Recordes de queimadas no Brasil “indicam ação criminosa e coordenada em larga escala”, diz Demétrio Magnoli

Em artigo, Magnoli aponta que os incêndios “em curso só podem ser explicados por ações humanas persistentes e deliberadas”

Foto: Arquivo/GOV.BR

Jornal GGN – As queimadas no Pantanal registradas em setembro aumentaram como nunca antes, desde o início da série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1998. Nos EUA, os incêndios também não param, mas no Brasil o fenômeno “em curso só podem ser explicados por ações humanas persistentes e deliberadas”, afirmou Demétrio Magnoli em artigo, publicado na Folha de S. Paulo.

Um comparativo sobre o fogo que devasta as florestas do oeste dos EUA e, em outro hemisfério, as extensas áreas da Amazônia e do Pantanal, revelam o caráter da irresponsabilidade dos governos dos países latino-americanos.

No entanto, apesar de “Trump revela mais uma vez sua aversão à ciência quando nega o papel decisivo das mudanças climáticas”, ele tem “razão ao mencionar o diagnóstico de técnicos florestais que acusam o ambientalismo fundamentalista pelo agravamento da crise”, apontou  Magnoli.

Nos EUA, as queimadas ainda se justificam pelo aquecimento global, uma vez que “florestas temperadas de clima subúmido exigem permanente manejo para evitar o adensamento excessivo da vegetação”.

Ainda assim, “nas últimas décadas, porém, sob pressão de grupos preservacionistas extremados, reduziu-se tanto a exploração madeireira sustentável como a boa prática de incêndios controlados”, lembrou o colunista.

Já os ecossistemas da Amazônia e do Pantanal funcionam de forma adiversa, uma vez que fogo é um componente deles, durante as estações secas. Mas, normalmente, os focos de incêndio “acabam contidos pelos rios, furos, igarapés, corixos e lagoas de vazante”.

Sendo assim, os recordes de desmatamento no Brasil registrados desde o ano passado revela o abandono ou apoio ao crime ambienta por parte do governo Bolsonaro. É que “o crime compensa, quando o governo simula não vê-lo”, escreveu Magnoli.

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O colunista destacou que “incêndios que saltam incontáveis barreiras líquidas só podem nascer de fogos ateados simultaneamente ao longo de arcos de centenas de quilômetros”.

“O Ministério do Meio Ambiente é parte do problema, não da solução. Seu titular, Ricardo Salles, não é um fanfarrão ideológico, um adorador de mestres místicos, um Weintraub qualquer, mas um operador profissional que serve aos interesses da devastação ambiental. Sua missão oficiosa consiste em desmontar os aparatos de fiscalização do Ibama e do ICMBio”, sinalizou Magnoli.

Sendo assim, ainda restaria a esperança na ação dos militares, sob o comando de Hamilton Mourão?. Hoje, porém, os trabalhadores da segurança pública agem “em nome de lealdades políticas circunstanciais ou de privilégios corporativos que se acumulam” e se “curvam a espinha diante do crime ambiental”, completou Magnoli.

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2 comentários

  1. Ano passado na Austrália foram mais de dez milhões de hectares, não me lembro de teorias semelhantes.
    E resta a questão, por fogo em pasto e reserva com qual objetivo? O que se lucra?

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