Resolvi republicar este texto em razão do aprofundamento da crise brasileira. Ontem o STF afastou o presidente do Senado. O conflito entre poderes, evidente, demonstra que o país está longe de ser pacificado. Todavia, os analistas políticos da grande imprensa se recusam a dizer o mais importante.
A crise brasileira ocorreu no exato momento em que os 54,5 milhões de votos legítimos atribuídos a Dilma Rossseff foram rasgados mediante uma fraude ocorrida no Congresso com ajuda do STF. Portanto, se há uma crise ela não é entre poderes, mas entre o Estado e o povo brasileiro.
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A crise brasileira é de uma beleza estética evidente. Ela pode ser comparada à bomba H inventada por Andrei Sakarov. Não estamos diante apenas de uma crise, mas de várias crises que se desdobram em várias camadas exatamente como uma cebola.
A imprensa critica diariamente o governo por causa da crise. Mas a grande verdade é que as próprias empresas de comunicação estão em crise. Várias delas estão demitindo jornalistas experientes e contratando especialistas genéricos modelo “Kim Kataguiri”.
Mas esta não é a única crise da imprensa. De fato, desde que seus candidatos presidenciais começaram a ser rejeitados nas urnas pelo povo brasileiro, a imprensa se tornou mais e mais partidarizada. Os aquarios não são mais centros de excelência do jornalismo praticado pelas empresas e sim clubinhos de publicitários do PSDB e de inimigos irredutíveis do PT.
A crise do campo político é evidente. O partido que ganhou a eleição não pode governar porque o principal partido de oposição acredita que tem direito natural/racial/econômico/histórico/histérico de exercer o poder. Seu principal aliado não é o povo e sim os veículos de comunicação.
Esta dupla crise (política e jornalística) se propagou para o Judiciário durante o Mensalão, oportunidade em que um Ministro do STF condenou José Dirceu porque ele não provou ser inocente (subvertendo diante das câmeras de TV o mais importante princípio constitucional do Direito Penal). Mas a crise judiciária foi elevada à décima potência por um juiz federal de primeira instância que se comporta como se fosse o imperador do Brasil.
Sérgio Moro não exerce mais apenas a função de juiz. Ele exerce um verdadeiro poder moderador, o que o coloca em relação direta com os políticos do PSDB e com a imprensa. Não por acaso as fotos dele com políticos tucanos conhecidos são publicadas diariamente nos jornais, revistas e portais de internet. Do alto de sua nova função autoritária (a Lei não lhe confere este poder), Moro já distribui à imprensa notas políticas sobre manifestações políticas.
Verdade seja dita. É impossível falar da crise no judiciário sem lembrar a profunda crise que se abate sobre o Ministério Público. Em São Paulo os promotores que pediram de Lula com base em alegações paranóico-políticas (o ex-presidente que comandou e modernizou as Forças Armadas organizará guerrilhas para derrotá-las) confundiram Hegel com Engels. Mas este não foi o erro mais grave que eles cometeram. Ao decidir o pedido de prisão a Juíza do caso se deu por incompetente e enviou o processo para a Justiça Federal. Referida decisão funciona como uma declaração da indigência profissional dos promotores: eles foram incapazes de reconhecer previamente a incompetência absoluta do órgão judiciário que provocaram.
O MP paulista foi envergonhado duas vezes nos últimos dias. Mas o MPF também não se salva. Há dois anos os donos de 450 Kg de cocaína apreendidas num helicóptero tucano em terras tucanas não foram denunciados. Os procuradores estão investigando quem são os “verdadeiros donos” da droga. Não bastasse isto, membros do MPF no Mato Grosso resolveram abrir um Inquérito para investigar a supostos desvios ideológicos nos livros publicados pelo Ministério da Educação. Eles não só não sabem mais discernir quais são suas funções, como demonstram uma incapacidade evidente de cumprir e fazer cumprir dois princípios básicos da CF/88: a natureza plural do Estado democrático brasileiro, que se obrigou a tolerar todas as ideologias; a liberdade de consciência e de expressão conferida aos autores de livros.
A elite brasileira, em crise porque não consegue eleger seus candidatos, aprofunda a crise-cebola fornecendo espetáculos apoiados pela imprensa e aplaudidos juiz-imperador Sérgio Moro. As matronas que nunca cozinharam e lavaram pratos batem panelas na frente de suas TVs contra Dilma Rousseff. E tiram suas roupas nas manifestações de rua contra a suposta ditadura petista exigindo uma ditadura militar. Os varões paulistas diplomados já não sabem mais a diferença entre uma “democracia” e uma “ditadura”. O MPF de São Paulo investigará os desvios ideológicos dos livros usados nas caríssimas escolas privadas em que eles estudaram?
Eu mesmo estou em crise. Sou advogado há 25 anos e, pela primeira vez, fiquei com vontade de quebrar e queimar minha cédula da OAB/SP. Sem consultar milhares de advogados paulistas, a OAB/SP embarcou no golpe de estado aprofundando a crise. É para mim impossível não denunciar aqui a ausência de democracia na OAB/SP, entidade que tomou uma decisão política em meu nome sem me consultar. Fui obrigado a registrar meu protesto pelo Twitter:
Fábio O. Ribeiro @FabioORibeiro
Cara @oab_brasil
Minha OAB/SP é 107.642. Ao apoiar os tucanos que querem depor @dilmabr, a @OAB_sp não falou em meu nome. Não sou golpista!
Nossa crise-cebola só não explode como uma bomba Tsar por dois motivos: o PT não usa os mesmos métodos violentos que seus adversários; as Forças Armadas seguem cumprindo sua missão de garantir as fronteiras do país.
Desgraçadamente Andrei Sakarov morreu sem ter visto sua criação ser usada numa guerra total entre seu país e os EUA. Se algumas bombas Tsar tivessem explodido nos EUA há 40 o Brasil não estaria preso nesta crise-cebola plantada e alimentada pelos norte-americanos interessados em controlar o Pré-sal com ajuda de seus amigos* brasileiros
*Eufemismo para traidores da pátria.
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