5 de junho de 2026

Queda de renda e piora econômica influenciaram crédito

 
Atividade econômica em queda, renda corroída pela inflação, aumento do desemprego e redução de investimentos das empresas levaram a um menor ritmo de crescimento das operações de crédito no país. De acordo com dados do Banco Central (BC), o saldo das operações de crédito no país chegou a R$ 3,102 trilhões, em junho, com crescimento de 0,6% no mês e de 9,8% em 12 meses. No primeiro semestre deste ano, a expansão ficou em 2,8% contra o crescimento de 4,2% em igual período de 2014.
 
Para o ano, a projeção do BC para a expansão do crédito é 9%. No ano passado, o crescimento chegou a 11,2%. Segundo o BC, a desaceleração está relacionada ao aumento de taxas de juros, influenciadas pelo ciclo de alta da taxa básica (Selic) e à contenção da demanda por consumo e investimentos.
 
Além desses dois fatores, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, acrescenta que a moderação do crédito é “uma tendência natural” porque anteriormente, por volta de 2002, o saldo dos empréstimos era baixo e houve um período de grande expansão das operações desde então. “Saímos de uma base baixa. À medida que a base se expande, é natural que as taxas de crescimento sejam menores ano a ano. E, especificamente neste ano, existeêm fatores determinantes que são a própria dinâmica da economia e a taxa de juros”, disse.
 
Maciel citou ainda a expansão do crédito no primeiro semestre do ano, que segundo ele, costuma ser menor do que a do segundo. “É questão do próprio dinamismo da economia”, acrescentou.
 
Mesmo com o crédito mais caro, economia, emprego e renda em queda, a inadimplência mostra estabilidade. Em junho, a inadimplência das famílias (pessoas físicas) – considerados atrasos superiores a 90 dias – ficou estável de maio para junho em 5,4%. Também ficou estável a inadimplência das empresas em 3,9%.
 
Maciel considera que essa estabilidade foi influenciada por melhora na educação financeira. “A inadimplência, após o episódio de 2011 e 2012, quando atingiu níveis elevados, mudou a dinâmica. De lá pra cá, houve muita exposição na mídia sobre o uso consciente do crédito. As iniciativas de educação financeira aumentaram bastante nos últimos anos”, disse. Maciel acrescentou que os bancos ficaram mais seletivos e cautelosos. “A parcela do bem que está sendo financiado é menor do que era naquele período”, destacou.
 
O BC também informou hoje (30) que o endividamento das famílias em maio correspondeu a 46,3% da renda acumulada nos últimos 12 meses. O resultado é praticamente estável em relação a abril, com redução de 0,1 ponto percentual. Em 12 meses, houve aumento de 0,7 ponto percentual. Ao se desconsiderar o endividamento com financiamento imobiliário, o percentual de endividamento também caiu 0,1 ponto de abril para maio, e ficou em 27,5%.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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