10 de junho de 2026

Procuradores protestam contra declarações do presidente da ANPR

A vergonhosa gestão de José Robalinho Cavalcanti, à frente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), finalmente, provocou uma reação externa inédita dentro do Ministério Público Federal (MPF): uma carta de protesto assinada por vários procuradores, dentre os quais três ex-presidentes da ANPR –  Álvaro Augusto Ribeiro da Costa, figura-chave do MPF na Constituinte, Ela Wiecko Castilho e Antônio Carlos Bigonha -, e por mp,es referenciais da corporação.

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A manifestação é um protesto contra as declarações de Robalinho, proferidas momentos antes da prisão de Lula. E me foi enviaaa por Luiz Moreira  

Diz a nota:

“O compromisso maior do Ministério Público Federal é com a Justiça.  Não podemos nos deixar instrumentalizar na disputa política, vedação que se estende à ANPR nos termos do art. 4º de nosso Estatuto.  Causa espanto ver a ANPR alimentar a divisão da sociedade brasileira, em momento tão delicado da vida nacional, ao repudiar a compreensível manifestação do cidadão submetido ao cárcere, sob enorme comoção popular”.

Questiona também a competência de Robalinho, de falar monocraticamente em nome da ANPR. “Requeremos, ao final, que futuras manifestações dessa qualidade sejam precedidas de consulta ao Colégio de Delegados, mesmo que por via eletrônica, em respeito ao regime democrático e à pluralidade de opiniões”.

A manifestação traz a público a profunda divisão do MPF e o mal-estar provocado há tempos pelas intervenções políticas de Robalinho

O comunicado

A Sua Excelência

O Senhor José Robalinho Cavalcanti

Presidente da ANPR

Nesta

Senhor Presidente:

 

vimos por meio deste requerimento manifestar nossa discordância quanto aos termos da nota pública da ANPR, na qual essa diretoria rechaça as declarações do ex-presidente Lula proferidas momentos antes de seu recolhimento ao cárcere.

Não há entre nós um único procurador ou procuradora da República que discorde da inadiável relevância de dedicar esforços a reprimir a corrupção. Não obstante, quanto mais enveredamos pelo campo da persecução penal em face de autoridades eleitas por voto popular, maior a nossa responsabilidade pela manutenção e reforço do regime democrático, obrigação fundamental dos membros do Ministério Público – art. 127, caput, da Constituição da República c/c art. 5º, inciso I, da Lei Complementar 75/93.  É relevante a Associação defender o livre exercício das atribuições funcionais dos membros do MPF, mas é também indispensável reconhecer o direito de crítica dos movimentos sociais e dos cidadãos em geral, o que tem baliza na Constituição. Esta é, de igual modo, uma garantia fundamental de acusados e condenados, com ou sem trânsito em julgado de sua sentença penal condenatória.

O compromisso maior do Ministério Público Federal é com a Justiça.  Não podemos nos deixar instrumentalizar na disputa política, vedação que se estende à ANPR nos termos do art. 4º de nosso Estatuto.  Causa espanto ver a ANPR alimentar a divisão da sociedade brasileira, em momento tão delicado da vida nacional, ao repudiar a compreensível manifestação do cidadão submetido ao cárcere, sob enorme comoção popular. É da natureza humana manifestar indignação diante da limitação de sua liberdade. Nós profissionais da Justiça devemos receber com serenidade essas críticas e não como motivo para acirrar os ânimos, dentro e fora da Instituição.

Por tudo isto acreditamos que a nota publicada pelo Associação está longe de traduzir a unanimidade do pensamento de seus filiados, tampouco encontra fundamento no art. 3º, inciso IV do Estatuto da ANPR, razão por que indagamos a Vossa Excelência se esse documento, de tão alta envergadura, foi previamente debatido na diretoria dessa entidade, dando ciência à classe do inteiro teor da ata de reunião.

Requeremos, ao final, que futuras manifestações dessa qualidade sejam precedidas de consulta ao Colégio de Delegados, mesmo que por via eletrônica, em respeito ao regime democrático e à pluralidade de opiniões.

Certos de contar com a atenção de Vossa Excelência,

 

Álvaro Augusto Ribeiro Costa

Presidente da ANPR no biênio 1987/1989

 

   Ela Wiecko V. de Castilho

               Presidente da ANPR no biênio 1997/1999

 

   Antonio Carlos Alpino Bigonha

                           Presidente da ANPR nos biênios 2007/2009 e 2009/2011

 

Subscrevem:

Alexandre Amaral Gavronski

Alexandre Ribeiro Chaves

Aline Mancino da Luz Caixeta

Álvaro Ricardo de Souza Cruz

Ana Carolina Alves Araújo Roman

Analúcia Hartmann

Ana Padilha Luciano de Oliveira

Ana Paula Carvalho de Medeiros

Antonélia Carneiro Souza

Aurélio Virgílio Veiga Rios

Carolina da Hora Mesquita Hohn

Daniel de Alcântara Prazeres

Deborah Duprat

Domingos Sávio Dresch da Silveira

Edmundo Antonio Dias Netto Júnior

Enrico Rodrigues de Freitas

Fabiano de Moraes

Fábio Seghese

Felício Pontes – Diretor da ANPR biênio 2007/2009

Felipe Augusto de Barros Carvalho Pinto

Flávia Rigo Nóbrega

Francisco de Assis Floriano e Calderano

Gabriel Pimenta Alves

Gabriela Rodrigues Figueiredo Pereira

Helder Magno

Indira Bolsoni Pinheiro

João Akira Omoto

Jorge Luiz Ribeiro de Medeiros

Jorge Maurício Klanovicz

Jorge Sodré

José Godoy Bezerra de Souza

Julio José Araujo Junior

Leandro Mitidieri Figueiredo

Leonardo Cardoso de Freitas

Luiz de Camões Lima Boaventura

Márcia Brandão Zollinger

Maria Rezende Capucci

Mário Gisi

Marlon Weichert

Maurício Pessuto

Mona Lisa Ismail

Natália Lourenço Soares

Paula Bajer – Diretora da ANPR no biênio 2009/2011

Paulo Gilberto Cogo Leivas

Paulo Sérgio Ferreira Lima

Paulo Thadeu Gomes

Raphael Luís Pereira Bevilacqua

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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14 Comentários
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  1. Schell

    11 de abril de 2018 2:01 am

    Esse robalinho, de qualquer

    Esse robalinho, de qualquer forma, “fala” pela maioria que o elegeu para o cargo. Como neste país de merrecas, alguns (e muitos) “entendem” que democracia é a vontade do eleito, ficamos assim há muito tempo. É só alguém ganhar um carguinho qualquer que começa a falar como “lorde-imperador-da-coisa-toda”. Os demais, preguiçosos de sempre, ficam latindo enquanto a caravana ladra. Se a dona Ela, por exemplo, tivesse batido pé e ficado no cargo de sub-procuradora-geral, quando da questão lisboeta, o então janot(a) teria precisado puxar o freio-arbitrário com que relhava (né, meméia) os demais. Então, ficamos acertados, o cara é eleito para ser o representante, não para brincar-de-palácios. Haja saco.

  2. Henrique Finco

    11 de abril de 2018 2:19 am

    Crise de identidade

    Está na cara do robalinho: ele gostaria de ser uma garoupa… E ele tenta e tenta – e continua robalinho, cada vez mais robalinho.

    1. Eduardo Outro

      11 de abril de 2018 10:02 am

      Ele gostaria mesmo é de ser

      Ele gostaria mesmo é de ser lula, prezado Henrique. Mas não adianta, nem com letra minúscula ele será.

  3. Serjao

    11 de abril de 2018 2:36 am

    Nem todas as maçãs são podres

    Aguardando o mesmo de federais honrados e de magistrados compromissados com a ética e a verdade.

    Autoridade, autoridade mesmo, legítima é a que o desejo, o voto, popular concedeu e conferiu.

  4. Rui Ribeiro

    11 de abril de 2018 11:14 am

    Eu achava que só tinha joio no MPF

    No dia do juízo universal, eu ia atear fogo no trigo, achando que só havia joio. Mas antes do juízo final, vamos ter que fazer essa separação. Os Subscritores dessa peça já nos ajudaram bastante no nosso trabalho.

    E a gente fazendo conta pro dia que vai chegar.

  5. Vladimir

    11 de abril de 2018 11:28 am

    E mais uma demonstração da

    E mais uma demonstração da vitória do golpe: As instituições simplesmente não funcionam e não representam seus comandados e muito menos o povo brasileiro.

  6. Maria Luisa

    11 de abril de 2018 11:33 am

    Mais um

    Robalinho é aquele que disse que Lula “vende-se como perseguido” e saiu em defesa do indescritivel Dallagnol. Não da para negar que o presidente da ANPR não faz parte do golpe. Com MPF, Supremo, com tudo.

  7. JUAREZ CAMPOS

    11 de abril de 2018 11:36 am

    Robalo

    Robalinho, robalo, roubado, roubo.

  8. vera lucia venturini

    11 de abril de 2018 1:22 pm

    Como disse a Marcia Tiburi: a

    Como disse a Marcia Tiburi: a coragem é uma virtude que esta em falta nesse país. Depois do power point, depois do Lula preso os procuradores estão protestando. 

    O silencio é cumplicidade. Que vão pro inferno.

    Ah! Lula deve ter subido nas pesquisas depois de preso porque o Jornal Nacional de ontem, segundo o Rui Dahler, bateu em todos os políticos e colocou-se a dispor do adiamento das eleições e do regime militar. Façam bom proveito. 

    Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso.

    Bertolt Brecht

  9. John Lula Jahnes

    11 de abril de 2018 1:22 pm

    Bandidos de Togas

    Tem mais bandidos de togas nesse país do que podemos imaginar.

    Enquanto isso, ali ao lado dele, seus colegas de robalheiras continuam trabalhando arduamente para se enriquecerem.

    STJ REDUZ MULTA DO ITAU DE 160 MILHÕES PARA 160 MIL.
    Será que isso é verdade mesmo, parece ser um mentira só para dizer que o STJ está cheio de BANDIDOS DE TOGAS que estão ficando milionário com mutretas referentes aos pagamento de multas de grandes empresas sonegadoras. de impostos.
    Quem serão esses BANDIDOS DE TOGAS que autorizam e executam esses tipo de ilegalidade com intuito de receber em troca parte do milhões do dinheiro dispensado de pagamento ao governo?

     https://falandoverdades.com.br/stj-reduz-de-r-160-milhoes-para-r-160-mil-condenacao-do-itau/

     

     

  10. JB Costa

    11 de abril de 2018 2:06 pm

    Política é Realismo. Sonhos,

    Política é Realismo. Sonhos, quimeras e que tais não fazem parte da sua natureza. Quem quiser sonhar que então vá dormir. 
    O país vive um dos momentos mais cruciais da sua História. A conjuntura só nos apresenta duas alternativas: lutar ou fugir.
    O momento é de agregar, de compor, de reagrupar, de realinhar a fim de enfrentar os inimigos do processo civilizatório que querem transformar a nossa ainda débil Democracia numa simulacro, num jogo de faz de contas, a fim de manter os privilégios e as injustiças históricas seculares.
    A quem serve, se não a eles, as cizânias, as desconfianças, as narrativas conflitantes, o apego desesperado à firulas ideológicas e as abordagens políticas pelo ângulo somente das divergências?
    Não se vencem “guerras” questionando quem potencialmente poderá estar do nosso lado; seja por qual motivo for. 
    Os chamados aliados na Segunda Guerra – URSS-USA-RU-somente destruíram o nazi-fascismo ao comporem uma frente comum de luta em detrimento das divergências ideológicas profundas. 
    Por esse aspecto, é contraproducente, se não mesmo burrice, as admoestações generalizadas a certos estamentos da sociedade(ou personagens isolados) com base em quizilas do passado ou mesmo só por ranços ideológicos, a exemplo do Judiciário, do Ministério Público, das Forças Armadas, do empresariado e de agremiações políticas ditas de “centro”.
    Em todas essas instâncias há cidadãos e cidadãs conscientes dos riscos que corre a Nação com a iminência de uma total desestruturação tanto da Ordem Democrática como da própria paz social se por uma desgraça forem vitoriosas as forças do atraso.
    Forças essas que se alimentam e ao tempo em fomentam o ódio a qualquer avanço social. Inclusive os consolidados historicamente.

    1. vera lucia venturini

      11 de abril de 2018 3:05 pm

      Pra mim o tempo de inflexão

      Pra mim o tempo de inflexão já foi. Os donos da narrativa estão com o poder e se articularam aproveitando-se do trabalho de destruição do mundo político e da economia do país comandado pela PGR e pelo Judiciário. O tempo de reagrupar já passou. É aguentar as consequencias porque esses milicos traidores da pátria vão acabar de dizimá-la a mando das elites boçais do país e dos Estados Unidos. 

      Calaram o Lula e os próximos a serem silenciados serão eles. Exceto os lavajateiros de Curitiba que já devem ter ganhado apartamento em Miami, a exemplo do Joaquim Barbosa. Mas vão viver bem: os bravos combatentes da corrupção ganham, só de auxilio moradia o que eu ganho mês inteiro trabalhando na minha micro empresa. Robalo é um prato que eles consumiram e devem continuar a consumir. Pra mim sobrou lambari e tilápia.

       

  11. Franci

    11 de abril de 2018 11:38 pm

    O fator Lula está demolindo

    O fator Lula está demolindo com toda hipocrisia politica que dominava o pais 

    É oito ou oitenta quem gosta, gosta e quem não gosta tenta de toda maneira denegrir a imagem das politicas sociais de seu governo

    Tudo está sendo colocado para a sociedade visualizar, desde os que desejam a morte do ex-presidente até os que o idolatram

    Isso não acontece todo dia, essa exposição de odio e de rancores de pessoas pagas com nossos impostos, o estado “laico” morreu, pertence agora aos concurseiros de plantão que se acham donos do cargo e aos politicos que nos engabelam

    E o povo, seu verdadeiro patrão, está sendo ignorado, pisoteado e ignorado por pessoas que deveriam nos proteger

    É o fim do acesso ao Estado como conhecemos, devemos, urgentemente, arrumar uma maneira melhor de administrar a coisa publica, que cuida de nosso dinheiro e nossas vidas

     

    https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/339108/Filho-do-deputado-que-fez-tatuagem-de-Temer-assume-cargo-no-governo.htm

     

  12. jose carlos lima...

    12 de abril de 2018 10:44 pm

    Que o sofrimento e a injustiça impostos a Lula produzam uma muda
    Que o sofrimento e a injustiça impostos a Lula produzam uma mudança…

    A cada dia que passa fica mais claro que foi um erro Lula não te-se refugiado numa embaixada…ou ter se candidatado a cargo eletivo ao Congresso Nacional para, assim como Aécio, ser amparado pelo foro privilegiado….se bem que, em se tratando de tucano, tanto faz ter foro privilegiado como não, a inimputabilidade é a mesma, vide o caso Alckmin que, sem cargo eletivo, o MP tirou o dele da reta (https://www.revistaforum.com.br/justica-seletiva-stj-livra-alckmin-da-lava-jato-veja-a-repercussao-aqui/), já sendo petês, tem moleza não, pega preventiva de 10 anos com base em delação sem provas….

    Lula menos prezou a luta de classes e o que há por trás disso: Instituições a serviço da classe dominante e do imperialismo.

    Ao invés de atentar para isso, ele Lula acreditou nessa justiça capenga, e nela acreditou até o último momento, ao cumprir mandado judicial fora dos trâmites legais, para que ele entregasse sua vida ao inimigo.

    O povo sabia o que essa classe dominante iria aprontar pra cima de Lula e por isso tentou, de forma desesperada, sob os prantos dos seguranças de Lula Ubuntu, impedir que ele Lula cumprisse aquele mandado do juiz do PSDB a serviço dos EUA, com chancela de um STF que fez o mesmo com Olga Benário…

    Que o martírio de Lula, no momento nas mãos do inimigo, tenha o condão de provocar uma avalanche de conhecimento sobre nossa história repleta de golpes, passamos praticamente todo o século passado sob golpes: um na década de 30, que levou ao Estado Novo….outro na década de 40, quando 3 dos 5 juizes – sempre poucos decidindo por milhões de habitantes né – cassaram o PCB….outro na década de 50, este comandado pela Globo e EUA, que levou Vargas ao suicidio….outro na década de 60 que se estendeu até perto do fim do século…..e mal começou este século, já tivemos um novo golpe de Estado, este alavancado pela Globo no papel de Poder Verbalizador, Instituições cooptadas por forças golpistas como EUA que deram apoio logístico a Lava Jato….

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