Sem estudo científico, investir em cloroquina é gastar dinheiro à toa, diz Teich

"Se tem coisas que eu não sei se funcionam, eu não posso gastar dinheiro nisso, porque eu tenho muito pouco dinheiro", diz ex-ministro da Saúde

O presidente Jair Bolsonaro e o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, durante pronunciamento no Palácio do Planalto

Jornal GGN – Em entrevista à GloboNews no último final de semana, o ex-ministro da Saúde Nelson Teich indicou que saiu do governo Bolsonaro porque, entre outros motivos, não concordou em recomendar o uso da cloroquina em casos leves de coronavírus por causa da falta de elementos que atestem a eficiência da droga. Mais do que isso, Teich sugeriu que o governo pode gastar dinheiro à toa insistindo na cloroquina, se não há estudos científicos comprovando os benefícios.

Ao contrário disso, na semana passada, a revista The Lancet divulgou que o maior estudo já feito até agora com cloroquina e hidroxicloroquina não sugerem vantagens contra o coronavírus, mas aumento de mortes por alterações cardíacas. Ainda assim, após a saída de Teich, o Ministério da Saúde recomendou ao SUS o uso do remédio em casos leves de covid-19.

“Se eu começo a aceitar que você possa prescrever remédios só porque tem um teste in vitro que sugere algum benefício, isso começa a virar uma prática, isso é incontrolável. Isso é um ponto. O segundo ponto [de divergência com Bolsonaro] é: se tem coisas que eu não sei se funcionam, eu não posso gastar dinheiro nisso, porque eu tenho muito pouco dinheiro. Eu tenho que gastar dinheiro em coisas que eu sei que funcionam. Pra mim, eu tinha que esperar para tomar essa decisão. E essa decisão de qual é o papel da cloroquina, ela vai sair quando tiver os estudos randomizados”, disse Teich.

Um levantamento feito na semana passada mostra que o Brasil aumentou em 30% a produção de cloroquina por causa de Bolsonaro.

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No final de março, o País tinha um estoque de 8,9 milhões de comprimidos. Na segunda semana de abril, esse montante já era de 11,6 milhões. Somente as Forças Armadas, que passou a produzir a droga a pedido de Bolsonaro, fez a produção crescer de 250 mil comprimidos a cada 2 anos, para 1,25 milhão em menos de um mês.

Além do laboratório das Forças Armadas (LQFex), a empresa privada Apsen aumentou o estoque de 5,1 milhões para 8,3 milhões de comprimidos.

Bolsonaro faz produção de cloroquina subir 30% em apenas 1 mês no Brasil

 

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1 comentário

  1. Se alguém ainda tinha dúvidas que esse cara não tem nível para ser ministro da saúde agora já pode ter certeza.

    O cara não está preocupado com os efeitos adversos ou não do medicamento, mas sim do custo de centavos em cada comprimido.

    Bolsonaro tem uma capacidade incrivel de se cercar de nulidades

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