O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta sexta-feira (13) que será candidato nas eleições de 2026. Em entrevista ao Opera Mundi, ele explicou que, desde que assumiu o ministério, queria ter mais liberdade para se dedicar a um projeto de desenvolvimento nacional. “Quero isso desde 2023. Eu queria estar mais livre para poder pensar um plano de desenvolvimento”.
O ministro lamentou ainda que seu plano nacional de desenvolvimento de médio e longo prazo tenha encontrado resistência dentro do governo, em meio à falta de articulação dos ministérios em áreas estratégicas como terras raras, inteligência artificial, data centers e transição ecológica.
Sobre o cenário político em São Paulo, Haddad acredita que se tornou mais complexo nos últimos meses, o que também contribuiu para sua decisão. Ele deve deixar o Ministério na próxima quinta-feira (19) e, em seguida, anunciar oficialmente o cargo que disputará, com expectativa de concorrer ao governo do estado.
“Eu imaginava que o cenário de 2026 ia estar mais fácil para o presidente Lula. Imaginava mesmo. No final do ano passado, eu falei: acho que vai abrir bem o ano e aí nós vamos poder discutir São Paulo com um pouco mais de calma, saber se não é melhor projetar um nome novo, se não é melhor eventualmente apoiar um candidato de outro partido que não seja do PT”, disse Haddad em entrevista a Breno Altman.
O ministro garantiu que a Fazenda ficará “em boas mãos” com o atual secretário-executivo, Dario Durigan, futuro titular da pasta.
Em entrevista ao programa 20 MINUTOS, Haddad também falou sobre seu novo livro, Capitalismo Superindustrial – Caminhos Diversos, Destino Comum (Editora Zahar). Nele, o ministro defende que o capitalismo superou a fase da manufatura e da grande indústria, descritas por Karl Marx, e entrou em uma etapa que absorve todos os setores da economia pelo padrão fabril, incluindo agricultura, serviços e automação bancária.
“Tudo virou uma indústria, mas quando se escreve sobre isso falam em ‘pós-indústria’ ou ‘economia de serviços’, sem atentar para o caráter fabril da organização do trabalho”, afirmou.
Haddad destacou que a superindústria impõe o padrão fabril absoluto e que a inteligência artificial torna imprevisível a evolução das relações de produção. Ele criticou a rigidez dos partidos tradicionais, que se fecham para realidades sociais que poderiam ampliar o engajamento com diferentes setores da sociedade.
Sobre socialismo e revolução, o ministro classificou a situação atual como contrarrevolucionária, mas afirmou que isso não impede a defesa concreta dos interesses dos trabalhadores. “Como a perspectiva revolucionária está ausente do horizonte histórico de curto prazo, você vai deixar de defender os interesses dos trabalhadores, na medida das possibilidades concretas e do que a luta social permite?”.
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