Prévia da inflação encerra 2020 em alta de 4,23%

Total acumulado pelo IPCA-15 é o maior desde 2016, segundo dados do IBGE; índice terminou dezembro em alta de 1,06%

Jornal GGN – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) apresentou alta de 1,06% em dezembro e fechou o ano de 2020 com aumento de 4,23%, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O índice de dezembro foi 0,25 ponto percentual (p.p.) acima da taxa de novembro (0,81%), o que significa a maior variação mensal desde junho de 2018 (1,11%). Já o total apurado no ano atingiu seu maior patamar desde 2016 (6,58%). Já o IPCA-E (acumulado trimestral do IPCA-15) do último trimestre de 2020 foi de 2,84%.

Dentre os grupos pesquisados, a maior variação e impacto voltou a ficar com Alimentação e Bebidas (2% em dezembro, e 0,42 ponto percentual de efeito no índice geral), o que levou o grupo a fechar o ano em 14,36%, a maior para um ano desde 2002, quando registrou 18,11%.

A alta foi impulsionada pelo aumento dos alimentos para consumo no domicílio (2,57%), com destaque para carnes (5,53%), arroz (4,96%) e frutas (3,62%). A batata-inglesa (17,96%) e o óleo de soja (7,00%) também subiram de preço, mas apresentaram desaceleração na comparação com novembro, quando registraram altas de 33,37% e 14,85%, respectivamente. Entre as quedas no grupo, os destaques foram o tomate (-4,68%), o alho (-2,49%) e o leite longa vida (-0,74%).

Ainda no mesmo grupamento, a alimentação fora do domicílio passou de 0,87% em novembro para 0,58% em dezembro, influenciada pela queda do lanche (-0,11%), cujos preços haviam subido 1,92% no mês anterior. Já a refeição foi em sentido contrário: aumento de 0,86%, contra 0,49% em novembro.

A segunda maior variação do IPCA-15 de dezembro veio do grupo Habitação (1,50%), contribuindo com 0,23 p.p. no índice. A principal influência do grupo foi a alta do item energia elétrica (4,08%), puxada pela volta da bandeira vermelha patamar 2 (com acréscimo de R$ 6,243 a cada 100 quilowatts-hora consumidos) após dez meses consecutivos de bandeira verde (em que não há cobrança adicional na conta de luz).

Ainda em Habitação, o resultado de 0,22% da taxa de água e esgoto vem do reajuste de 3,04% nas tarifas em Belo Horizonte (1,97%), vigente desde 1º de novembro. Já a alta de 1,80% gás encanado é consequência do reajuste de 6,25% nas tarifas do Rio de Janeiro (6,25%).

O segundo maior impacto foi apresentado pelo grupo de Transportes (1,43% de alta, e 0,29 ponto percentual de influência), acelerando em relação a novembro (1%). A maior contribuição (0,14 p.p.) veio das passagens aéreas, que subiram 28,31%. Os combustíveis (2,40%) registraram aumento frente a novembro, com destaque para a gasolina (2,19%) e o etanol (4,08%).

Em virtude da coleta extraordinária de preços realizada no período de referência do IPCA-15 de dezembro, em Educação (0,34%), o maior impacto (0,02p.p.) veio dos cursos regulares (0,44%). Os demais grupos pesquisados ficaram entre o 0,03% (Saúde e cuidados pessoais) e 1,35% (Artigos de residência).

Quanto aos índices regionais, todas as regiões pesquisadas apresentaram alta, sendo o menor resultado registrado por Brasília (0,65%), principalmente em função da queda de 0,62% nos preços da gasolina, e o maior em Porto Alegre (1,53%), por conta das altas em energia elétrica (6,05%) e carnes (6,89%).

 

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