisador, “o presidente Bolsonaro mostrou-se ser um político extremista, mostrou-se ser um político radicalizado e procura fazer isso constantemente, no exercício da função pública, na condição de presidente da República”.

Kalout lembrou ainda que Moro reconheceu que Bolsonaro “aviltou as instituições, impediu a implementação de uma política anticorrupção nas instituições públicas brasileiras”.

Colocar Lula e Bolsonaro como extremos “é distorção histórica”

Sobre o ex-presidente Lula e o PT, Kalout disse, na condição de cientista político, que não é apropriado fazer uma avaliação colocando um governo, ou uma instituição partidária que venceu quatro eleições e ocupou o poder por 13 anos como “polo extremado” no exercício da política e que esse rótulo de extremismo “é um pouco perigoso”.

“Eu acho que, sim, pode haver críticas às políticas públicas. É importante, mas rotular de extremismo é um pouco perigoso, e é importante que isso seja dito”, disse Kalout, lembrando que o PT reconheceu o resultado jurídico do impeachment e fez uma transição pacífica de poder.

De acordo com Kalout, isso também pode ser dito sobre o ex-presidente Lula – que, quando teve sua prisão determinada por Moro, não desafiou e cumpriu e a decisão judicial.

“Eu acho que colocar Bolsonaro e Lula na mesma equivalência me parece uma grande distorção histórica – ainda que pode-se criticar o ex-presidente da República e todos os outros ex-presidentes, quem quer que esteja no poder”, disse o pesquisador.

“Não há uma simetria possível equivalente entre os dois lados no exercício do cargo público, no exercício da função pública e no respeito às instituições de Estado”, finalizou Hussein Kalout.

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