5 de junho de 2026

Por que me ufano de meu país hoje? Eta Brasil que amo!

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Por Odonir Oliveira

Muitos barasileiros hoje têm um sentimento inverso ao que Affonso Celso defendia ao escrever seu livro Porque me ufano do meu pais, nos idos de 1900. Isso é bom ou é ruim? É resultado de massa crítica ou de falta de crença na pujança do país e na capacidade de resiliência de seu povo?

Qual era o papel dessa obra naquele momento e qual o papel dos meios de comunicação hoje? Sempre desejaram o mesmo para o Brasil?

Vivendo há pouco mais de dois anos e, pela primeira vez, em uma cidade que não é metrópole, reconheço diferenças entre esses brasis e, cada vez mais, tenho ORGULHO de ser brasileira. Fato é que constato, principalmente nas metrópoles, uma geração novíssima que se envergonha de seu país. E isso para quem não pode votar aos 18 anos, nem aos 19, nem aos 20, primeiro porque “não podia e pronto”, depois porque morava em área de segurança nacional, é doloroso demais.

Porque me ufano do meu pais, de Affonso Celso, tornou-se  leitura obrigatória nas escolas secundárias brasileiras, tendo várias edições e traduções, transformando-se em uma verdadeira cartilha de nacionalidade. Pode ser considerado um livro de leitura com função moralizadora e intenção educativa, cívica, patriótica e social, um pequeno manual de educação cívica. 

Essa obra constitui uma unidade discursiva, produtora de ordenamento, de afirmação de distâncias, de divisões, representativa dos valores da ilustração brasileira quanto ao projeto pedagógico republicano de formação do novo homem para o novo regime: crença ilustrada nas virtudes da instrução moral e cívica, como forma de manter a ordem social e fortalecer o caráter nacional, no período da Primeira República. Nesse período, a educação moral, cívica e religiosa tornou-se o eixo das preocupações para os que almejavam o perene controle das relações e das estruturas sociais, como forma capaz de regenerar o país. A obra não é um exemplo isolado, insere-se na extensa produção de manuais de “história pátria” que circularam nas primeiras décadas do século XX, com a função de fortalecer a identidade nacional.

 

 

Ufanismo; O vocábulo “ufanismo” deriva do verbo ufanar-­se, que significa ter ufania, jactar­-se, vangloriar­-se.

 

 Ufania é o estado ou qualidade de ufano, vaidade exacerbada, jactância, orgulho que representa uma atitude ou sentimento adotado por aqueles que se vangloriam exageradamente das riquezas ou belezas naturais do Brasil, bem como de suas realizações em vários campos (economia, artes etc). Tendo como base o panorama literário que corresponde o final do século XIX, alguns autores como Oliveira Viana, Nina Rodrigues, já lastimavam o atraso brasileiro resultante da inferioridade étnica, enaltecendo a raça superior branca que constituíra a Europa. É no início do século XX, após a consolidação da República, que começam a surgir as correntes nacionalistas que se remetem às riquezas do país. 

 

Como representação sólida desse movimento temos a obra e por ocasião do quarto centenário da chegada dos portugueses ao Brasil, o Conde Afonso Celso publicou o livro “Por que me Ufano do Meu País” , foi o primeiro best -seller da história editorial brasileira; é, sem dúvida, um clássico da literatura ensaística nacional. Escrito por Afonso de Assis Figueiredo Júnior, natural de Ouro Preto , Minas Gerais, nascido em 31 de março de 1860, vindo a falecer no Rio de Janeiro a 11 de julho de 1938. Filho do Visconde de Ouro Preto, último presidente do Conselho de Ministros do Império, e de D. Francisca de Paula Martins de Toledo, é um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras. Republicano na Monarquia e monarquista após a Proclamação da República, católico atuante, foi membro e presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, criado em 1838. O Brasil tinha aproximadamente 10% da população atual quando a ABL foi fundada com 40 vagas. Todos estavam lendo a obra de Afonso Celso, que vendera cerca de 300 mil exemplares na época.

O livro, dedicado aos filhos, visava despertar em toda a juventude brasileira um ilimitado amor à pátria, afirmando que não se deve amá-­la somente por ser pátria, mas também pelos motivos reais que ela nos dá para que dela nos orgulhemos. O objetivo central era de mostrar aos brasileiros, habitantes dessa terra, a grandeza dessa nação “ o Brasil” em 1900. 

O autor estava certo de que a palavra ufanismo passaria a denotar o patriotismo acrítico, ingênuo e incondicional. Durante muitos anos o livro foi de leitura obrigatória nas escolas. Hoje, é pouco recomendado. Ao decorrer da narrativa, Afonso Celso, por apresentar características monárquicas, traz em sua obra um capítulo dedicado a D. Pedro II, em que lhe faz intensos elogios, desmistificando totalmente a ideia de que o Brasil foi colonizado por ladrões, prostitutas e degredados, titulando o capítulo como: “Não foi de degredados que se povoou o Brasil”.

 

Indice

 

I Dedicatória Para quem para que foi composto este opúsculo -1

II Primeiro motivo da superioridade do Brazil: a sua grandeza territorial – 5

III Vantagens unidas á grandeza territorial do Brazil -7

IV Outras vantagens da grandeza territorial do Brazil – 9

V Segundo motivo da superioridade de Brazil: a sua belleza 14

 VI X Mais bellezas do Brazil .

 XI Terceiro motivo da superioridade do Brazil: a sua riqueza . 43

XII Riquezas naturaes do Brazil 45

 XIII Mais riquezas do Brazil 49

XIV Quarto motivo da superioridade do Brazil: a variedade e amenidade de seu clima v!

Quinto motivo da superioridade do Brazil: ausência de calamidades . 59

XVI Sexto motivo da superioridade do Brazil: exeellencia dos elementos que entraram na formação do typo nacional . . 61

XVII Costumes curiosos dos índios no Brazil.

XIX Os portuguezes

 XX Não foi de degredados que se povoou o Brazil.

XXI O mestiço brazileiro

XXII Sétimo motivo da superioridade do Brazil: nobres predicados do caracter nacional

 XXIII Oitavo motivo da superioridade do Brazil: nunca soffreu humilhações, nunca foi vencido

XXIV Guerras depois da independência .

 XXV A batalha de ltuzaingo

XXVI A guerra do Paraguay.

 XXVII Nono motivo da superioridade do Brazil: seu procedimento cavalheiroso e digno para com os outros povos

XXVIII Décimo motivo da superioridade do Brazil: as glorias a colher nelle .

XXIX Undecimo motivo da superioridade do Brazil: a sua historia

XXX Os jesuitas

XXXI Serviços dos jesuitas ao Brazil

XXXII Os bandeirantes

 XXXIII A Republica de Palmares

 XXXIV A guerra hollandeza

XXXV A retirada da Laguna

 XXXVI A independência do Brazil.

 XXXVII Grandes nomes da nossa historia .

XXXVIII D. Pedro II

XXXIX A escravidão no Brazil

XL Resumo das grandezas do Brazil .

XLI Perigos que ameaçam o Brazil.

XLII O futuro do Brazil .

 

FONTE: http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/19622?locale=pt_BR

http://cartamaior.com.br/colunaImprimir.cfm?cm_conteudo_idioma_id=19649

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